Antes que me xinguem, tudo o que eu vou dizer abaixo é apenas uma teoria. Uma simples proposta de discussão de ideias, apenas para começar a semana. Nada aqui representa uma proposta para uma eventual solução de problemas da Research in Motion, mesmo porque eu não sou pago para isso. Nosso amigo Thorsten Heins, CEO da empresa, que se vire para salvá-la do buraco.

Os últimos resultados financeiros da RIM correspondentes ao último trimestre são um verdadeiro desastre. As perdas ficaram acima de qualquer tipo de previsão feita pelos analistas de mercado ou pela própria empresa. Como consequência, eles reduziram a sua folha de funcionários em praticamente um terço (5 mil demissões estão programadas para os próximos meses). Essa notícia para a imagem da empresa é péssima, e certamente vai afugentar possíveis investidores interessados em lucrar na recuperação da fabricante canadense. Afinal, quem quer investir dinheiro em uma empresa que não gera lucros?

Para piorar a situação, a RIM decidiu adiar o lançamento do BlackBerry 10, a nova versão do seu sistema operacional móvel, que mesmo bem elogiado pelos presentes no evento para desenvolvedores da empresa, só chegará ao mercado no primeiro trimestre de 2013, deixando que todos os seus concorrentes apresentem novos modelos de smartphones, roubando mais um pouco do cada vez mais reduzido mercado dos smartphones BlackBerry.

E apesar de Thorsten Heins afirmar que está otimista com o futuro do BB10, é fato que ele precisa lidar com uma situação nada confortável, que é gerenciar uma empresa que financeiramente agoniza, sem ter certeza que vai ter forças para passar por uma recuperação lenta. Principalmente quando o próprio Heins afirma que parte dessa recuperação passa por manter o BlackBerry sob uma mesma plataforma, até que a nova versão do SO móvel seja lançado.

Porém, a pressão por resultados é grande, e o tempo não para. Os concorrentes não vão ficar parados, esperando pelo lançamento de novos modelos BlackBerry, e os atuais investidores da empresa exigem resultados rápidos. E é aí que os rumores começam. Com toda a força.

Segundo uma fonte da Reuters, a cúpula diretiva da RIM começa a pensar seriamente em outras opções para salvar os seus produtos e, por tabela, a empresa. Uma dessas alternativas é admitir publicamente que errou ao escolher a estratégia de sua plataforma móvel, e abandonar o uso do seu próprio sistema operacional para smartphones (ou pelo menos até que a nova versão chegue ao mercado em 2013).

“E o que eles vão usar no lugar?”, você pergunta. A resposta, logo abaixo.

Isso mesmo. O Windows Phone 8, da Microsoft.

Nos últimos meses, RIM e Microsoft se aproximaram, graças à influência de Steve Ballmer, com o objetivo de um acordo ou parceria semelhante com aquela que a gigante de Redmond mantém com a Nokia. De acordo com as fontes, a RIM poderia oferecer para a Microsoft uma parte das ações da empresa, em troca de um pesado investimento em marketing e no custeio dos gastos gerais da Research in Motion. Para a empresa canadense, essa solução não é interessante, pois acabaria com a independência da empresa no seu negócio. Mas, em tempos de crise, o que é melhor: ser independente, mas sem dinheiro no bolso, ou depender de uma das maiores fabricantes de software do mundo, e ter as contas pagas?

Outro detalhe a ser observado, é que para conseguir dispositivos de sucesso, a RIM seria obrigada a portar o seu serviço de mensagens seguras para a plataforma da Microsoft, uma vez que esse é o elemento essencial para que um smartphone seja considerado um BlackBerry genuíno. Isso resultaria em um maior tempo de desenvolvimento e adaptação dos aparelhos para as especificações requeridas.

O que deve impedir que essa parceria aconteça (na minha opinião) é o fato que, em uma hipotética janela de lançamento dos BlackBerrys com Windows Phone para o final de 2012, o intervalo para a chegada dos modelos com o BlackBerry 10 OS seria de, no máximo, cinco meses (a própria RIM afirma que smarts com BB10 chegam ao mercado até o final do primeiro trimestre de 2013). E a ideia de uma mudança tão grande em um curto espaço de tempo é, no mínimo, contraproducente para uma empresa que precisa recuperar dinheiro.

A matéria da Reuters revela também uma segunda opção nos possíveis planos da RIM para se salvar: vender a sua rede de mensagens para outra empresa, ou modificá-la para que ela possa ser utilizada por outros smartphones, licenciando de algum modo o seu uso em outros sistema operacionais móveis. Jim Balsille, antigo CEO da empresa, já apresentou essa opção, que apesar de ser cogitada, não foi aprovada.

Os rumores seguem, mesmo com tantas notícias negativas em torno da RIM. Seja lá qual for o futuro da empresa, é triste saber que uma marca tão icônica como o BlackBerry pode desaparecer. Eu fui um daqueles que tive um aparelho BlackBerry durante um ano, e aproveitei muito dos benefícios dos seus serviços. Abandonei o aparelho porque reconheço que sua proposta ficou obsoleta, e que outros aparelhos chegaram por aqui, com funcionalidades e recursos mais completos. Mas espero que a Research in Motion ainda tenha tempo de se reinventar e sobreviver no disputado mercado de tecnologia. Afinal de contas, ainda defendo a máxima de “quanto maior o número de opções, mais completo o mercado fica”.