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As telas sensíveis ao toque são uma realidade. Smartphones, tablets, notebooks e desktops contam hoje com telas capazes de captarem nossos movimentos e apontamentos com os dedos, tornando a interação com esses dispositivos algo mais amigável do que ficar buscando em menus o que fazer na tela. Mas isso pode parecer simples para nós, geeks cabeçudos que passam o dia inteiro no smartphone ou no tablet. Agora, o quanto esses gestos são simples para todos? O quão são intuitivos para aqueles que não contam com tanta intimidade com essa nova tecnologia. O quanto esses gestos podem ser considerados perfeitos para as nossas avós usarem? É isso que vamos tentar descobrir nesse post.

De um modo geral, os dispositivos com telas de toque usam o conceito do “todo o controle está na ponta do seu dedo”, ou seja, na teoria, com gestos simples e coerentes com a proposta de comando a ser aplicada, qualquer usuário pode executar as tarefas mais simples na maioria dos dispositivos com tela sensível ao toque. Além disso, um sistema operacional com uma interface simples pode ajudar bastante. Até porque podemos simplesmente dizer para os nossos avós “é só clicar naquela caixinha, que o programa vai abrir”. Mas isso, na teoria.

Na prática, muitas pessoas simplesmente ignoram comandos mais complexos de sistemas como o Android, Windows Phone ou iOS, e não é por culpa deles. É porque basicamente nenhum desenvolvedor ou fabricante levou em consideração que aquele comando em específico poderia ser útil algum dia. Por exemplo, eu conheço pessoas que possuem o iPad, mas nunca viu a barra de multitarefas (duplo clique no botão Home). Alternar entre os aplicativos, então, nem pensar. Até porque ninguém se lembra em explicar que posicionando quatro ou cinco dedos na tela e arrastando lateralmente a tela é possível fazer isso (e explicar tal conceito em texto é algo bem chato).

Se pensamos nos gestos mais comuns, vamos sempre lembrar do “pinch-to-zoom” (zoom com o movimento de pinça), ou o movimento de rotação com os dedos. Porém, esses mesmos gestos que hoje vemos como lógicos e intuitivos não eram utilizados em 2003. Só se tornaram populares (convenhamos) com produtos como o iPhone e o iPad. Agora, pense com frieza nesse momento: imagine quantos comandos e gestos não foram descobertos até hoje. Por exemplo, dependendo de qual aplicativo você estiver no Android, o pressionar prolongado em um elemento pode realizar uma ação. Porém, nunca há uma maneira de saber de forma antecipada o que ele vai fazer. A única foma de descobrir é através da tentativa e erro.

A boa notícia é que esse é um método de aprendizado nada depreciável no mundo da tecnologia. Porém, está longe de ser a mais produtiva e prazerosa.

Mas o caso mais crítico está nos acessos diretos na área de notificações do Jelly Bean 4.2.1. Se tocamos no ícone do Wi-Fi, nós vamos para a tela de configuração. Se desejamos simplesmente ativar ou desativar o recurso, temos que deixar o dedo pressionado no ícone. Eu duvido que um usuário dito normal (de novo, não falo dos heavy users, estou falando do seu avô com o primeiro smartphone dele na vida) consiga descobrir esse gesto que não seja através de uma mera casualidade. E isso pode complicar a vida do usuário em muitos sentidos. Reconheço que o que realmente falta na internet é uma maior quantidade de vídeos tutoriais para mostrar para os usuários comuns como esses recursos podem ser acessados. Ou até mesmo manuais produzidos pelos fabricantes, com uma linguagem mais simples e didática, pensada naqueles que não são íntimos do produto.

Muitas vezes os usuários novatos (e até mesmo os veteranos) se frustam com os seus produtos, porque acham alguns elementos complicados de serem acessados (ou impossíveis, para muitos). E o problema maior nem é esse. O grande problema é a inexistência de um acesso simplificado para a informação. Parece que os fabricantes se esquecem em algumas oportunidades que muitos novatos vão comprar os seus produtos, e que os dispositivos não são feitos apenas para os experts em tecnologia.