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Alguns brasileiros (não são todos, por isso não é o caso de generalizar) eu simplesmente classifico na categoria de escrotos. Ou babacas. Ou mãos-de-vaca. Eu poderia chamá-los simplesmente de “menos favorecidos financeiramente”, mas esses são os brasileiros que trabalham duro para colocar comida na mesa para esposa e filhos. A maioria dos brasileiros não conseguem dinheiro nem para ter a “internet popular”, porque existem coisas mais urgentes. Que dirá o Netflix. E não reclamam por isso. Trabalham, e muito. Logo, posso chamar os alguns brasileiros escrotos de “pobres de espírito”. Sim, porque tem que ter muita pobreza de espírito para reclamar de R$ 2 a mais na mensalidade do Netflix.

O assunto de ontem (02) nas interwebs da vida foi o anúncio repentino do Netflix, que a partir desse mês de abril, vai aumentar a mensalidade do seu serviço, saindo do preço de R$ 14,99/mês para R$ 16,90/mês. O aumento entra em vigor para os novos usuários imediatamente, mas para aqueles que começaram a assinar o serviço no início de suas atividades no Brasil (final de 2011), o novo preço só começa a valer a partir de agosto de 2013. Segundo o Netflix (que não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, e dá essa justificativa no e-mail enviado pelos usuários), eles triplicaram o seu acervo no Brasil desde a sua estreia, e ampliaram as opções de consumo de seus conteúdos em diferentes plataformas. Não que isso seja uma justificativa, mas é a explicação que eles deram.

Muito bem… R$ 16,90 – R$ 14,99 = R$ 1,91. Arredondei para R$ 2, para facilitar a nossa vida, e não ficar colocando caracteres a mais no texto.

Tudo bem, eu respeito o dinheiro de todo mundo, cada um faz com o seu dinheiro o que quiser. Só acho que as pessoas precisam parar de fazer drama por questões imbecis. Ainda mais quando o que está em questão é o valor do aumento.

Para começar, ninguém é obrigado a assinar o Netflix. Assina porque quer. Se assinou, sabe que o serviço pode ser reajustado A QUALQUER MOMENTO (algo que está claramente descrito nos termos de uso do serviço). Tal como a TV a cabo de R$ 100, R$ 200 que você paga todo mês (para muitas veze ser obrigado a ver um programa no horário que eles impõem, recebendo quedas de sinal, um atendimento de merda, com um monte de canais que você não assiste, e com um atendimento lixo). E apenas para registro: esse aumento poderia ter sido aplicado antes, uma vez que ao menos o IGP-M, que é calculado pela média da inflação de 12 meses, são passíveis de cobrança. E, por muito pouco, essa taxa não alcança os tais R$ 2 desde o ano passado.

Mas calma. Ainda tem mais do que você deve se envergonhar.

Vale lembrar que, desde o meio do ano passado, a Netflix passou a pagar para a Ancine (Agência Nacional do Cinema), aquela mesma da tal PL 116 (e, por causa dele, você tem “de graça” na programação da TV a cabo filmes como “Carlota Joaquina” toda semana nos canais do grupo Sony, ou até mesmo filmes da Xuxa na Warner, ocupando o horário daquela sua série preferida… e você não ficou de #mimimi no Twitter por causa disso… e continua pagando TV por assinatura que nem um otário), pelo menos R$ 3 mil por cada filme que disponibiliza por streaming (hoje, são mais de 1.800 títulos), além de R$ 750 por cada episódio de série (são mais de 400 séries registradas hoje). Valor esse que, até então, não tinha sido repassado para os assinantes. Se foi, só foi repassado agora. E ainda assim, no formato de R$ 2.

Ainda não terminei. Vou dar mais pontos para quem acha que o mundo acabou com o aumento de R$ 2 enfiar a cabeça na terra.

Desde que chegou ao Brasil, a Netflix adicionou novas produções, deixou as temporadas de algumas séries disponíveis apenas uma temporada atrás daquelas que estão em exibição, ampliou as opções de consumo dos seus serviços (plataformas onde você pode consumir o Netflix), disponibilizou a excepcional House of Cards junto com os Estados Unidos, vai oferecer a nova temporada de The Killing no mesmo tempo que ela chegar na Netflix dos Estados Unidos, entre outros benefícios. Ok, você vem com o argumento “mas eles não oferecem filmes e séries novas, que acabaram de sair lá fora…”. Amigo, você é burro? Não é culpa deles que existe uma coisa nesse mundo chamada CONTRATO, e que os direitos de distribuição de conteúdo mudam de país para país (ou mudam em diferentes regiões).

Mas… como tais argumentos não são suficientes… vamos para aquele que liquida tudo.

São apenas R$ 2!

Sério: você compra um smartphone de R$ 2.500 (sim, aquele que você está pensando), paga um pau do cacete para aquela empresa que você está pensando, paga um pacote de TV a cabo que custa R$ 200 (ok, para gravar a programação quando você não está em casa, e ter todos os canais de esportes), paga PELO MENOS uns R$ 80 a cada ida no cinema (porque você não vai sozinho, gasta com combustível e sempre compra pelo menos pipoca e refrigerante)… e está reclamando de um aumento de R$ 2 do Netflix?

Vai te catar!

Cresça e apareça! Para você, que não se dá nem ao valor de ter dignidade financeira para reclamar do aumento depois dos argumentos apresentados, o que são R$ 2 na sua vida, mané? Tá chorando por mixaria! Toma vergonha na tua cara! Tem cobrança na sua fatura de cartão de crédito, que você paga e nem sabe, que custam mais de R$ 2! Não gostou do aumento? Beleza: cancela o serviço. Agora não fica de frescurite aguda dizendo que “o mundo acabou” ou algo do gênero só porque você é mão de vaca para não pagar R$ 2 a mais em um serviço que te servia quando era R$ 2 a menos!

Não ganhei nenhum centavo para fazer esse post. Vou continuar pagando o Netflix porque ele me atende, e bem. E, de novo, cada um faz com o seu dinheiro o que quiser. Agora, minha opinião: que as pessoas procurem causas mais justas para reclamarem. A internet está virando um amontoado de pessoas que iniciam protestos e petições pelas causas mais esdrúxulas, reclamando das menores coisas. Quer reclamar? Escreve um post sobre como algumas das operadoras de TV por assinatura no Brasil tratam os assinantes como lixo, sobre a política de receber canais que não queremos, sobre a baixa qualidade de imagem de algumas operadoras (é com você mesmo, SKY), sobre as práticas abusivas para arrancarem mais dinheiro dos assinantes de forma ilegal… isso tudo é muito pior que um aumento de R$ 2, que não vai mudar em absolutamente nada na vida de ninguém.

Ah, e um conselho final. Não gostou? Nem perde o seu tempo me xingando. Se ao menos os seus palavrões valessem R$ 2 para mim… mas nem isso valem.