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A Microsoft ainda detém 90% do mercado total de usuários de computador ao redor do planeta. Os acordos feitos com diferentes fabricantes fizeram com que esse share não flutuasse ao longo de quase duas décadas, e quando você tem um público tão grande, os riscos a serem tomados também são grandes. O Windows 8 é uma aposta da Microsoft para tentar revolucionar o mundo dos computadores (desktops e portáteis), além de ser uma importante propostas da empresa no mercado mobile. Porém, será que essa estratégia foi mesmo a mais acertada? Será que tudo está saindo de acordo com o planejado pela própria Microsoft?

As vendas do Windows 8 não são aquilo que a Microsoft esperava. A grande maiorias das pessoas que usam a plataforma o fazem apenas porque compraram um computador novo, que já traz o sistema pré-instalado. Muitos poucos foram aqueles que atualizaram o computador do Windows 7 (ou versões anteriores) para o Windows 8, e isso é um problema.

Por que o novo Windows não convence? O problema, para muitos, começa na nova interface de usuário, a Modern UI (que antes se chamava Metro UI). O público tradicional do Windows simplesmente não entende como essa nova interface realmente funciona, e esse é um grande calcanhar de Aquiles do Windows 8.

Devemos pensar que o conhecido botão Iniciar, que está no Windows desde 1995, simplificou tudo para todo mundo. Eu não tenho muitos problemas com o Windows 8, e a proposta da nova interface me agrada, mas muitas pessoas que viveram com uma interface durante quase 20 anos encontram dificuldades em realizar tarefas simples, como fechar programas, ou desligar o computador.

O Windows 8 já tem um bom tempo no mercado, mas a maioria das pessoas simplesmente não o entende. E isso é compreensível. A maioria dos usuários de computador do mundo são usuários iniciantes, com necessidades mais básicas. Pior: para muitos, alguns programas que eram utilizados todos os dias simplesmente “desapareceram”, deixando de ter um acesso prático e rápido.

Entendo as intensões da Microsoft em dar um passo além do tradicional, tentando mudar a forma como interagimos com o nosso computador. Porém, as mudanças propostas pelo Windows 8 foram bruscas demais para despertar tão baixo interesse das pessoas na atualização. Muitos testaram e voltaram para o Windows 7 por causa de detalhes muito simples, como por exemplo a exclusão do gerenciador de conexões sem fio, que é uma opção importante para muitos usuários de computadores portáteis.

Segundo novos dados vazados sobre a próxima versão do Windows (por enquanto, Windows 8.1), o botão Iniciar deve voltar à área de trabalho dos usuários. Talvez a própria Microosft pode ter se dado conta que, ao menos sem uma tela touchscreen, a nova interface de usuário não é tão cômoda como eles mesmos acreditavam ser.

Outro ponto muito importante relacionado ao Windows 8 é que realmente ele não vendeu o esperado por causa do fato que no modo Desktop, ele não traz nenhuma novidade real. Pelo contrário: não tem o botão Iniciar. Todas as novidades se centam no Modern UI, mas se utilizamos a área de trabalho tradicional para uso profissional (que é realmente útil), não há muitos motivos para sair do Windows 7 para o Windows 8.

Não duvido que a estratégia da Microsoft é a longo prazo, e que no futuro, os seus resultados devem ser prósperos. A primeira vez que a nova interface do Xbox 360 apareceu, ela foi muito elogiada. Entendo que os planos da empresa se centraão em unificar a experiência de uso entre tablets, o seu console de videogames e smartphones com Windows Phone. E essa é uma ideia fantástica. Porém, aplicar esse conceito aos desktops ainda não parece ser uma boa ideia.

Fico na espera que o Windows 8.1 (ou Windows Blue) integre algumas funcionalidades para facilitar o uso da plataforma nos computadores tradicionais, sendo ao menos tão funcional quanto era o Windows 7 e os seus predecessores.