Você, amigo leitor, que ficava vasculhando pela internet por streamings de eventos esportivos e premiações, saiba que você é um pioneiro, em todos os sentidos. Nos últimos anos, muitos especialistas em tecnologia afirmaram que o futuro da televisão estava na web, e que todos passariam a consumir os seus programas de TV através da Internet, dispensando os cabos de operadora, ou aquelas pequenas parabólicas que perdem o sinal na primeira chuva mais forte. E tudo indica que em 2013, as operadoras de TV por assinatura brasileiras vão fincar os dois pés nesse objetivo.

Hoje (17) duas das principais prestadoras de internet e TV por assinatura no Brasil anunciaram os seus planos de oferta de serviço para o próximo ano. Em comum, as duas citaram em seus discursos uma sigla: IPTV. A Oi anunciou oficialmente o seu serviço de TV por assinatura via internet, com mais de 100 canais disponíveis no pacote, além de pacotes “a la carte” de canais premium de filmes (HBO e Telecine). Esses pacotes serão ofertados em conjunto com planos de internet via fibra ótica (a partir de 100 Mbps), com preços que considero relativamente competitivos (a partir de R$ 159,90; para se ter uma ideia, eu pago isso para ter menos canais de TV e uma internet de 10 Mbps na minha operadora atual).

O problema do serviço da Oi é que ele é atrelado aos clientes com internet via fibra ótica, o que faz sentido, uma vez que eles precisam garantir a qualidade do serviço ofertado. Mas talvez a maior dificuldade da Oi nesse momento seja a expansão do seu serviço, que vai começar no Rio de Janeiro, depois em Belo Horizonte, e na sequência, nas demais principais cidades brasileiras. Ou seja, no meu caso, que mora no fim do mundo (a.k.a. Araçatuba/SP), eu posso esquecer essa opção.

A segunda operadora que citou a sigla IPTV foi a NET, que fez uma coletiva hoje para falar sobre suas estratégias para 2013. A operadora informou que vai lançar os seus serviços em mais 44 cidades brasileiras, que vão se somar às 100 onde a operadora já atua. Pode parecer muito, mas vale lembrar que a SKY cobre hoje quase 100% do território nacional. É muito se observarmos a gigantesca base de assinantes da NET.

A má notícia é que a própria NET não está preocupada em expandir as suas operações em muitas cidades brasileiras, informando que esse não é o objetivo da empresa (se tornar uma operadora de ampla cobertura nacional), apesar dos seus executivos afirmarem que desejam chegar a todas as regiões brasileiras. Mesmo assim, cidades nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Pará e Maranhão vão receber os serviços da NET, incluindo quatro capitais – Recife, Salvador, Belém e São Luís.

Ah, sobre o IPTV da NET? Vamos lá: a operadora informou que, em 2012, adicionou mais de 30 canais novos em seu lineup, e que pretende expandir essa oferta para um serviço de TV via internet. Hoje, a NET já oferta aos seus clientes (ou parte deles, pois eu ainda não tenho esse serviço) o NOW, que oferece alguns canais da operadora com programação na internet, permitindo uma maior liberdade na hora de assistir a programação. O que a operadora deseja agora é expandir o NOW para os tablets, até mesmo para competir com serviços como o Muu, que já permitem esse acesso em múltiplas plataformas.

Como podem ver, a sigla IPTV deve estar bem presente em 2013 no idioma das operadoras de TV por assinatura brasileiras. Pode ser uma forma das mesmas sobreviverem e até se reciclarem, oferecendo alternativas para manter os clientes em sua base de serviços. Se a internet estava chegando nas TVs, acredito que a TV e seus canais também está migrando para a internet, para se adaptar ao seu público. Quem sabe essa simbiose rende frutos construtivos, oferecendo uma nova experiência ao telespectador?