A Nokia terminou mal das pernas o ano de 2011, e 2012 não está sendo diferente. Com diversos cortes na sua estrutura operacional, e mais de 10 mil demissões anunciadas para até o final de 2013, a empresa tenta sobreviver no mercado mobile. Para isso, a linha Lumia, com Windows Phone, é fundamental para o processo. O problema é que os preços esses aparelhos não convencem a grande maioria dos consumidores, que preferem investir em terminais com outros sistemas operacionais.

Para tornar as opções da Nokia mais atraentes, Stephen Elop quer seguir optando pelo sistema da Microsoft, mas fabricando aparelhos ainda mais baratos que o Lumia 610, o último lançamento da empresa, que possui um hardware com muitas restrições, para torná-lo um modelo de linha média.

Esta nova estratégia do fabricante finlandês responde a necessidade de ficar à margem de um mercado que é dominado hoje pelo Android, ainda mais nos modelos de linha baixa e com preços acessíveis. E pelo discurso de Elop, ele parece não se sentir nem um pouco incomodado em ver os modelos Lumia 800 e Lumia 710 serem derrotados pelos rivais. “O fundamental é superar os pontos fortes que o Android e iOS possuem a nível comercial; aí está o núcleo do problema”, disse Elop durante uma conferência via telefone, apontando os equipamentos que podem dominar o mercado desde o aspecto econômico até plataformas com anos de presença no mercado.

O CEO da Nokia avisa que a empresa vai focar os seus esforços em investir mais recursos em uma quantidade menor de mercados, especialmente em países como Estados Unidos, China, Reino Unido e outros (poucos) países europeus, colocando assim os países em diferentes níveis, em função do seu “valor comercial”. A estratégia é bem parecida com aquilo que a Apple já faz hoje com o lançamento de seus produtos.

Levando em conta que o Lumia 610 é um aparelho muito básico, e que apresenta sérios problemas de versatilidade ao Windows Phone 7 (por exemplo, não é possível executar muitos aplicativos em segundo plano, e começam a aparecer versões de aplicativos incompatíveis com esses terminais), por culpa de suas especificações técnicas restritas com apenas 256 MB de RAM, é bem difícil que a empresa possa restringir ainda mais o hardware sem afetar a usabilidade dos aparelhos, o que indica que provavelmente eles optem por reduzir custos nos materiais utilizados na fabricação dos smartphones, como carcaças, telas e até opções extras de conectividade.

Só o tempo poderá dizer se o Windows Phone 7 poderá competir de igual para igual com o Android no segmento de smartphones de entrada, e tendo como base o Lumia 610, o Windows Phone mais barato até o momento tem um preço sugerido de aproximadamente 250 euros, sendo assim pouco competitivo com os telefones Android na faixa de 200 euros.

Será que a Nokia consegue prosperar na sua iniciativa? Particularmente, eu duvido.