Muito se fala dos elevados preços cobrados para os produtos de entretenimento, do combate à pirataria, e do pensamento retrógrado das produtoras de mídia e entretenimento sobre o compartilhamento online. Entendo que toda discussão é válida nesses aspectos. Mas no caso do Brasil em particular, essa discussão precisa passar por um grupo de usuários mesquinhos, escrotos e idiotas. Vou citar um pequeno exemplo do que estou falando.

Estava fazendo uma pesquisa nessa manhã para um post no SpinOff, e me deparei com a área de aluguel de vídeos da Google Play Store. Cliquei na página do filme Ted, para ver os seus preços para aluguel (R$ 6,90), e fui para a área de comentários e avaliações do filme, por mera curiosidade.

Me chamou a atenção o comentário abaixo:

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Entendo que são pensamentos como esse que reforçam que o mal da pirataria passa também pela mente danificada de alguns brasileiros. Vejamos: a R$ 6,90 o aluguel (que fica ativo por 48 horas em sua conta, tal como funcionava antes com as locadoras físicas), você pode ver o filme na sua TV, computador, tablet ou smartphone, quantas vezes quiser, nesse período. Sem precisar sair de casa. Considero um preço relativamente justo, principalmente para aqueles que não pretendem assistir o filme novamente. E, se resolver assistir, pode optar por comprar o DVD ou Blu-ray ou até mesmo o formato digital do filme.

Mas não. “É mais barato comprar dois DVDs piratas na feira”.

O que acho incrível é que, para alguns, é melhor comprar algo não oficial, apenas porque é mais barato em questão de centavos.

Indo além: tem gente que realmente só quer as coisas “de graça”, o que mostra, no mínimo, muita pobreza de espírito por parte de alguns. Vejamos o comentário abaixo:

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Eu gosto de coisas de graça (quem não gosta), mas também entendo que nada nesse mundo é “de graça”. O fato de você poder baixar o conteúdo na internet sem pagar nada não quer dizer que você não pode (ou não tem condições – e bem sabemos que a pessoa tem, já que tem pelo menos internet e computador em casa, logo, não é classe D e E) comprar por alguma coisa. Mesmo que de forma simbólica, você dá valor a aquilo que você gosta e aprecia.

Afinal de contas, tudo nessa vida tem valor. Se coloque na situação de você, taxista, ter uma corrida chamada por uma madame, e no final, ela dizer “muito obrigado” e ir embora, sem pagar nada, alegando que ela apenas “compartilhou” o seu deslocamento de um lugar para outro. Bem chato, certo?

Não estou sendo hipócrita. Só afirmo que tem muitos brasileiros que ficam nessa de “querer levar vantagem em tudo”. R$ 6,90 é um valor bem aceitável para a maioria que tem hoje algum tipo de dispositivo Android. Parece que estamos na era do “está na internet, logo, tem que ser de graça”. Nada disso. Há uma diferença muito grande entre a indisponibilidade de conteúdos no Brasil (como é o caso das séries The Amazing Race, The Voice US e Survivor, que falo abertamente “baixo mesmo, porque ninguém no Brasil passa”), do que pelo simples conceito do “por que eu vou pagar, se posso ter de graça?”.

Fica o post para reflexão. Parte dessa discussão toda tem que passar por alguns brasileiros que vivem na “lei de Gérson”. E depois nos perguntamos “por que os políticos são corruptos?”. A resposta é de uma obviedade tão grande, que chega a assustar.