29 de junho de 2007. Steve Jobs apresentou ao mundo aquele produto que, na minha opinião, é sua obra prima. Se o iPod recolocou a Apple no mapa, e mudou a forma do mundo ouvir música, o iPhone foi o produto que mexeu com o setor de tecnologia de consumo como um todo. E não falo só do mercado de telefonia, mas sim, do mercado em geral. Independente da opinião que você tem sobre o produto (que, como tudo nesse mundo, não é perfeito), você não pode negar que não existe outro produto no setor de tecnologia que desperte paixão, devoção, adoração, fanatismo e até mesmo infertilidade em tanta gente (que prefere mexer no Instagram a pegar mulher na balada). E desafio você a encontrar outro produto que cause o mesmo efeito em uma legião tão grande de usuários.

Em cinco anos, o iPhone e o seu sistema operacional evoluíram em linhas distintas. Enquanto o hardware do smartphone da Apple adicionou aos poucos vários dos elementos que os seus usuários desejam, o software adicionou novos recursos e funcionalidades, mas manteve a mesma aparência da primeira versão. O que pode ser ponto de reclamação para os usuários mais avançados é considerado o grande trunfo a favor dos usuários iniciantes e/ou com menor conhecimento de todas as possibilidades do produto. Aliás, podemos dizer que a Apple praticamente inventou o termo “experiência do usuário”.

Sim, porque a Microsoft quando mudou do Windows 3.x para o Windows 95, mudou tudo isso, e a curva de adaptação foi de, pelo menos, três anos. Mas isso é uma outra história.

A Apple rapidamente sacou que o iPhone deveria ser simples, atraente e principalmente fácil de ser usado. Deveria ser ainda mais intuitivo que o iPod, que era um grande sucesso de vendas. Adicionar ícones na tela não era novidade. Fazer as pessoas selecionarem esses mesmos ícones na tela, muito menos (afinal, o sistema da Palm já fazia isso há tempos). A grande sacada foi adotar gestos simples, onde um simples deslizar de dedo poderia resolver tudo. Além disso, poucos cliques e poucas telas para acessar o que você precisa, sem o esquema de pastas (que só veio depois, e fica por conta do usuário criá-las), novos aplicativos instalados na interface de forma imediata, e sem rodeios… esses pequenos detalhes fizeram o iPhone se tornar um fenômeno no mundo da tecnologia.

Ok, os tempos mudaram. Em 2007, a empresa dominante no mercado de smartphones era a Nokia, e a Motorola estava quase morta, com lançamentos de telefones desastrosos. HTC, Sony, LG e Samsung nem sonhavam em entrar no mercado de smartphones (apesar de algumas delas já pertencerem ao mercado de telefonia naquela época), e tudo indicava que nada disso mudaria tão cedo.

Até que Steve Jobs, vestido de preto e cara de mau, disse que o novo iPhone tinha um processador ARM (da Samsung, quando as duas empresas ainda eram amigas) de 400 MHz, câmera de 2 MP, tela sensível ao toque, iPhone OS (hoje iOS) e conectividade Wi-Fi. Hoje, qualquer celular de menos de R$ 500 tem especificações melhores que essa, mas na época, foi um verdadeiro meteoro caindo no mercado.

Cinco anos depois, o iPhone 4S possui um processador Apple A5 dual core de 800 MHz, câmera de 8 MP, GPS, acelerômetro, blá, blá, blá… resumindo: o salto é considerável. No seu final de semana de estreia, o iPhone 4S vendeu mais de 1 milhão de unidades nos mercados onde foi distribuído. Mas esse sucesso foi plantado lá atrás, com um produto que, no seu tempo, era matador.

O tempo passou, e hoje, os concorrentes conseguem oferecer com facilidade smartphones com maiores recursos técnicos que o iPhone 4S. Uma grande gama de smarts Android possuem uma tabela de hardware mais robusta que o atual smartphone top da Apple (e nem preciso citar o Samsung Galaxy S III para isso). Porém, poucos (ou talvez nenhum deles) despertam tanta paixão nos usuários de tecnologia e Apple Fanboys em geral quanto o iPhone. Sabe, é o produto que chega no momento certo, com o formato certo.

O iPhone mudou os paradigmas do mercado de telefonia, apresentando uma proposta que já tinha sido vista antes, mas em um pacote que só a Apple é capaz de oferecer. Apresentou aos usuários de todo o mundo a experiência única de ter um telefone capaz de acessar a internet com uma usabilidade próxima ao do desktop (mesmo com a tela com dimensões reduzidas), ouvir música, rodar alguns jogos, interagir com seus amigos através de vários recursos… e tudo isso, em um telefone que até a sua avó pode usar!

Outra coisa que ajudou no sucesso do iPhone foi o surgimento das redes sociais. Serviços como o Twitter, Facebook, MySpace e outros, que estavam nascendo em 2007, trabalharam o seu desenvolvimento já pensando na usabilidade do iPhone. Tudo bem, em alguns casos (como o do Facebook, por exemplo), a sua experiência de uso ainda não é a ideal, e outras soluções de software são melhores do que os clientes nativos dos respectivos serviços, mas a ideia de interação rápida e simples com os seus amigos através de um dispositivo que cabe no seu bolso caiu como uma luva para o iPhone. Hoje, todo mundo usa o Twitter, Facebook, Instagram e outros serviços pelo smartphone da Apple em profusão.

Além disso, por causa do iPhone, o mercado como um todo começou a pensar com mais cuidado para aspectos como design, funcionalidades, interface de usuário, arquitetura de software, loja de aplicativos, entre outros. Se hoje temos uma forma mais eficiente e segura para comprar e instalar novos aplicativos nos nossos smartphones, nós devemos ao iPhone. Se hoje temos gadgets com design mais refinado, agradecemos ao iPhone. Eu mesmo confesso que muito do meu desejo de comprar produtos de tecnologia é por causa do desejo que muita gente tem em ter um iPhone. E olha que, diferente dos Apple Fanboys, tenho produtos de várias marcas diferentes.

Indo de CCE… até o iPhone!

A Apple se prepara para lançar o novo iPhone, que deve chegar ao mercado no último trimestre de 2012. Com um mercado bem mais acirrado, a empresa de Cupertino vai ter que se reinventar para manter o seu principal produto no topo do mercado. É claro que a vantagem para o iPhone ainda é muito grande, mas é inegável que os concorrentes chegaram. Porém, não creio que os futuros lançamentos dos adversários vão tirar do iPhone o posto de “smartphone mais amado do mundo”. Mesmo porque esse amor, para muitos, já dura cinco anos.

E pensar que foram só cinco anos… o que deve vir nos próximos cinco? Conversaremo sobre isso em 2017.