Dead-Consoles

Calma, sonystas, caixistas e nintendistas. Não é o fim do mundo para os consoles domésticos. Só significa que cada vez mais eles vão deixar de ser amados pelos desenvolvedores, e que precisam COM URGÊNCIA reinventar o seu modelo de negócios. A era da galinha dos ovos de ouro, onde poderiam se gabar que a indústria do videogame lucrava mais que a indústria do cinema está prestes a acabar. O momento é dos dispositivos móveis e dos jogos mobile. É lá que o dinheiro vai se concentrar, pois é lá que o gamer vai começar a gastar com  mais frequência.

Os games para as plataformas móveis estão em uma evidência inédita na história da tecnologia. Com tantas tentativas fracassadas de reproduzirem o sucesso do Game Boy (que considero o maior console mobile da história), usuários e desenvolvedores descobriram nos smartphones e tablets um terreno fértil para explorar novas possibilidades no mundo do entretenimento. Afinal de contas, as pessoas não querem mais ficar em casa para nada. Querem se socializar, mas ao mesmo tempo, checar os seus e-mails e redes sociais. Querem ir na casa dos amigos apenas para mostrar o novo jogo que baixou no smartphone. Logo, é um marcado emergente e potencialmente lucrativo.

E podemos provar isso com números. Segundo uma pesquisa realizada na Game Developers Conference 2013, os desenvolvedores de jogos estão cada vez menos criando para os consoles e PCs, e voltando sua atenção para as plataformas móveis. A pesquisa entrevistou mais de 2.500 desenvolvedores norte-americanos presentes no evento, e revelou que os smartphones e tablets são as plataformas mais populares no meio.

55% dos entrevistados afirmaram que estavam trabalhando em jogos para dispositivos móveis, enquanto que 58% disseram que planejam lançar o seu próximo jogo primeiro para o mundo mobile. PCs e Macs foram as plataformas que ficaram em segundo lugar (49%), enquanto que os consoles ficaram relegado ao último lugar, e ainda assim divididos nas diferentes marcas do mercado atual: 13% se interessam no Xbox 360, 13% se interessam no PlayStation 3, e apenas 4.6% querem trabalhar em jogos para o Nintendo Wii U. Os consoles portáteis? Esqueça: apenas 2% dos desenvolvedores pensam neles.

Alguns motivos para esse novo comportamento dos desenvolvedores são facilmente explicáveis. O primeiro eu já disse um pouco acima no texto: onde está o dinheiro?

O mundo mobile é um dos segmentos que mais lucram dentro do universo de tecnologia, pela valorização dos dispositivos, e porque todo mundo hoje quer (ou tem) um smartphone ou tablet. Por consequência, todo mundo quer também usar esses dispositivos para se divertir, principalmente com jogos. Logo, se você quer ter uma garantia que o seu aplicativo será comprado, vá para as plataformas móveis agora.

O segundo motivo é o custo de produção e de venda dos jogos para dispositivos móveis. É bem menos custoso você desenvolver um jogo para o iPad ou Android do que um game para o PlayStation 3 ou Xbox 360. Por consequência, esse jogo para as plataformas móveis vai ser bem mais barato do que para os consoles, e as chances do usuário pagar por esse jogo aumentam consideravelmente. Exemplos clássicos disso? Angry Birds e Cut the Rope, que entregam para seus respectivos desenvolvedores (Rovio e Zeptolab) toneladas de dinheiro todos os meses. A Rovio mesmo se deu ao luxo de lançar a série Angry Birds para o Xbox 360 bem depois de dominarem o mundo mobile, se dando ao luxo de correr o risco de perder dinheiro nessa aposta.

Sem falar que o desenvolvimento de um jogo para um console de última geração requer uma grande equipe de desenvolvedores, e um apoio financeiro significativo. Se você não for a EA, a Capcom ou outro grande estúdio (que enche o jogo de parceiros comerciais e patrocinadores), você dificilmente vai a algum lugar. É claro que você pode dar a sorte grande de fazer com que o seu Minercraft da vida vire um sucesso instantâneo, mas essa é a exceção da regra.

O que resta ao mercado de consoles? Se reinventar.

Reduzir custos, tornar os jogos mais acessíveis, oferecer alternativas conectadas, como jogos via download ou por streaming… qualquer coisa que torne os jogos mais atraentes, tanto no lado técnico quanto no financeiro. No final, tudo se resume a “quanto isso vai me custar?”. Afinal de contas, tirando os gamers mais convictos (ou hardcores), a galera quer apenas se divertir, e a forma mais prática de conseguir isso é tirando o seu smartphone do bolso. Fora que não dá para comparar a ideia de você pagar R$ 200 em um jogo de videogame, quando o seu tablet ou smartphone dá a mesma diversão (para a maioria dos gamers) por R$ 10 por jogo.