Começamos o ano de 2013 com mensagens conflitantes vindas de diferentes fontes de análise de mercado do mundo mobile. Uma das mensagens mais divulgadas pelos “analistas” (não estou acreditando muito mais neles…) afirma que “o Android está acabando com o iPhone”. Seria mesmo verdade?

Não é bem assim. Segundo o estudo da Strategy Analytics, 17.7 milhões de unidades do iPhone foram vendidas só nos Estados Unidos no último trimestre de 2012, o que é uma parte considerável dos números oficiais divulgados pela Apple no seu último relatório financeiro (47.8 milhões). Se compararmos com os números do ano anterior, é um aumento de 38% nas vendas nos Estados Unidos, e é o maior número de unidades vendidas em qualquer quarto de ano avaliado pela Apple, desde o lançamento do primeiro iPhone, em 2007.

A mesma Stategy Analytics informa que a Apple é hoje a maior fabricante de smartphones nos Estados Unidos, ultrapassando pela primeira vez a Samsung, que era líder no país desde 2008. Esse número leva em consideração tanto smartphones e feature phones fabricados pelos sul-coreanos. Traduzindo: um único produto (iPhone) e suas atuais variantes vendem nos Estados Unidos mais que todas as dezenas de smartphones e feature phones já anunciados pela Samsung. Combinados.

Sobre os sistemas operacionais móveis, o iOS ainda tem uma grande vantagem em território norte-americano. Segundo os dados apresentados pela Net Market Share, o tráfego de dados registrado no último mês (e nos meses anteriores também) mostram que o iOS domina a web com larga vantagem. Os estudos da Net Applications sugere algo semelhante, onde em janeiro de 2013, o iOS teve 60.56% do mercado de smartphones e tablets, enquanto que o Android fica muito atrás, com 24.51%. Vale lembrar que, em novembro de 2012, o Android contava com 28.02% desse mesmo tráfego, enquanto que o iOS registrou um crescimento de tráfego de dados no meio do verão norte-americano (julho) e no final do mês de outubro.

O NPD MObile Phone Track também mostra que o iPhone segue sendo o smartphone mais vendido nos Estados Unidos, com o iPhone 5 sendo o modelo mais buscado nesse começo de 2013. Os números do último trimestre de 2012 nos EUA mostram que a Apple ainda retém 39% do mercado, enquanto que a Samsung possui 30%, com o estudo mostrando as cotas de mercado dos principais fabricantes de smartphones no país.

Entre os modelos disponíveis, no mercado, o iPhone 5 está na liderança, seguido pelo Galaxy S III, pelo iPhone 4S (na terceira e quarta posição… não me perguntem por que) e pelo Samsung Galaxy S II, que ficou em quinto (uma surpresa? Nem tanto…). A análise da NPD deixa claro que as vendas do iPhone cresceram de forma drástica em relação ao trimestre anterior (terceiro trimestre de 2012), e até mesmo os modelos mais antigos registraram crescimento de vendas: o iPhone 4S cresceram 43% no período, e o iPhone 4 registrou aumento de 79%.

O que podemos concluir aqui, amigos?

Que apesar de viver um aparente momento de pânico (muito mais criado pelo o que acontece no resto do mundo, e principalmente, pelas diversas especulações dos “analistas” de mercado), a Apple vai muito bem em pelo menos um país: os Estados Unidos. É um dos mercados de maior interesse da empresa de Cupertino, e só pelo fato de tirar a liderança da Samsung por lá pela primeira vez em quase quatro anos já é uma façanha. Por outro lado, estamos falando de um mercado, que segue sendo um dos mais fortes do mundo.

Nos demais mercados, o cenário é diferente. Na Europa, mais e mais usuários estão migrando do iPhone para o Android por questões financeiras, e no Brasil, o domínio do Android é absoluto, e por um motivo muito simples: o preço do iPhone, em comparação com os demais. Conversei com muita gente em São Paulo durante a Campus Party Brasil, e muitos afirmaram a mesma coisa: que estava deixando o iPhone por causa da mesmice do iOS, pelos erros recentes da empresa de Tim Cook, e pelo fator preço, já que um Galaxy S III, um RAZR HD ou um LG Optimus G podem fazer o mesmo (ou até um pouco mais, já que o iPhone 5 não tem 4G) que o iPhone, mas pagando menos. E isso, querendo ou não, faz uma grande diferença.

Espero poder fazer nos próximos dias um paralelo sobre os outros mercados, e como estão as vendas no mundo mobile em outros continentes.