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Eu me lembro disso. Foi em 1999, quando eu decidi comprar o meu primeiro celular. Foi um modelo jurássico, o Philips Isis, que por incrível que pareça, poderia usar pilhas no lugar da bateria normal. Mesmo assim, a ideia era fascinante: poder realizar ou receber chamadas telefônicas, sem se importar com o lugar. Hoje é algo trivial, mas no final da década de 1990, era o objeto de consumo.

Nos primeiros meses, sair por aí falando ao celular era um símbolo de ostentação, ou um gesto de mal gosto (beirando ao brega, em alguns casos). A primeira operadora que eu tive foi a Tess (hoje, Claro), e naquela época, a cobertura já não era lá muito boa, com alguns locais da minha cidade ficando sem sinal. Além disso, o custa das chamadas eram muito caras, e por causa da baixa qualidade da rede, a bateria do celular tinha autonomia de menos de um dia de uso. Mas eu não me importava. Aquela sensação de liberdade não tinha preço. Literalmente.

Hoje, os tempos são outros. O celular deixou de ser algo fora do comum e, de fato, o mais difícil é deixar de ter um celular no bolso. E o que dizer das chamadas telefônicas? É uma das últimas coisas que faço no telefone (que se transformou em smartphone). A grosso modo, utilizo mais os serviços de dados. Logo, eu (e muita gente por aí) dou mais importância para a velocidade de acesso às redes móveis, algo que se tornou fundamental no meu dia a dia.

Mesmo assim, existe o risco de todo mundo se equivocar ou se confundir com essa importante questão: é mais importante uma velocidade de acesso muito elevada com um pacote de dados raquítico? Ou uma velocidade convencional com um plano de dados generoso ou, se possível, ilimitado?

Nessa reflexão, é preciso adicionar um detalhe que não podemos nos esquecer, mas que normalmente esquecemos no processo de escolha: as operadoras de telefonia são empresas privadas, que como toda empresa que se preze, querem obter lucro. E para isso, necessitam aumentar o faturamento obtido em relação aos seus clientes. Por outro lado, essas mesmas operadoras enfrentam uma realidade de mercado que é um fator de complicação considerável: mesmo com mais celulares em circulação, e com uma taxa de penetração cada vez maior, a concorrência é cada vez mais acirrada, com operadoras cobrando preços cada vez mais baixos em alguns serviços (incluindo o pacote de voz, já que cada vez menos as pessoas realizam chamadas telefônicas).

Com isso, as operadoras parecem ter encontrado uma espécie de “tábua de salvação” para recuperar os seus lucros: o 4G.

A rede de quarta geração permite, na teoria, alcançar velocidades elevadas de download. Muito mais elevadas do que temos hoje. Bom, quero dizer, lá fora. No Brasil, algumas operadoras oferecem velocidades que são praticamente as mesmas de planos 3G+ competentes. Aos poucos, os usuários interessados no 4G estão chegando, mas com cenários muitos desiguais. Enquanto o usuário brasileiro ainda fica limitados a pacotes de dados, na Espanha, a Vodafone oferece planos ilimitados de 4G. E ela não é a única por lá a oferecer isso.

Ah, e para causar uma dor maior no seu íntimo: a Vodafone está cobrando dos seus clientes apenas 9 euros por mês para um acesso ilimitado de internet via 4G. Chorem de inveja, leitores.

Porém… será que realmente compensa? Temos que levar em conta que os planos de dados no Brasil de 4G não estão tão atraentes ou vantajosos para a maioria dos usuários que pretendem usar essa nova rede. Aliás, o ideal era que o 3G daqui fosse algo próximo ao 3G do exterior. Mas como não estamos nessa realidade, levanto a questão: será que para um grande grupo de usuários, não vale mais a pena pagar um pouco mais por um plano com um pacote de dados maior, mas operando na rede HSPA+?

Eu sei. É um curioso dilema para o usuário. E deveria ser algo que as operadoras de telefonia móvel deveriam ficar de olho, principalmente se levarmos em consideração o movimento dos seus concorrentes. É claro que, nesse momento, os planos de 3G já são insuficientes para um grande grupo de usuários, ainda mais se levarmos em conta que os smartphones e tablets estão ficando cada vez mais potentes. E nós, usuários, mais e mais acostumados em consumir dados. E o 4G, no lugar de resolver, pode acentuar ainda mais esse problema, se os pacotes de dados ofertados forem cada vez mais limitados em seus pacotes de consumo.

Também é importante chamar a atenção para o fato que as próprias operadoras de telefonia móvel limitam os seus planos de dados, com o objetivo de promover o 4G como a salvação da lavoura para quem quer aproveitar os vídeos do YouTube sem lags ou tempos de carga de vídeos. Mas essas mesmas operadoras se esquecem do pequeno detalhe: por enquanto, não existe nenhum plano de dados ilimitado “real”, e que a maioria dos planos adotados pelos usuários é de, no máximo, 1 GB de dados.

Dito isso, passo a bola para você: o 4G é um luxo? Ou uma necessidade?