Samsung Galaxy S3

Soa até estranho falar sobre isso, mas vamos lá. Normalmente, das pessoas que eu conheço, ou elas são “pró iOS/iPhone”, ou são “pró Android”. No caso dos fãs do sistema operacional do Google, eles são “pró Android” independente da marca (tá, algumas pessoas rejeitam smartphones da Motorola por atitudes do passado). Fazem torcida mesmo por qualquer dispositivo com o sistema do robozinho que é lançado no mercado. Porém, algumas pessoas parecem ter alguns sentimentos mistos quando o assunto é a Samsung. Vou além: não ficam muito confortáveis com o domínio da fabricante coreana no segmento de smartphones com o sistema operacional móvel mais popular do mundo.

Que a liderança da Samsung é absoluta, não resta nenhuma sombra de dúvida. 42% dos dispositivos Android que chegaram ao mercado foram assinados por eles, e o lucro que a empresa possui com smartphones Android é representado em recordes que eles quebram ano após ano. Além disso, a Samsung é a principal responsável pelo sistema do Google se tornar tão popular hoje, e não falo apenas pelo fato deles lançaremo um modelo novo a cada semana (algo que, particularmente, não me agrada muito), mas por adicionar inovações (sim, Apple Fanboys… INOVAÇÕES) consideradas decisivas para colocar o Android em um novo patamar. Sem falar que, para quem gosta do mundo da tecnologia de verdade e sem nenhum tipo de preconceito, é sempre legal ver quando um fabricante está conseguindo se destacar com uma proposta aberta como o Android.

Outro fator relevante para determinar a liderança da Samsung no mercado Android é a experiência de uso. Um dos erros de muitos fabricantes que escolheram o sistema do Google (incluindo a própria Samsung em alguns modelos de entrada) foi limitar o seu hardware para baratear o produto. Em consequência, a experiência de uso ficava prejudicada, e em muitos casos, variavam muito entre os dispositivos. A partir do Samsung Galaxy S II (pelo menos), a Samsung decidiu tornar o mais uniforme possível a experiência do usuário, e consolidou isso nos modelos Galaxy S III e Galaxy Note II. Hoje, os demais fabricantes entenderam isso, e se aproximam desse mesmo conceito, cada um à sua maneira (é só olhar para os últimos lançamentos da Sony, LG e Motorola).

Agora, vamos ver o outro lado da moeda.

A Samsung lucra com o Android, mas praticamente sozinha. A Motorola não conta, pois sua divisão de mobilidade pertence hoje ao Google. A LG começa a dar sinais de vendas mais expressivas com seus smartphones, mas não em níveis globais, se focando mais no mercado asiático. A Sony começa a investir mais pesado nos seus lançamentos com o Android, mas não colhe os frutos disso. E os demais? Onde estão?

O domínio da Samsung no segmento Android preocupa a própria Google, que tenta barrar isso lançando os seus smartphones da linha Nexus. Principalmente no mais recente modelo, o Nexus 4, que é produzido em parceria com a LG, é um smartphone realmente espetacular nos seus aspectos técnicos, e possui um forte subsídio por conta da própria Google. Aqui, o recado para o mundo é claro: não existe só a Samsung produzindo smartphones Android no mundo.

Outro fator que considero menor mas que é especulado lá fora é que, assim como a Apple (que ironia, não?), a Samsung lança smartphones top de linha, mas que não são tão superiores aos seus concorrentes. Seria esse o fator “campo de distorção da realidade”? Nem tanto.

Entendo aqui que o problema maior é que o mercado de tecnologia móvel avança muito rapidamente. Ao lançar os modelos Galaxy S, Galaxy S II e Galaxy S III, a Samsung apresentou propostas que eram consideradas excelentes em termos de hardware, combinados com uma boa experiência de software. Porém, depois de seis meses, quando olhamos a tabela de especificações dos produtos, eles não são tão surpreendentes assim. E isso acontece com todo fabricante. O que damos crédito para a Samsung e desabonamos a Apple é que, a cada modelo novo dos coreanos, eles mudam de forma significativa vários aspectos do novo modelo, desde a estrutura externa, um novo hardware e recursos novos da interface de usuário. Já a Apple aumenta o tamanho da tela, dobra as capacidades do produto e está tudo certo #SóQueNão.

Talvez o ponto que precisa ser abordado de verdade é que os smartphones da Samsung são muito bons, mas não são os únicos dispositivos Android válidos no mercado. É a mesma coisa de dizer que só o iPhone presta. É fundamental mostrar ao consumidor que existem outras opções no mercado, e que elas são igualmente interessantes para as necessidades e expectativas mais básicas em um smartphone. A Samsung tem tudo para esmagar a concorrência pela sua estrutura gigante. Talvez a única que pode frear essa dominação seja a própria Google. Mas também é importante que incentivemos o consumidor a ver que existe um mundo cheio de possibilidades além das fronteiras da Coreia do Sul.

Agora, se você é fã do Android, não precisa se preocupar muito. É importante mesmo esperar que HTC, Sony, LG, Motorola, Huawei e adjacentes nos surpreendam com lançamentos espetaculares. Ou algo próximo a isso.