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O Halloween se tornou popular porque a indústria de entretenimento dos Estados Unidos celebrou os filmes de terror, com toques bem humorados ou não. Hoje, crianças se fantasiam de zumbis, fantasmas ou corinthianos com o objetivo de buscar doces ou fazer travessuras.

Mas… uma pergunta: é possível criar uma mochila caça-fantasmas com a tecnologia que temos hoje?

Os Caça-Fantasmas usaram uma arma especializada com um mecanismo disparador integrado em uma mochila, que disparavam raios que atraíam fantasmas, que por sua vez eram atraídos para armadilhas, ou unidades de armazenamento e transporte.

Na ficção, tudo é lindo. Mas… o quanto de ciência existe nisso?

 

 

Uma questão de energias positivas e negativas

 

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Pontualmente, a arma utilizada pelos Caça-Fantasmas é um colisionador de posítrons altamente energético. O raio permitia conter os espectros, que são definidos de forma indireta como entidades carregadas negativamente.

Ou seja, “falamos” (sempre entre aspas) de física de partículas sub-atômicas. De cara, temos um sistema que é capaz de chocar posítrons com muita energia, gerando um raio com carga positiva, que, como se fosse um imã, atrai o fantasma, que tem carga negativa (elétrons?), conduzindo o mesmo para a armadilha.

Porém, os posítrons virariam prótons. Em Os Caça-Fantasmas II, é feita uma referêcia à pistolas de protons e, ainda que nos esqueçamos de qualquer outra consideração física, vamos dar um desconto, dado que os prótons contam com carga positiva.

No filme estreado em 2016, isso muda um pouco. A mudança veio das mãos do Dr. James Maxwell, físico de partículas do MIT, que revela que o primeiro modelo da mochila contava com o ciclotron com dois eletrodos, que fazia girar as partículas em espiral e em grande velocidade. Mas no último filme há um sincrotron que cria um campo magnético em forma de anel.

 

Mas… afinal de contas, é possível criar uma mochila caça-fantasmas funcional?

 

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Os criadores do último filme recorreram à Maxell com fins de assessoria, para trabalhar no disparador de prótons da forma mais científica possível.

O cientista trabalhou com eles, criando um sistema com fundamentos científicos, modificando a mochila inicial com o sistema de imãs que criaria a aceleração de partículas, com um sistema de refrigeração na base.

O fundamento é similar ao do LHC, mas um acelerador de partículas não tem nada a ver com esse aqui. Mesmo assim, na prática, o necessário para criar um sistema como o da mochila não é possível nas dimensões de uma mochila.

Além disso, apesar do sistema se explicar em partes, o que não tem respaldo tecnológico ou científico é a criação do feixe de prótons ou das consequências quando eles são combinados (uma explosão nuclear de acordo com o filme, mas que rapidamente vira um portal interdimensional).

Numericamente falando, a potência máxima dos raios dos equipamentos dos filmes é de 500 mil MHz. Aqui, se confundem unidades de frequência usadas para potência (watts) com a invenção de unidades e energias (como a psicocinética) para dar um toque mais científico ao filme.

 

 

Mais ficção que ciência

 

Logo, as mochilas contam com certa base científica, e no último filme temos algo mais consistente. Mas os elementos do equipamento não tornam possível uma criação nessa escala com a tecnologia atual, sem falar que não abordamos o tema da produção e saída do raio, levando em conta as ondulações que não se encaixam com a colimação dos feixes de partículas dos aceleradores modernos.

Vamos ter que esperar um tempão para ter uma mochila como essa. Mesmo assim, provavelmente será algo bem perigoso para ser usado por qualquer pessoa.

Sem falar que precisamos crer que fantasmas carregados negativamente existem de verdade.