Vou dar uma de oportunista mesmo, na cara dura. Não quero nem saber. Esse blog precisa de ibope, então, vamos para o modo “mamilos”.

Estou acompanhando calmamente todas as notícias que giram em torno do lançamento do iPhone 5. Tão calmamente que sequer me incomodei em sair de Araçatuba para fazer a cobertura dos “eventos de lançamento” do smartphone nas operadoras ou nas lojas em shoppings de São Paulo. Afinal de contas, esses “eventos” nada mais são do que um bando de pessoas em uma fila, esperando a loja abrir para comprar o produto. E muito se comenta sobre o papel dessas pessoas na sociedade, ou como elas devem ser vistas diante dos olhos das demais pessoas.

Bom, vamos lá… ontem mesmo no Twitter eu desejei boa sorte para aqueles que vão comprar um smartphone que custa R$ 2.300, mas que faz a mesma coisa que o meu, que custou menos de R$ 1 mil (Motorola RAZR i, comprado na Black Friday… ah, antes que vocês me xinguem, eu tenho um iPhone 4, que comprei USADO por R$ 1 mil, e sou feliz com ele até hoje). E foi um boa sorte de coração, acreditem ou não. Torço mesmo para que as pessoas sejam felizes com suas aquisições, independente do preço.

Eu respeito o dinheiro de todo mundo, desde que ele seja ganho por meios lícitos. Honestamente, assim como eu ganho o meu dinheiro. Quanto ao valor desse dinheiro, cada um que se encarregue em dar esse valor, de acordo com o seu entendimento ou condições financeiras. Eu, por exemplo, sei o quanto custa o meu, e sei que tenho objetivos mais nobres e úteis para empregar uma grana em um único gadget. Mas se você ganha mais do que eu, e tem condições de embarcar em um investimento tão elevado, vá em frente.

Agora, vamos aos fatos.

O iPhone 5 a R$ 2.399 (16 GB, nas operadoras TIM e Oi) é um preço simplesmente ridículo. É um ótimo smartphone? Sim. Mas não vale isso. Minha opinião. Respeito quem comprou, mas acho uma das maiores futilidades do universo pagar essa quantia de dinheiro em um smartphone, que por melhor que seja, não é tão “mágico e revolucionário” como dizem. Hoje, não vejo a experiência de uso do iOS 6 à frente do Android 4.1 Jelly Bean. Em alguns aspectos, o sistema do Google está na frente. Isso, sem falar no alto poder de customização. Fora que, hoje, 95% (ou mais) dos aplicativos importantes que eu uso no iPhone eu já tenho instalado em meus dispositivos Android.

Essa regra vale para modelos como Samsung Galaxy S III e Samsung Galaxy Note II. São smartphones incríveis, mas não me disponho a pagar R$ 2.400 por esses modelos. Aliás, a maioria das pessoas não precisam de um smartphone top. Alguns compram pelo status de ter um produto que é mais caro que uma moto usada, ou que custa mais que uma viagem para Miami (ida e volta… e ainda sobra dinheiro para comprar o mesmo smartphone).

Eu me esforço para não julgar as pessoas nesse aspecto. Eu sei o que é gostar de uma tecnologia, e querer comprar o que há de mais top no mercado. Mas sou realista: sou pobre (classe média no conceito da Dilma, mas convenhamos: para quem comemora o aniversário em Paris com um jantar a R$ 800 por cabeça, ela NADA sabe sobre classe média), tenho que ser responsável pelas contas da minha casa, dar uma vida digna para minha esposa… logo, iPhone 5, Galaxy S III, Galaxy Note e outros modelos considerados top não são prioridades na minha vida.

Eu compro aquilo que eu posso. Pois dou valor ao meu dinheiro.

Na Black Friday desse ano, consegui duas boas ofertas. Um tablet Galaxy Tab 7.7 por R$ 899,00 (estava R$ 1.499,00), e o Motorola RAZR i, que paguei R$ 909,00 (preço normal e R$ 1.299,00). Ainda assim, vou passar um bom tempo pagando esse investimento. Tudo calculado em planilhas, para não estourar orçamentos, e não faltar nada aqui em casa. E estou muito feliz com os dois produtos.

Poderia comprar um iPhone 5? Sim, mas não acho o preço justo.

Apple, operadoras, lojistas… todos sabem que o iPhone (assim como boa parte das coisas que envolve a Apple) são grandes imãs para as pessoas. E nem falo só dos geeks de tecnologia. Aqueles que não sabem nem programar o DVR para gravar o futebol quando viajam no fim de semana, aqueles que pedem para o sobrinho criar as contas do Facebook, ou aquela que usa o computador para procurar receitas no site da Ana Maria Braga. Aqueles que buscam status, e que simplesmente não olham para os lados na hora de comprar um produto.

Criou-se no Brasil o hábito do “eu posso, eu pago”. Ninguém vai olhar para o detalhe que essas grandes corporações ganham dinheiro às custas do desejo incontrolável do consumismo das pessoas. Pode parecer um discurso comunista (e não é), mas o brasileiro, que agora está com um maior poder de compra, simplesmente passou a ignorar fatores como taxas de impostos, inflação e “custo Brasil”, e passaram a aceitar que as coisas são caras e que “nada vai mudar”.

E não vai mesmo, enquanto tiver centenas de pessoas fazendo filas para comprar um smartphone de R$ 2.400. Que, por sinal, faz EXATAMENTE O MESMO que o meu, que custou menos de R$ 1 mil.

A Apple agradece. E muito. A Apple percebeu que, mesmo com toda a carga tributária existente no Brasil, eles podem cobrar o que quiser sobre os seus produtos, cobrando bem a mais nos valores finais (mais ainda, se contarmos os modelos vendidos pelo site da Apple, que ainda não foram divulgados), e obtendo lucros “mágicos e revolucionários”. Se você realmente aceita pagar um smartphone que, lá fora, custa menos da metade desse valor, a Apple agradece por você existir.

Como podem ver, cada um faz com o dinheiro o que quer, e eu respeito o posicionamento de quem faz isso. Só não concordo. Criticar quem ficou na fila durante 20 horas para comprar um smartphone é algo inútil. Cada um pensa de uma forma, e não adianta perder tempo divergindo em teorias monetárias.

Mas… o mais importante? É que eu tenho minha consciência tranquila de que não estou pagando bem mais em um produto do que ele realmente vale. Que ele terá uma utilidade efetiva no meu dia a dia, e não será apenas um item de exibição social. E que o meu dinheiro será bem investido. Sim. Eu, que escrevo e trabalho com tecnologia todos os dias, vejo smartphones, gadgets, tablets, notebooks e até videogames como investimento, e não como um objeto de luxo ou vaidade pessoal. Até hoje, luto muito para poder viver razoavelmente bem através do meu trabalho. E sou feliz por isso.

Mas… vida que segue. Já comprou o seu iPhone 5 hoje?