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O meu primeiro smartphone “de verdade” foi um Nokia E71. Eu adorava aquele smartphone: simples, rápido, funcional, com ótima autonomia de bateria, e principalmente, um belo teclado QWERTY. A Nokia conseguia a façanha de fazer um teclado QWERTY para smartphones melhor que os teclados da BlackBerry, que foi quem efetivamente introduziu essa tendência no mercado mobile. Mas… será que ainda existe espaço para os teclados físicos em um momento onde os teclados virtuais estão tão melhores e mais funcionais?

Quando os primeiros smartphones com telas sensíveis ao toque apareceram no mercado, um dos principais pontos de rejeição foi justamente a falta de precisão dos teclados virtuais na época. Até mesmo o iPhone, que mudou os paradigmas dos smartphones, contava com essa deficiência, e mesmo contando hoje com um teclado bem melhor do que aquele lançado em 2007, ele ficou para trás, se comparado com outras soluções apresentadas pelo Android.

Eu mesmo fui um daqueles que demorou para migrar para os smarts com telas sensíveis ao toque justamente por causa dos teclados virtuais. Já estava habituado com a precisão dos teclados físicos, principalmente para uma rotina diária com as redes sociais, e-mails a serem redigidos com maior frequência, e conversações com comunicadores instantâneos. Não sei se foi por causa do paradigma criado pela BlackBerry (e acompanhado por outros fabricantes), ou se era pelo desejo latente de ter um smartphone dessa categoria. Mas só me convenci que os teclados virtuais poderiam me oferecer a mesma praticidade que os teclados físicos me entregavam em 2010.

E aí, eu fui para nunca mais voltar.

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Nem falo tanto do iPhone, que tem um teclado inteligente, mas limitado. Falo das demais soluções que foram criadas depois disso. No Android, o Swype é uma solução excelente para aqueles que querem utilizar o dispositivo com apenas uma das mãos, deslizando os dedos sobre as letras, formando as palavras. É uma solução que agora está efetivamente disponível para todos os usuários da plataforma do Google, uma vez que os seus criadores anunciaram o lançamento do aplicativo oficial do Swype para compra na Google Play Store. Mesmo essa não sendo a minha principal opção, considero o Swype uma grande evolução dentro do universo dos teclados virtuais. Um passo gigantesco para atrair outros usuários.

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O meu teclado virtual preferido é o Swiftkey, que também é pago, mas vale cada centavo. O software fica monitorando a sua rotina diária de digitação, e se adapta à ela de tal forma, que ele consegue “aprender” as palavras que você mais digita, e como você digita essas palavras. Isso aumenta a produtividade de tal forma, que você nunca mais quer olhar para um teclado físico. Outro detalhe importante: o seu aprendizado passa por aquilo que você digita nas redes sociais e e-mails. Ou seja, em algum momento, quando uma sequência se repete muito (como “Motorola RAZR D3”, por exemplo), ele já vai sugerir a palavra para você, automaticamente. Na sequência. Sensacional!

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Por fim, até a BlackBerry, que no passado se diferenciou pela excelência do teclado QWERTY físico, no BlackBerry Z10, apresentou uma solução bem interessante, que também conta com recursos de aprendizado da rotina diária do usuário, sugerindo palavras para a formação da sentença. Vai além disso: pode identificar os idiomas das palavras digitadas a partir da primeira palavra que você digitou. E tudo isso, com um simples movimento do polegar na tela (de baixo para cima).

Como você pode ver, alcançamos hoje um ponto de maturidade nos teclados virtuais que levanta a dúvida sobre o futuro dos teclados físicos nos smartphones. Mas ainda resta algumas alternativas para quem gosta dos teclados físicos tradicionais. A própria BlackBerry lançou o Q10, com QWERTY físico, e promete outros lançamentos com essa característica para os próximos meses. E para aqueles que não contam com tanta grana assim, a Nokia continua investindo nos lançamentos da linha Asha com teclados físicos. Pode não ser o smartphone dos seus sonhos, mas se você só quer se comunicar com as pessoas com a precisão desejada, pode ser uma alternativa.

Vejo tudo isso apenas como uma mudança dos tempos. Tudo nessa vida tem um ciclo a ser cumprido. Bom, no caso dos teclados físicos, eles tiveram uma importante missão: inserir uma nova geração de usuários no mundo da tecnologia móvel. No meu caso em particular, eles podem dar como “missão dada, missão cumprida”.