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A decisão judicial que bloqueou R$ 19,5 milhões do WhatsApp por não colaborar (mais uma vez) com investigações da justiça brasileira é mais um capítulo dessa guerra que parece estar longe de terminar. Mas pelo menos o serviço não foi suspenso, com seus usuários diretamente afetados.

Ou seja, dessa vez, quem sofreu as consequências diretas foi o WhatsApp (ou o Facebook, como preferir), e essa é sempre a melhor opção. Bom, pelo menos parto do princípio que ninguém quer perder dinheiro nesse mundo, ainda mais em tempos de crise.

Mas… será que vai resultar em mudanças da postura da empresa líder no mercado de mensagens instantâneas?

 

Mexer no bolso normalmente funciona

É possível.

A justiça brasileira tem poder de confiscar e congelar recursos financeiros de praticamente qualquer pessoa ou empresa, e no caso específico do Marco Civil da Internet, essa consequência está prevista para aquelas instituições que não seguirem as regras previamente estabelecidas.

É claro que não ter o serviço funcionando por três dias pode causar um impacto imediato no WhatsApp, já que a concorrência sempre ganha usuários. Mas não imagino ver as pessoas saindo do serviço para abraçar apenas os concorrentes.

Hoje o WhatsApp é uma plataforma mais que consolidada. Não só para comunicação pessoal, mas muita gente usa o serviço para ganhar dinheiro, seja mantendo os seus contatos profissionais e corporativos, ou até mesmo gerenciando o seu comércio de pequeno, médio e grande porte. Várias vezes já pedi lanches e outros serviços em modo delivery via WhatsApp.

Logo, quem está no WhatsApp não vai sair dele por causa disso.

Por isso, a melhor forma de sensibilizar o coração peludo de Mark Zuckerberg para mudar um pouco a filosofia superprotetora de dados do WhatsApp é efetivamente mexendo onde mais dói: no bolso.

R$ 19,5 milhões para uma empresa que vale bilhões pode parecer inicialmente um dinheiro de cafezinho. Mas abre um precedente que, para quem não quer perder dinheiro a longo prazo, é mais do que alarmante. É quase certo que alguns executivos da plataforma estão repensando essa história de não dar a mínima para a justiça brasileira, acreditando que aqui no Brasil tudo pode.

Eles até estão certos nessa forma de pensar. Mas aos poucos as coisas estão mudando.