A Apple mais uma vez entrou em modo “tapa na cara da sociedade”, quando apresentou o seu relatório financeiro para o último trimestre de 2012 (ou primeiro trimestre fiscal da empresa em 2013, uma vez que a mesma encerra o seu ano fiscal no mês de setembro de cada ano). Bom, fato é que, até eu, que sou um pouquinho mais burrinho, gostaria de estar em crise com uma venda trimestral de mais de US$ 54 bilhões. Mas esse ainda não é o ponto mais importante. É bom lembrar que eu coloquei um “por enquanto” no título, e não foi de graça.

A Apple arrecadou mais em relação ao mesmo período de 2012 (ano fiscal). No ano passado, nesse mesmo último trimestre, foram US$ 43.3 bilhões arrecadados nas vendas de produtos. O problema aqui está no aumento de lucro obtido pela empresa. No ano passado, eles lucraram US$ 13.060 bilhões no trimestre, enquanto que nesse ano, os lucros registrados foram de US$ 13.100 bilhões. Ganhar US$ 13 bilhões de dólares em apenas 3 meses é muita grana (mas, atenção: não dá pra fazer uma projeção anual baseada apenas nesse trimestre, pois os demais meses do ano não possuem a mesma força de vendas que o período do Natal), mas a diferença de um ano para outro foi praticamente zero. Mais um pouco, a empresa está gastando mais do que está lucrando. OU seja… mais um pouco, e começa a ser prejuízo. E é aí que a Apple tem que ligar o sinal amarelo.

No quesito vendas de produtos, aí sim, a Apple deu uma bela banana ao Wall Street Journal, que afirmou na semana passada que a empresa estava vendendo menos iPhones que o esperado. Na verdade, tanto a venda de iPhones como iPads tiveram um forte crescimento em relação ao mesmo período do ano passado, mesmo com previsões menores que o esperado pelos analistas de mercado (que cada vez mais eu penso que eles sabem menos). Foram 47.8 milhões de iPhones vendidos no último trimestre (contra os tais 52 previstos pelos espertalhões, e 37 milhões do mesmo período do último ano fiscal), e 22.9 milhões de iPads vendidos no mesmo período (contra 15.4 milhões de unidades no ano passado).

Aliás, era precipitado implantar uma crise financeira da Apple (suposta, diga-se de passagem) se baseado justamente no período mais favorável possível para os produtos de Cupertino. Final de ano, vendas de Natal, iPhone 5 recém lançado… tudo ajudava para que o último trimestre de 2012 (primeiro trimestre fiscal da empresa) fosse forte em termos de vendas e lucros. Não que a concorrência não tivesse feito nada, mas vamos analisar: o Galaxy S3 já tem um bom tempo de mercado, logo, sua curva de mercado já está na descendente (a prova disso é que o Galaxy S4 está para chegar). A LG registrou ótimas vendas do Optimus G, mas em mercados localizados (Ásia), a Sony só lançou os seus modelos top de linha em janeiro, na CES 2013, e o Nexus 4, que poderia ser o grande adversário do iPhone 5 nesse final do ano não é encontrado no mercado.

Ou seja, a Apple não está em crise nem decadente. Tim Cook ainda pode tripudiar dos adversários por, pelo menos, mais um trimestre. Se podemos apostar em uma mudança desse cenário, isso só vai acontecer a partir desse trimestre que nós estamos, e de forma mais acentuada, no segundo trimestre de 2013. Até lá, é fato que outros fabricantes (principalmente a Samsung) já terão lançado modelos com especificações potentes, design atraentes e outras especificações que podem efetivamente roubar um pouco do mercado do iPhone. No caso dos tablets, tudo indica que, mesmo com as propostas mais baratas e igualmente competitivas em termos de performance, o iPad ainda será o modelo dominante por um tempo mias longo. Afinal de contas, se compararmos com os números de vendas do terceiro trimestre de 2012, a Apple quase que duplicou o volume de vendas do seu tablet, o que indica que não só o iPad tradicional está vendendo bem, mas que o iPad Mini também foi bem recebido pelo consumidor da empresa.

Mas é bom a Apple ficar de olho. Nos últimos anos, poderíamos dizer que ela é a empresa dominante e pronto. Dessa vez, só podemos afirmar que ela é a líder de mercado… por enquanto.