Eu fiquei sabendo do que aconteceu. E fui preparado nos últimos dias para o que iria acontecer, mesmo não querendo acreditar que o fim seria esse. A essa hora, a Bolsa de Valores de São Paulo deveria entrar em colapso. Não porque algum político corrupto desviou verbas públicas para comprar votos de deputados, ou porque alguém inventou mais um plano político, cortando zeros e congelando salários. Mas porque o Brasil vai ficar sem a sua forma de explicar, com transparência e sagacidade, como tudo deveria funcionar na nossa economia.

Passei a me importar mais com o dinheiro suado que os meus pais ganhavam quando, em um belo dia, meu pai me fez ver você explicando porque um plano chamado Cruzado Novo era algo ridículo. Desde então, passei a prestar mais atenção na forma como você explicava ao mais burro dos brasileiros o que estava dando certo ou errado em nossa economia. Recomendou que tirasse o nosso dinheiro da poupança quando aquele presidente engomadinho especulou confiscar tudo (aliás, você sacou isso bem antes que todo mundo, durante um debate para as Eleições de 1989, lembra?). Previu que dava para comprar leite, pão, ovos e frango com apenas R$ 1 em 1994, e até falou que o Brasil tinha que baixar os juros o mais depressa possível, antes que os chineses tomassem conta de tudo.

Pouca gente te ouviu. Tolos.

Não só prestar a atenção em seus conselhos de economia, mas prestar a atenção na forma como você ilustrava esses conselhos. Sem a chatice dos economistas que achavam que sabia tudo do riscado, mas com bom humor, ironia e sagacidade. Talvez essas características sejam frutos de sua inteligência. Aliás, é bom ouvir “os Beting” (incluo o Erich e o Mauro nessa sentença).

No final das contas, até sobre esportes você comentou. Aliás, você começou como repórter esportivo. Pouca gente sabe, mas você só não seguiu como palpiteiro de futebol porque a torcida corinthiana quase te pegou na porrada, por seus comentários “quase nada” parciais, pró Palmeiras.

Pois é… o Brasil agora fica mais burro como nação. Ou será que não?

Será que eu devo acreditar que aqueles que te ouviram poderão se inspirar, nem que seja um pouquinho, para buscar um pouco do seu exemplo e seguir com sua própria trajetória? Eu espero que sim. Não fui um fã fervoroso seu, mas parava para ouvir o que você tinha a dizer na Bandeirantes, na BandNews, no BandSports, e até mesmo na Globo, quando eu era bem pequeno.

Joelmir… obrigado pelas moedas que eu economizo até hoje. Obrigado por me mostrar como é importante ter uma disciplina financeira. Obrigado por pelo menos tentar tornar acessível para o mais humilde dos brasileiros as besteiras que os “gênios” da economia brasileira faziam ao longo dos anos. Obrigado por tornar a complexa máquina da economia brasileira algo mais simples.

Agora, só resta ao brasileiro economizar. Poupar, dividir, subtrair. Apenas com a ajuda da calculadora, e nada mais.