Antes de começar esse post, vale aquele aviso para as mentes com maior dificuldade de compreensão das coisas. Não estou aqui estabelecendo que uma operadora é melhor que a outra. Estou avaliando o serviço de internet móvel de um modo geral. Se uma operadora é boa PARA VOCÊ, ótimo. Bom para você. Continue com ela. Se ela não é boa para a maioria, aceite o fato que ela é ruim DE UM MODO GERAL, e entenda que toda a discussão existe para que qualquer operadora seja boa PARA TODOS, e não apenas PARA VOCÊ. Ficou claro?

Vamos lá. A Anatel divulgou nessa semana a sua avaliação trimestral sobre os planos de melhorias apresentados pelas operadoras. Esse é o primeiro relatório da Agência Nacional de Telecomunicações depois dos planos enviados pelas operadoras, e que ainda não serão convertidos em punições para as operadoras, uma vez que essa avaliação inicial ainda está dentro do prazo dado para as operadoras melhorarem os seus serviços.

O que chama a atenção no relatório da Anatel é que, até o momento, nenhuma operadora alcançou os índices de qualidade exigidos pela própria Anatel para serviços de dados. Ou seja, não cumprem a lei (algo que não me surpreende por ser o Brasil), e antes disso, a coisa era ainda pior. E claro que nem tudo está perdido: o relatório também mostra que todas as operadoras melhoraram no serviço de voz, melhorando seus índices de satisfação, e reduzindo as quedas de ligações interrompidas e reclamações.

Mas como o motivo desse post é a internet móvel, é simplesmente lamentável constatar que, mais uma vez, o Brasil é quinto mundo no aspecto conectividade de dados em celulares e smartphones. O cenário é ainda mais vexatórios, se pararmos para pensar que somos hoje um dos principais mercados mundiais em vendas de smartphones. Dinheiro não falta para investimento, consumidores interessados em usufruir o serviço também não… então, o que acontece? Por que a internet móvel no Brasil deixa a desejar?

O primeiro motivo eu já disse um pouco acima. As operadoras simplesmente descumprem a lei, e não se importam em seguir aquilo que a Anatel considera como “padrão de qualidade” para a internet móvel brasileira. Tudo bem, muitos vão dizer que a Anatel é uma mãe para as grandes corporações (não é bem assim: todas as reclamações que fiz na Anatel foram atendidas e respondidas), mas uma coisa é fato: a lei existe. O problema é que, no Brasil, algumas pessoas (empresas, corporações, políticos… mas só alguns) insistem em acreditar que a lei não precisa ser cumprida.

O segundo motivo (que está ligado ao primeiro) é a impunidade. Consumidores reclamam, buscam seus direitos, o PROCON atua as empresas… mas nada acontece de efetivo. Nenhuma multa pesada, nenhuma proibição mais severa. Aliás, minto: a mais severa foi a aplicada no ano passado, quando as operadoras Claro, TIM e Oi foram proibidas de vender novos chips GSM por um breve período de tempo. Mas, de um modo geral, as coisas absurdas acontecem, e nenhuma punição acontece.

O terceiro motivo é o técnico. A rede 3G brasileira, de um modo geral, já é um lixo. Não funciona direito, com um sinal que é inconstante em diferentes locais, e para deixar a situação mais crítica, a base de usuários está em constante ampliação, uma vez que o poder aquisitivo do brasileiro médio aumentou, e por consequência, diferentes faixas da população estão comprando mais dispositivos compatíveis com as redes 3G (principalmente smartphones, tablets e modems 3G). A saturação na rede é algo inevitável, e como as operadoras querem se preocupar mais em vender do que oferecer um bom serviço, temos esse resultado.

Baseado em tudo o que eu escrevi até agora, vivemos em um cenário de caos, certo? E é isso mesmo: um cenário de caos. Muitos estão na esperança que as redes 4G se difundam rapidamente pelo Brasil, para que a rede 3G fique menos sobrecarregada, e até se torne uma opção “econômica” para a maioria dos internautas brasileiros, mas não vejo um cenário tão simples de ser resolvido. É claro que o 4G vai amenizar as coisas, mas não vai resolver tudo. A tendência é que as redes 3G sejam “abandonadas” pelas operadoras, que vão investir em uma tecnologia mais lucrativa (para elas).

Isso, sem falar que, em algumas cidades, o 3G ou é inexistente para algumas operadoras, ou simplesmente não está funcional. Desde dezembro de 2012. Para os milhões que as operadoras arrecadam dos clientes todos os meses, e pelos valores de investimento prometidos pelas operadoras, é simplesmente ridículo saber que usuários ficam sem sinal, com conexão muito mais lenta que a previamente contratada, ou que ficam sem a conectividade 3G por semanas.

Por isso, amigo leitor, a dica é: pesquise, e muito. Veja se vale mesmo a pena investir o seu dinheiro em uma determinada operadora. E (infelizmente) contrate aquela que você vai ter certeza que vai funcionar a maior parte do tempo, ou nos locais que você costuma frequentar. É lamentável saber que, mesmo tendo uma meta a ser alcançada, e mesmo faturando milhões com os seus clientes, nenhuma operadora foi competente o suficiente para oferecer ao consumidor o mínimo considerado aceitável para ser considerado um bom serviço de internet móvel.

Vamos ver se esse quadro muda um dia. As esperanças são bem poucas.