Parece que esse tempo finalmente chegou. As vendas de PCs caíram pela primeira vez nos últimos cinco anos, os notebooks já ultrapassaram os desktops em vendas, mas por sua vez, perdem cada vez mais espaço para os tablets. A dita “era pós-PC” está mais viva do que nunca, e suas vítimas começam a aparecer de forma evidente e, em alguns casos, surpreendente.

O grande rumor do dia de ontem (15) foi a nota da Bloomberg, que informava que fontes anônimas afirmavam que a Dell estava em negociação para ser adquirida por um grupo de capital privado. O motivo da venda é o mais óbvio do mundo para aqueles que acompanham o mercado de tecnologia diariamente: o menor volume de vendas dos desktops e notebooks nos últimos anos, e a insustentabilidade do negócio de PCs diante de um mundo que está mais mobile do que nunca. Se a venda se concretizar, pode ser uma das maiores da história da tecnologia moderna, sendo a maior venda de uma companhia dedicada aos PCs desde 2002, quando a HP comprou a Compaq.

Antes de qualquer coisa, é importante começar essa explanação afirmando que ainda estamos falando de rumores. Nada existe de concreto, e nem pode haver se a venda for real, pois estamos falando de um negócio de bilhões de dólares. Também é importante afirmar que a Dell não vai acabar com uma suposta venda. É uma marca mundial, com bons volumes de vendas (por enquanto), mesmo em um período de queda nesses números, mas que deve passar a ser gerido por um novo grupo de executivos, que pode (talvez) encerrar com segmento de PCs e seus derivados, para traçar novos destinos para a empresa. E, mesmo assim, se isso acontecer, só se concretizará em um um futuro relativamente distante.

Por outro lado, a Dell é apenas um exemplo de um grande fabricante de tecnologia que está sofrendo com um mundo onde as pessoas preferem comprar smartphones e tablets do que desktops e notebooks. Se observarmos a CES 2013 com maior critério, vamos perceber que os lançamentos na área de PCs não foram tão volumosos quanto nos anos anteriores (e um declínio já era registrado nos últimos anos), e nem mesmo a chegada do Windows 8 impulsionou as vendas e os lançamentos de novos computadores no mercado global. A incerteza e incredulidade sobre o novo sistema operacional da Microsoft fez com que os fabricantes no máximo atualizassem os seus modelos atuais para a nova versão, e as fabricantes que mais investiram em novos produtos com o Windows 8 foram a Lenovo e a HP. Mas, mesmo assim…

Para tornar a situação ainda mias crítica, os Ultrabooks, grande aposta da Intel para o segmento de computadores, não consegue engrenar, por causa dos preços elevados. A Intel acredita que pode oferecer Ultrabooks com preços inferiores a US$ 600 já no começo de 2014, mas para muitos fabricantes, pode ser tarde demais. Em uma comparação simples e direta (e sem precisar apelar para os tablets de US$ 199): um iPad 4G simples, só com Wi-Fi, custa US$ 399 nos Estados Unidos. E, nesse caso, tudo o que você faz de mais simples em um ultrabook você pode fazer em um tablet, sem maiores problemas. É claro que em mercados como o brasileiro essa relação custo/benefício pode variar, e um notebook básico pode ser mais vantajoso que um tablet. Mesmo assim, se levarmos em conta a maioria da população, que só quer um produto para acessar a internet e se divertir, o notebook pode ser um investimento não tão vantajoso assim.

Para quem trabalha com isso (é o meu caso), os notebooks e ultrabooks AINDA não vão morrer. São mais que necessários. Nenhum tablet oferecer a funcionalidade que um notebook com processador Intel Core i Series com 8 GB de RAM e 500 GB de HD me oferece hoje, e pelo visto, isso não vai mudar tão cedo. Mas para o usuário “consumidor de conteúdo”, que é a maioria hoje, e é quem dita as regras do mercado em termos de consumo de produtos, o PC deixou de ser o protagonista, e a proposta de poder ficar conectado o tempo todo, em qualquer lugar, e com um dispositivo que cabe no bolso ou na mochila é algo bem mais atraente do que ficar em um escritório enclausurado, escrevendo páginas e páginas de texto, ou programando durante longas madrugadas.

Eu acho que o PC não morre. Talvez venha a morrer para a grande maioria dos usuários. O desktop eu já disse que ficará relegado a objetivos e atividades específicas (servidores de dados, tarefas que exigem grande capacidade de processamento e jogos). Os notebooks serão utilizados pela maioria dos produtores de conteúdo (eu, inclusive). E os ultrabooks, se os preços não caírem com uma certa velocidade, podem morrer mais cedo do que imaginamos.

Fora isso… smartphones e tablets seguirão como os dispositivos dominantes. E as fabricantes, sabendo disso, que se preparem.