Nessa semana, o Brasil viveu momentos que entraram para a história. Não falo de nenhum grande lançamento no mundo da tecnologia, ou de nenhuma conquista no mundo esportivo. Falo do início da correção de tudo o que está errado na nossa política. Antes de qualquer coisa, não escrevo esse post para defender esse ou aquele partido. Faz muito tempo que eu me considero “apartidário”. Estou a favor do Brasil. Quero que o Brasil deixe de ser a eterna promessa do “País do Futuro”, e que esse futuro seja uma realidade de ordem e progresso.

Mas o fato é que, pelo menos no entendimento dos juízes do Supremo Tribunal Federal, os principais envolvidos no escândalo conhecido popularmente como “Mensalão”, foram considerados culpados pelo crime de corrupção. Sim, amigos, corrupção. Quando tentam violar a ordem natural das coisas, e oferecem vantagens financeiras e materiais para que alguém lhe ceda outras vantagens, de modo que outros sejam prejudicados com isso. Violando as regras. Usando a máquina administrativa. Usando o dinheiro do povo. O meu dinheiro. O seu dinheiro. Para enriquecer quem já está podre de rico.

De um modo geral, as pessoas entendem que foi feita justiça. Que os culpados mereceram ser punidos, e alguns deles vão para a cadeia pela soma de penas (quero dizer, se for confirmado que o STF virou mesmo um lugar de gente séria). Porém, algumas pessoas envolvidas no processo não concordam com isso. Culpam a “elite dominante” e a mídia por criar factoides e acontecimentos fantasiosos. Em outras palavras, afirmam categoricamente que “o Mensalão não existiu”. Mesmo que o principal partido envolvido no escândalo, que em 2002 estava com as finanças quebradas, simplesmente triplicou os seu caixa entre 2003 e 2005. Mais: emprestando dinheiro para todo mundo, e sem declarar contas de nada disso.

Mas tudo bem. Vamos deixar isso pra lá, não é mesmo? (estou sendo irônico, ok?)

Quero deixar claro que entendo aqueles que se decepcionaram com tudo o que foi revelado nos últimos anos sobre o caso. É realmente dolorido você acreditar em um ideal, levantar uma bandeira, para no final das contas, perceber que aquele ideal nunca existiu, e que a tal “filosofia” daquele grupo era a mesma dos outros. Sim, digo os outros porque, sejamos honestos: não existe o lado “bom” nessa história. Não existe o bonzinho. Essa tal pluralidade partidária incomoda, porque temos um monte de laranjas podres espalhadas, contaminando não mais o cesto, mas a feira toda. E isso precisa mudar. Quem sabe o julgamento do Mensalão não seja apenas o começo? Eu quero acreditar que sim.

Mas uma coisa que me chamou a atenção nessa semana foi a frase a seguir:

“Estou com a minha consciência tranquila, como a dos inocentes”.

É mesmo, cara pálida? Não vou citar o seu nome, pois você é um daqueles “que não podem ser nomeados”, mas… é mesmo? Você realmente acredita que você é TOTALMENTE INOCENTE, com tantas evidências e denúncias que comprovam exatamente o contrário?

Quem está com a consciência tranquila não diz que a imprensa é “um bando de urubus”. Ok, tem jornalista que não presta mesmo (aliás, “profissional” tranqueira existe em todos os segmentos, não é um “privilégio” dessa ou daquela profissão), mas a imprensa fez o seu papel. Investigou, denunciou, ouviu todas as partes envolvidas, e principalmente: mostrou os fatos. Na boa, dizer que é inocente nesse caso é acreditar que várias coincidências existem, que você pode ganhar na loteria 100 vezes seguidas (como já teve político dizendo isso no passado), ou acreditar que o Rubinho Barrichello é um dos 10 melhores pilotos da história da F1. Oras, todo mundo sabe que todas essas afirmações são mentirosas ao extremo!

Então… eu fico na dúvida. O que é a “consciência dos inocentes”? Eu conheço “O Silêncio dos Inocentes”, que por sinal é um ótimo filme. Quem realmente é inocente de algo luta pela sua defesa CALADO, e se prova certo com o passar do tempo. Nem isso você conseguiu. Esse negócio, o Mensalão, se arrastou por mais de cinco anos, e você não foi competente para se provar inocente. Ou melhor, não tinha como, porque era culpado.

E aquele seu amigo? O “ninja”, que nem a mulher sabia quem era ele? Aquele lá parece que vai jogar M… no ventilador a qualquer momento. Olha, se sou um certo cara que mora em São Bernardo do Campo, começava a me preparar. Pode sobrar para ele a qualquer momento.

De qualquer forma, eu quero mesmo saber o que é ser “inocente” no Brasil. Você, que bateu no peito por anos, dizendo que fazia e acontecia, e no final teve que se retirar como um covarde? Ou aqueles que ainda acreditam no ideal vendido lá no passado, e que de forma quase tola defende você e o seu amigo “ninja” aos quatro ventos?

Eu fico com a segunda opção, mas com ressalvas. Não creio que, depois de tudo isso, alguém ainda acredita que certas coisas simplesmente não existiram. De qualquer forma, não posso julgá-los. Afinal de contas, cada um acredita naquilo que quer, não é mesmo?