No último sábado (08/10), fui com minha esposa assistir “O Homem do Futuro”, mais um filme do cinema nacional que estava com boas expectativas para ver. E não me decepcionei com o que vi.

Apesar de não ser muito adepto às comédias românticas, o filme me chamou a atenção pela proposta de mostrar a importância do tempo vivido em nossas vidas. Mais do que ser uma proposta de ser um filme de ficção científica, onde o protagonista Zero (Wagner Moura) viaja no tempo por acidente (mesmo porque já vi isso na série de filmes De Volta Para o Futuro), mas pela mensagem que o filme passa, que o importante é viver a vida como ela deve ser vivida. Tá, todos nós já pensamos naquela situação de “se eu pudesse, eu mudaria o passado”. Eu também já pensei nisso. E, como em vários exemplos já vistos no cinema e na vida, vemos como isso pode dar errado ao longo do filme.

Além disso, o filme indica aquela mensagem de “viver com medo, é como não viver” (que também já vimos em outros filmes). E que também é verdade. Aqueles que tem medo na vida de inovar, de pensar diferente, de arriscar, não vivem. No caso do nosso amigo Zero (que era um “zero” a esquerda), ser um cara introvertido, gago, que não tinha coragem de pegar a garota que ele sempre sonhou, Helena (Aline Moraes), e que foi humilhado no passado, tornou o mesmo uma alma amargurada no futuro. A chance de consertar o passado e tornar tudo diferente era tentadora, porém, se tornou um verdadeiro desastre, tal como Homer Simpson “matando acidentalmente” uma borboleta da era dos dinossauros.

O filme tem uma estética boa, uma história interessante e uma linha de viagem no tempo bem amarrada (diferente de Lost, que foi um samba do crioulo/afro-descendente doido… admita, você sabe disso….), onde os acontecimentos presentes, passados e futuros foram bem conectados. O filme também vai bem na sua trilha sonora, e no clima saudosista do final dos anos 80 e começo dos anos 90. Bom, pelo menos para aqueles que tem a minha faixa etária, vão se identificar facilmente com o clima do filme.

Aliás, pelo menos para mim, foi difícil não pensar que o filme não foi, pelo menos em partes, inspirado na música “Tempo Perdido” (Legião Urbana). Além da música tocar parcialmente em, pelo menos, quatro momentos do filme (no momento chave de toda a história), a letra da música encaixa perfeitamente na proposta principal do filme. E, nesse aspecto, “O Homem do Futuro”, além de um bom entretenimento, é um certo “cutucão” em nossas aspirações futuras na vida.

Cada coisa tem o seu tempo na história da nossa vida. O que somos hoje é o reflexo do que aconteceu no passado, e por mais que isso nos afete negativamente no presente, faz parte de algo que molda o nosso caráter, para o bem ou para o mal. Não adianta mudar o passado, e viver esse passado é pior ainda. O que importa é aproveitar as melhores coisas do passado, projetá-las no presente, para planejar um futuro melhor. Parece óbvio, mas muitos de nós ainda vivemos no marasmo de remoer as mágoas de coisas que não podemos corrigir. E, na prática, nem queremos. O importante nessa vida é viver o presente, saborear os momentos que vivemos hoje, os planos que temos para o futuro, e trabalhar para que tudo funcione.

“O Homem do Futuro” atendeu as minhas expectativas, e é um bom entretenimento de quase duas horas. É um filme que você não fica olhando o tempo todo no relógio para ver quanto falta para acabar, e uma ótima forma de se desligar do mundo lá fora. Além de mostrar que o Brasil pode fazer ficção científica de forma honesta, com efeitos convincentes, e sem a cretinice de dinossauros digitalizados.