Ontem, passeando pela cidade com minha esposa, vi alguns cartazes no comércio indicando sobre o seu funcionamento em pleno dia 12 de outubro. Isso mostra como a situação do comércio está feia, já que nem feriado religioso estão respeitando. Mas não vim aqui para falar disso hoje. Estou aqui para dizer que, apesar de muitos de nós levarmos a data para um lado totalmente comercial (porque, afinal de contas, o dinheiro move o mundo, e somos capitalistas por natureza, certo?), o Dia das Crianças tem os seus efeitos morais bem positivos.

Ano passado, eu disse aqui nesse blog que eu não era mais criança. Hoje, vejo como fui infeliz nessa frase. Vou dar vários exemplos de que ainda sou criança, e que tenho muito a aprender nessa vida.

Nesse ano, me empolguei por vários acontecimentos ocorridos, como se eu fosse uma criança que ganhou o brinquedo cobiçado (e, em algumas oportunidades, foi literalmente isso). Exemplos: o debate sobre Podcast na Campus Party 2011, o fim da reforma da casa (acreditem, foi um período difícil por aqui), a compra do Xbox 360 (com Kinect), alguns convites recebidos para cobertura de imprensa, entre outras realizações. E aí, não nos empolgamos e comemoramos como adultos, uma vez que os adultos são chatos, antiquados e tem contas para pagar. A animação, empolgação ou comemoração é a mesma de uma criança, que descobre um mundo novo, que ganha o presente sonhado, que alcança o objetivo estabelecido.

É clichê dizer que, diante da grandiosidade do Universo, nós somos crianças insignificantes, que ainda temos muito o que aprender. E, em 2011, eu me coloquei um pouco mais nessa posição. E posso dizer que o resultado foi muito bom. Primeiro, porque comecei a vivenciar os acontecimentos com uma nova perspectiva. E isso me deu um novo estímulo para novos desafios e projetos. Boa parte do que planejei neste ano se concretizou, e pude saborear essas conquistas da mesma forma que uma criança faz quando passa de ano na escola.

Segundo, porque pude me colocar no lugar daquele que quer absorver ainda mais daquilo que a vida pode oferecer. Nas lições, nos acontecimentos, nos problemas e nas soluções. Pode não parecer, mas passei a ser ainda mais observador, mas principalmente, a ouvir mais o que estava ao meu redor. E, justamente por ouvir certas sugestões ou opiniões, meus projetos deslancharam ainda mais.

Terceiro, e o mais importante: recobrei o conceito que nós, adultos chatos que pagamos nossas contas todos os meses, aprendemos mais na simplicidade das crianças do que com a complexidade dos adultos. As crianças são felizes por verem o mundo sem o olhar da maldade, por falarem a verdade, e por sujarem a roupa no barro. As crianças são mais sábias porque vivem de forma mais intensa e simples os acontecimentos, usam melhor a criatividade, criando um mundo onde tudo funciona melhor, de forma mais coordenada. As crianças são melhores que os adultos. Porque são mais objetivas para definirem a palavra “felicidade”.

Um dos objetivos de nossas vidas é não deixar a criança interior morrer. Caso contrário, vamos morrer por dentro, pela falta de sonhos, objetivos e perspectivas. É como diz a canção: “há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração”. No coração de todos nós. É esse moleque que nos dá a vontade de seguir alegres, sarcásticos, felizes. Você pode viver 100 anos, mas uma de suas missões é deixar essa criança sempre viva no seu coração, te incentivando a fazer peraltices, a passar trotes para os amigos, a comprar videogames caros, a assistir desenho animado em um dia de chuva…

Esse “moleque” é um dos combustíveis de sua vida.

Por isso, hoje, vá brincar com seu filhos, sobrinhos, netos. Vá aprender com quem sabe viver melhor do que eu e você. Aproveite da sabedoria dos pequenos, e aplique um pouco dessa vontade de ver um mundo melhor nos dias que virão. No dia de hoje, nós, adultos chatos, temos que dar presentes para as crianças da nossa vida. Mas também, um “muito obrigado” por elas fazerem parte do nosso caminho.

Feliz Dia das Crianças para todos nós!