O sistema operacional Android conseguiu estar em mais de 500 milhões de smartphones em pouco mais de cinco anos de vida (segundo os últimos dados do próprio Google, revelados em setembro de 2012). Mas pelo o que pude observar na última CES 2013 (vendo de longe, é claro), os fabricantes seguirão adicionando vários dispositivos novos no mercado com relativa facilidade, por causa de sua fragmentação, algo que vem acontecendo desde o seu início, praticamente. Isso complica o avanço de outras plataformas menos expandidas, como é o caso do Windows Phone e faz com que nos questionemos sobre a saturação do mercado do Android.

O jovem sistema operacional móvel do Google se ativa a cada dia em uma média de 1.3 milhão de dispositivos, e fazendo uma matemática rápida com a calculadora (pode ser a do Windows mesmo…), chegamos ao resultado que, no mercado atual, existem mais de 650 milhões de dispositivos Android ativos. Com a atual taxa de crescimento, o Android vai ultrapassar a marca de 1 bilhão de ativações no seu sexto aniversário, em setembro de 2013.

Posso imaginar que parte desse sucesso se baseia nas incríveis vendas que a Samsung registra com os seus dispositivos, especialmente com a linha Galaxy S, que são os modelos top de linha da empresa com o Android. Recentemente, a Samsung anunciou que alcançou a marca de mais de 100 milhões de unidades comercializadas em todo o planeta de smartphones da família Galaxy S, que tem menos de três anos de vida (o Galaxy S foi lançado em maio de 2010).

Um dos principais motivos para que o mercado atual fique saturado de dispositivos Android é justamente a sua fragmentação. Alvo de crítica por parte de consumidores e especialistas em tecnologia desde o seu lançamento, essa fragmentação na realidade não é nada mais que um efeito secundário provocado pela falta de ideias dos fabricantes, que tentam se aproveitar ao máximo da flexibilidade que a plataforma permite, para incorporar o sistema em qualquer tipo de dispositivo.

Do ponto de vista do consumidor, o ideal seria que o Android tivesse alguns requisitos mínimos para que um mesmo sistema operacional pudesse estar integrado em todos os smartphones possíveis, o que entra em conflito com o pouco esforço que os fabricantes fazem para que isso seja uma realidade. Felizmente, para aqueles consumidores que não se convenceram com a proposta do Android, o mercado de dispositivos móveis ainda oferecem opções como o iOS e o Windows Phone, que seguem essa filosofia de configurações “universais” um pouco mais a risca.

E, mesmo assim, esses últimos dois sistemas móveis citados possuem uma forma completamente diferente de abordar o tema da fragmentação no mercado. A Microsoft está trabalhando durante os últimos anos para criar um ecossistema único que envolve PCs, tablets e smartphones. Eles não só conseguiram isso, mas também estão tentando integrar ao máximo as características das novas versões em seus antecessores, como bem reflete a chegada do Windows Phone 7.8 no mercado. Por outro lado, ao ter os requisitos mínimos de hardware e software claros, os fabricantes podem adaptar suas características aos diferentes dispositivos, fazendo com que as diferenças entre eles sejam bastante reduzidas nos aspectos fundamentais.

Uma das grandes vantagens do Windows Phone 8 em relação ao Android, e pela qual poderia arranhar um pouco dessa gigantesca cota de mercado ao longo de 2013, é o fato que, graças aos fabricantes, o consumidor não tem a necessidade de gastar muito dinheiro em um dispositivo de linha alta com Android para que o telefone possa cumprir com suas necessidades. Um smartphone com a plataforma da Microsoft, com um preço muito mais barato, o usuário terá um sistema operacional atualizado, em um hardware com boas configurações.

As primeiras unidades de smartphones com Windows Phone 8 lançadas lá fora conseguiram positivos resultados de vendas. Veremos como ele vai se sair no Brasil. Enquanto isso, é esperado que novos dispositivos sejam apresentados durante a Mobile World Congress 2013, que acontece no final de fevereiro, em Barcelona. Por enquanto, modelos com Windows Phone 8 confirmados na MWC 2013 vem de empresas como Huawei, o novo Nokia Lumia, de codinome Catwalk, a LG, que pode voltar ao mercado do Windows Phone, com uma nova série de dispositivos Optimus, ente outros.

Pelo visto, mesmo com todo o sucesso do Android, e com vários acertos do sistema do Google apesar da fragmentação, parece que tanto o iOS (iPhone) quanto o Windows Phone 8 podem explorar essas deficiências do sistema operacional dominante ao longo de 2013, e conseguir resultados que podem melhorar de forma exponencial. Mas só o futuro vai dizer se esse exercício de futurologia tem sentido ou não.