Nem vou colocar uma foto nesse post, até para não confundir um futuro visitante. Vai de texto mesmo direto. Até porque nem precisa de foto: é o mesmo iPad de quarta geração que você já conhece, com 9.7 polegadas de tela, Retina Display e iOS 6.1 (que foi lançado nessa semana). A grande diferença desse novo tablet você não pode ver: os 128 GB de armazenamento.

Ontem eu falei sobre os rumores desse lançamento aqui no blog, com um certo ar de incredulidade, acreditando que a Apple não faria isso. Mas a Apple gosta de me surpreender. E fez isso. E não em março ou abril, como era imaginado. Fez isso hoje, 29 de janeiro de 2013. Bem antes do esperado, e meses antes de um suposto novo tablet (um iPad 5 talvez, já que fotos da carcaça do suposto novo tablet apareceram hoje na web). O novo iPad com 128 GB de armazenamento não é um produto popular: foi feito para quem tem grana para gastar, e pensado em quem quer utilizar o produto em um uso mais profissional, principalmente na parte de vídeos. E o seu preço reflete isso: US$ 799 (Wi-Fi) e US$ 929 (Wi-Fi + 4G).

Mantenho a minha opinião que escrevi ontem. O produto é até uma boa para quem quer substituir o notebook pelo iPad, ou para profissionais que trabalham com softwares com grande volume de dados. Porém, será que a Apple vai encontrar grande nicho de vendas nesse segmento? Afinal de contas, lá fora, esse novo iPad custa quase a mesma coisa que um MacBook Air. E, em termos de produtividade, a não ser que o usuário realmente queira fazer a troca em definitivo do Mac OS X pelo iOS. Ou seja um gamer ou consumidor de conteúdos multimídia de forma convicta, e queira armazenar o máximo de jogos possível, ou não mais se preocupar com os recursos gráficos dos seus títulos (o que é besteira, já que a memória gráfica não sofreu alterações).

Resumindo: ou você ganha dinheiro com esse novo iPad, ou você é maluco em cobiçá-lo.

Acredito que esse movimento da Apple comprova que a teoria de um iPhone “popular”, mais barato e com materiais mais simples não está nos planos de Tim Cook. Não vejo a empresa com essa tendência, e começo a achar que isso pode ser perigoso a longo prazo. Tudo indica que a empresa de Cupertino (principalmente os seus executivos) não entendem que o próprio mercado de tecnologia está em um claro momento de mudança, com os consumidores mudando os seus hábitos e tendências de consumo de tecnologia, e principalmente: que hoje existem alternativas tão eficientes quanto aquelas oferecidas pela Apple, e com um valor consideravelmente mais barato.

Não estou dizendo para a Apple lançar o iPad ou iPhone popular, mas repensar o seu conceito do “vamos dobrar a capacidade de armazenamento, aumentar a resolução de tela, manter o mesmo preço, que está tudo bem”. Isso não basta mais. Os usuários esperam da Apple a inovação, o diferencial para comprar o novo produto, e não apenas um upgrade de hardware para fazer o usuário gastar, de novo, o mesmo valor do produto comprado no ano passado ou retrasado. Se traçarmos um paralelo com a Samsung, ela ao menos tenta formatos diferentes, melhorias na interface do usuário, aproveitar as inovações das novas versões do Android com novos recursos nativos… ao menos eles tentam alguma coisa.

O que parece é que a Apple faz o upgrade pelo upgrade. Você tem mais do mesmo, e nada mais. Nada que possa ser um diferencial relevante ou interessante, que efetivamente justifique a troca. Oras, se o meu smartphone faz hoje o que o novo faz, eu vou manter o mesmo que está me servindo muito bem. Não preciso de um smartphone mais rápido ainda, sendo que a velocidade do meu modelo atual me satisfaz muito bem.

Com o lançamento de hoje, acredito que os rumores sobre um iPad 5 não são mais tão infundados. Tudo indica que esse novo tablet vai chegar entre março e maio, deixando mais uma vez alguns usuários enfurecidos pela fragmentação do produto e desvalorização do modelo comprado no final do ano passado. Também acredito que estaremos diante de uma proposta mais próxima do iPad Mini, principalmente na espessura, mas na sua essência, algo que se assemelhe ao iPhone 5 no seu design. Mas não será surpresa se ele chegar. O que denotaria mais uma clara demonstração de Tim Cook em não estagnar os lucros da Apple.

Só eu vejo um Tim Cook meio desesperado? Ou são as evidências que estão depondo contra?