Levando em conta que o potencial fotográfico começa a ser um dos pontos fundamentais na hora de seduzir os compradores de um smartphone de uma nova geração, a HTC tem uma interessante carta na manga para aumentar o interesse no seu último lançamento, o HTC ONe. Falo de sua nova câmera UltraPixel, um avançado sistema que reúne uma série de características capazes de dar vida a uma câmera nunca antes vista em um smartphone. Mas… o que ela tem de tão especial assim? É justamente isso que vamos tentar descobrir nesse post, analisando as principais características dessa tecnologia.

O sensor

A primeira coisa que chama a atenção na UltraPixel é que as imagens resultantes de sua câmera são de “apenas” 4 megapixels. Sim, parece que a HTC interiorizou o sábio conselho dito por muitos que afirmam que: “os megapixels não são tudo”. O resultado disso é que temos um sensor de 1/3″ com uma resolução de 2.668 x 1.520 pixels, algo que é possível graças aos pixels que alcançam os 2 μm, sendo esta a primeira das características mais destacadas do seu captor. Graças a este gigantesco tamanho (normalmente esse valor é de apenas 1.12 μm, como é no caso de uma Exmor RS), o fabricante garante que suas câmeras podem capturar até 300% a mais de luz em relação aos seus competidores, já que os pixels são mais sensíveis e abarcam mais espaço.

 

Ou seja, estamos diante de uma vantagem física. Com uma superfície maior de captura, as melhorias são imediatas. A HTC garante que os resultados podem ser apreciados em condições de baixa luminosidade, onde o pixel se encarrega de obter a maior quantidade de luz possível, sem precisar utilizar o flash.

Abertura f/2.0

Além dos pixels, um elemento especial na hora de capturar a maior quantidade de luz possível é o diafragma. Para isso, a HTC incorporou uma com uma abertura máxima de f/2.0, um valor que, mais uma vez, a posiciona como a maior do mercado (ao lado da Lumia 920), já que competidores tão diretos como o Xperia Z (Exmor RS), o iPhone 5 (Exmor R) e o Galaxy S III ficam com valores de f/2.2, f/2.4 e f/2.6, respectivamente. Graças a isso, o sensor contará com muito mais luz, e na parte criativa, podemos obter o melhor efeito Bokeh possível com um smartphone.

As lentes

O que seria de uma câmera sem uma boa lente? Tal e qual afirma a HTC, longe de sua capacidade focal, o sucesso de uma boa foto se deve basicamente a dois fatores: o tempo de disparo a partir do momento que acionamos o disparador, e a capacidade de estabilização. Isso é algo que eles levaram muito em conta, e para isso, eles conseguiram chegar em um tempo de disparo de apenas 0.002 segundos, uma marca melhorada se levarmos em conta os 0.03 da câmera do HTC One X. Mas a principal incorporação está na sua estabilização, que é feita por software.

O novo HTC One incorpora um estabilizador de dois eixos, onde é possível compensar os movimentos durante o disparo e as gravações de vídeos. Um sistema que é aparentemente o mesmo que está presente no Lumia 920, já que ele controla tanto a inclinação como o giro, com um rendimento de 2.000 correções por segundo.

O processador ImageChip

Como não poderia ser de outra forma, por trás de todas essas configurações, temos um belo processador encarregado de controlar a situação, e que oferece uma série de funções que melhoram ainda mais todo o conjunto da UltraPixel. Uma das mais chamativas é a capacidade de gravar vídeos em HDR, algo que já era visto no novo Exmor ES, e que a HTC parece oferecer da mesma forma. Segundo explicam, a captura é feita a partir de 60 imagens entrelaçadas por segundo, que são tratadas em tempo real pelo processador ImageChip, para dar lugar aos vídeos em 1080/28p.

Por outro lado, eles incluíram um foco com 200ms de tempo de resposta, permitindo assim que a gravação seja contínua e sem cenas fora de foco, ao menos que busquemos essas cenas de forma intencional. Obviamente, usando esse valor, algumas distorções são produzidas na imagem, algo que a HTC já tem conhecimento, e que vai corrigir através de uma compensação automática.

O potencial do processador serve também para dar vida ao Zoe, um peculiar modo que cria um filme de 3 segundos (a 1080/30p), a partir de imagens disparadas com uma velocidade compreendida entre 4 e 5 fotos por segundo. Inclui ainda um buffer capaz de capturar imagens antes e depois do disparo, algo muito semelhante a outras soluções que podemos ver na concorrência.

Por fim, a presença de ruído nas imagens obtidas em cenários com baixa luminosidade também será controlada por um algoritmo. Com ele, teremos uma redução no ruído da imagem, reduzindo a presença de distorções, e podendo ser aplicado nas câmeras frontal e traseira do HTC One.

Um novo passo para a fotografia?

Essa é a nova aposta da HTC para o segmento fotográfico em smartphones. É uma solução completa que, longe de buscar o primeiro posto na corrida por megapixels, preferiu reunir recursos de todo o tipo para criar um conjunto equilibrado e com grande potencial. Os 4 megapixels parecem ser mais que suficientes para o fabricante, deixando para trás os rumores que afirmavam que eles contariam com um sensor de 3 capas com tecnologia similar ao da Foveon, onde era possível conseguir até 13 megapixels com uma posterior interpolação. No seu lugar, eles optaram pela clássica distribuição Bayer, com a novidade de incluir pixels de 2 μm quadrados.

A própria HTC deixa claro que as imagens resultantes podem ser vistas de forma perfeita em uma televisão com HD. Agora… serão suficientes para o usuário? Provavelmente para a grande maioria que faz do seu smartphone a sua câmera para registrar imagens, os 4 megapixels oferecidos na UltraPixel são mais que suficientes. Apenas um grupo menor de usuários mais exigentes vão precisar de mais.

Tal como a Nokia fez com o PureView, o HTC One é o primeiro passo para construir uma nova família de dispositivos com UltraPixel, denominação essa que, longe de indicar uma nova tecnologia em pixels, simplesmente dá nome a uma nova geração de dispositivos com maior protagonismo para a fotografia. Estou certo que a UltraPixel vai evoluir, mas por enquanto, podemos dizer que, ao menos no papel, a aposta da HTC é muito interessante.