morte

 

Eu sou um cara muito competitivo. Eu faço de tudo o que está ao meu alcance (dentro da ética, evidentemente) para vencer. Eu detesto perder.

Eu já fui mais enfático em dois dos três temas polêmicos da sociedade. Nunca fui de discutir religião, pois entendo que cada um tem a sua, e que todas aquelas que levam para o caminho do bem são válidas.

Já no futebol, eu era mais teimoso. Tirava sarro de rivais nas vitórias, me escondia da zoação nas derrotas. E conforme eu fui crescendo, eu desisti disso. Porque depois de um 7 a 1, percebi que o futebol perdeu um pouco de sua graça.

E na política… bom, quem me conhece sabe que eu odeio o PT com todas as minhas forças. Acho a representação máxima da roubalheira e da corrupção desse país. Não que os outros partidos não façam o mesmo, que fique claro. TODOS FAZEM. Mas o PT tornou a corrupção algo pornográfico, nojento, repugnante.

Eu tenho amigos petistas. Vários. Eles se mantém petistas, por motivos que eu nem sei e não quero mais saber. Parei de discutir com eles porque antes deles serem pombos, eles são meus amigos. Independente do fato de, a cada discussão, espalharem as peças no tabuleiro, cagarem em cima da mesa, e irem embora, com o peito estufado, como se tivessem vencido a discussão.

São meus amigos. Amo eles assim mesmo.

 

Eu detesto perder. Detesto lidar com as perdas também.

Ser competitivo faz com que você queira vencer o adversário, e se possível humilhar. Nada é mais gostoso do que deixar bem claro que você foi dominante em uma disputa, mostrando suas capacidades e habilidades.

Porém, ter um adversário não quer dizer que eu tenho um inimigo.

Eu saio para jantar com todos os meus concorrentes no segmento dos blogs de tecnologia e séries. Alguns dos meus adversários me respeitaram, e se tornaram contatos cordiais.

E, quando acaba uma disputa, podemos até ir comemorar juntos.

O esporte ensina isso claramente. Por isso adoro os esportes.

 

De novo: meu adversário não é meu inimigo.

Eu odeio o PT com todas as minhas forças. Odeio o que o partido se tornou. Odeio a cara de pau dos seus representantes. Odeio o fato deles estuprarem com o Brasil e dizerem que “fizeram isso em nome dos pobres”.

Mas não odeio a ponto de comemorar a morte de um deles. Nem de longe.

 

 

Sabe, eu não acredito que as pessoas sejam 100% boas ou 100% ruins. Todos nós temos o céu e o inferno dentro de nós. Todos nós temos virtudes e vícios, qualidades e defeitos. A bondade e a maldade.

Sim. Eu repudiei com veemência quando Marisa Silva, esposa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com um linguajar chulo (que nem profissional de baixo meretrício tem), criticou os protestos feitos pelo Brasil durante os pronunciamentos da então presidente Dilma Rousseff.

Mas nem isso me impede de sentir como é triste aquele núcleo familiar perder esse ser humano de repente. Por conta de um AVC.

 

Eu sou humano. Todos os envolvidos também são. E antes de ser uma pessoa física, que paga impostos e tem opinião política contundente… eu sou um ser humano.

Eu penso primeiro nos filhos.

Não importa os valores morais que este casal passou para seus filhos. O que importa é que são pessoas que perderam a pessoa mais importante de suas vidas. Mesmo porque mãe só temos uma. Pai, pode ser qualquer um.

Penso sim no Lula marido. Ele perde a companheira de vida. A sua base de força e incetivo quando ele mais precisou. É difícil encontrar uma companheira ao longo da vida. E essa é uma dor que só ele sente.

Penso nos amigos que deixarão de conviver com aquela pessoa. As lembranças que aquela pessoa deixa naqueles que ficam. A tristeza inevitável que essas pessoas vão sentir.

 

Sabe, se doer pelos outros não é hipocrisia. É um traço de humanidade que vou ter até o fim da vida.

Aqueles que chamam de hipócritas quem se dói pela morte de alguém que é considerado um desafeto deveriam pensar como seria se as pessoas começassem a simplesmente criticar algum parente seu que acaba de falecer. Sabe… falar que a mãe era uma biscate, que o pai era um vagabundo, ou que a irmã é uma aidética.

Não seria nada legal, certo?

 

A morte é o ponto comum de todos nós. É o que nos nivela aos olhos de Deus (ou daquele que você acredita). Nesse momento, não é apenas uma questão de respeito. É um ato de compaixão e até reflexão interna. Somos pequenos demais diante de tantas coisas para nos apegar às nossas diferenças diante da morte.

Aliás, somos todos insignificantes diante do fim da vida.

 

Para você, que vibrou com a notícia da morte cerebral de Marisa Silva… eu tenho pena, nojo, asco de você! Você consegue ser pior que político corrupto. É a mais baixa estrutura moral que pode existir.

Pode simplesmente parar de me seguir. Você não é meu amigo. Eu não quero ter pessoas assim no meu círculo de amizades. Quero pessoas de bem e do bem perto de mim.

 

Quero ter a certeza absoluta que, no final da minha jornada, ficarão aqueles de quem eu posso me orgulhar de ter conhecido e convivido.

Respeitando a minha passagem, e o sentimento daqueles que ficarão chorando minha ausência.

 

Desculpem o desabafo.