tizen-os

Eu não duvido de mais nada, principalmente no mundo da tecnologia móvel. Muitos varejistas e operadoras de telefonia ao redor do mundo estão confusas, e estranham o fato da Samsung não se importar tanto com o Windows Phone. Só anunciaram um único smartphone nos últimos meses (Ativ S, com Windows Phone 8), e na Europa, esse modelo já não é mais encontrado nas lojas. Nos Estados Unidos, o lançamento é considerado um completo desastre, sem nenhum marketing, e sequer aparecendo na lista dos 20 smartphones mais procurados pelos usuários da operadora Verizon, onde ele é exclusivo.

Então… que se pasa, Samsung? Tá com bronca da Microsoft? É isso?

Primeiro, eles não se esforçam em vender os lançamentos com Windows Phone 8. Depois, executivos da fabricante sul-coreana malham publicamente o Windows 8, culpando o sistema operacional pela queda nas vendas de produtos. Na sequência, anuncia que vai investir em aparelhos top de linha com o sistema operacional Tizen… bom, vamos analisar esse terceiro item com maior atenção.

A Samsung planeja lançar os primeiros dispositivos com o Tizen no começo do segundo semestre de 2013. Quem confirmou isso ou o próprio vice-presidente da empresa, Lee Young Hee. O motivo da tentativa dos coreanos em um sistema alternativo não é apenas o depreciamento do Windows Phone. Existe um motivo ainda mais forte: o Google.

A gigante de Redmond quer “brecar” o domínio da Samsung no mercado mobile com Android, e os coreanos perceberam isso. Logo, decidiram responder com um “não precisamos do Android para dominar o mercado”, e vão partir para uma alternativa onde eles possuem um maior controle operacional. Se vai dar certo? Eu não faço a mais vaga ideia (e particularmente, a curto prazo, acho que não – a não ser que eles apresentem algo de outro planeta com o Tizen, mudando assim o paradigma da telefonia móvel), mas a leitura a ser feita dessas decisões é exatamente essa.

Alguns analistas acreditam até que o Ativ S nada mais é do que um simples experimento da Samsung, para que no segundo semestre venha o prato principal, que seria o tal smartphone de linha alta com o Tizen. Além disso, a própria Samsung vê que a Microsoft “efetivou” (finalmente) a Nokia como principal parceira no projeto do Windows Phone, além de reforçar suas parcerias com a ZTE e Huawei. Também não podemos ignorar o fato que o Windows Phone ainda não decolou, e lançamentos com o sistema de diversos fabricantes não conseguem ser sucesso de vendas. E a Samsung pode muito bem estar vendo esse como o melhor momento de abandonar o barco.

O risco maior que a Microsoft está tomando nesse momento é escolher a Nokia como “tábua de salvação”. Se der certo, as duas conseguem sobreviver no mercado, roubando alguma cota de mercado pertencente hoje ao Android e iOS. Se der errado, as duas empresas afundam juntas, e nesse caso, quem tem mais a perder é a Nokia, que pode simplesmente encerrar suas atividades no mercado mobile, dependendo do tamanho do buraco que eles se enfiarem.

É cedo para dizer, mas os primeiros dois meses de vendas de 2013 mostram que a Nokia precisa mesmo ficar esperta. As vendas dos novos modelos Lumia foram decepcionantes, assim como foram as vendas do novo BlackBerry Z10 (que não tem nada a ver com esse post, mas como é um lançamento recente, merece ser citado, a título de comparação). Ao mesmo tempo, a cota de mercado do Android ao redor do planeta só cresce. Em um cronograma de projeção, com um smartphone da Samsung com o sistema Tizen chegando ao mercado no final de agosto, período de volta as aulas no hemisfério norte, podemos ter um novo cenário mobile onde os sistemas menores podem se prejudicar e se destruir. Tudo vai depender dos avanços que a Samsung vai adicionar ao Tizen. Sabemos que eles conseguem criar recursos interessantes com o Android (que, por sinal, quase não foi citado na apresentação do Galaxy S IV, é bom lembrar). Vamos ver se eles conseguem fazer o mesmo com o Tizen.

O único fator que pode mudar esse cenário é se o Windows Phone e o BlackBerry 10 tiverem um crescimento de vendas considerável até o meio do ano, forçando assim a Samsung a repensar os seus planos. Não está muito claro se as operadoras vão mesmo querer apoiar os sistemas menores, e quais serão escolhidos. De qualquer forma, o terceiro trimestre de 2013 promete momentos de tensão para fabricantes, e pode definir o futuro dos sistemas operacionais móveis, como jamais foi visto na história da mobilidade.