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Hoje, eu uso regularmente pelo menos dois smartphones para minhas atividades pessoais e profissionais. Um iPhone 4, com tela de 3.5 polegadas, e um Motorola RAZR i, com tela de 4.3 polegadas. Confesso que já começo a pensar no Motorola RAZR HD, ou no Nexus 4, que contam com telas maiores, mas não tão grandes a ponto das pessoas acharem que estou com uma Havaianas no bolso. Então, na semana passada, vem a Samsung e lança uma nova linha de smartphones que são quase Havaianas com tela sensível ao toque.

A nova linha Galaxy Mega conta com modelos com telas de 5.8 e 6.3 polegadas, algo que é considerado por mim um exagero (ou um ato megalomaníaco do J.K. Shin). E eu me pergunto: quando é que foi que as telas dos smartphones cresceram desse modo, e a gente nem percebeu?

Eu me lembro do meu primeiro smartphone com teclado QWERTY, um Nokia E71, e era feliz com aquela tela de 2.36 polegadas. Na verdade, nem foi esse o meu primeiro smartphone. Comecei o meu mundo dos telefones inteligentes com um Nokia E51, que tinha uma telinha inferior a 2 polegadas. Dava até para navegar na internet, receber e-mails, rodar uns jogos… ninguém reclamava. Mas aí, veio o iPhone, com sua tela sensível ao toque de 3.5 polegadas, mostrando como era legal ter o controle da internet com o simples toque dos dedos, e pronto. As telas começaram a crescer.

De fato, a possibilidade de oferecer uma navegação de internet móvel mais amigável e intuitiva foi o motivo inicial para as telas dos smartphones aumentarem de tamanho. Foi um movimento natural, uma vez que o próprio mercado mobile na época encontrava mais um forte argumento para lançar novos produtos, explorando um novo segmento de usuário que estava nascendo.

Os demais fabricantes que abraçaram o sistema Android embarcou nessa onda, sem medo de ser feliz. Principalmente a Samsung, que é a dona do bordel da metragem (com todo respeito à Samsung, mas na prática é isso mesmo). Na sua bem sucedida linha Galaxy S, eles já lançaram a primeira versão do produto com tela de 4 polegadas. Depois, só foram aumentando, mesmo que fosse por questão de milímetros: 4..2″ (Galaxy S2), 4.8″ (Galaxy S3) e 4,99″ (Galaxy S4). E você gostando ou não da Samsung, deve admitir que, se temos smartphones com telas maiores hoje, também é por causa deles.

A Samsung foi a primeira a sacar que, com telas maiores, os usuários não só vão poder navegar nas páginas de internet de forma mais prazerosa em seus smartphones, como vão poder realizar melhor as tarefas consideradas mais “casuais”, como ver vídeos na web ou armazenados no dispositivo, jogar alguns jogos com alta resolução de imagem, se comunicar com amigos e familiares de forma mais eficiente por texto… ou seja, sabiam o que as pessoas queriam fazer com telas maiores nos telefones.

Criando assim a geração dos “usuários de conteúdo multimídia”.

Também é bom lembrar que esse movimento acompanha o próprio crescimento da internet, e do que as pessoas mais consomem na web. O Facebook recentemente decidiu colocar as fotos dos usuários em tela cheia, pois é isso o que eles mais postam na sua rede. Hoje, as pessoas gastam mais tempo vendo vídeos no YouTube do que acessando blogs sérios de tecnologia (tá, sei…). Logo, por que não deixar os smartphones do jeito que as pessoas querem, para que elas possam usar cada vez mais e melhor esses produtos.

Esse movimento de “vamos aumentar a tela dos smartphones” acabou convencendo a Apple a aumentar em 0.5 polegada a tela do iPhone 5, mostrando que sim, essa área maior oferece uma melhor experiência de uso.

Porém, a coisa parece que saiu do controle completamente.

Com a Samsung lançando um smartphone com 6.3 polegadas, eu começo a imaginar que realmente vamos chegar ao ponto de levar um tablet no bolso. Afinal, é mais prático (o que são 0.7 polegada a mais, não é?). Ok, eu também compreendo que um grande grupo de usuários está querendo ter “o meio termo” entre smartphone e tablet, para não precisar ter dois produtos diferentes, e só ter que levar um deles em suas jornadas diárias. Mas também entendo que um gadget com tela de 5 polegadas é o limite do aceitável, não só pela questão estética, mas até mesmo pela funcional.

Eu não sei você, mas para mim, fica complicado sair com um trambolho com tela de 6.3 polegadas no bolso. Se vivo em um grande centro, esse negócio chama a atenção quando retirado do bolso. Ah, e não me venha com a desculpa do “use um fone Bluetooth ou os fones de ouvido”. Não é em todo lugar que você pode utilizar esse tipo de acessório.

Além disso, para quem usa roupas mais despojadas (eu mesmo uso bermudas quase o tempo todo), é meio inconcebível você sair para passear no shopping no final da tarde de sábado e ter um volume na parte da frente, denunciando “o quanto você está feliz” por aquele passeio. Pega mal!

Tá, pode parecer besteira o que acabei de dizer. Mas partindo pelo lado prático da coisa, uma tela de 6.3 polegadas pode ser desconfortável em algumas situações, como por exemplo na digitação ou na operação de algumas tarefas específicas. Uma tela de 5 polegadas é o limite para que os seus polegares se posicionem de forma confortável na tela, sem causar fadigas. E fica bem no limite de ser um “phablet”: não é nem um smartphone, pois sua tela é um pouco maior que a média, nem um tablet, pois não tem um tamanho compatível para isso.

Enfim, quero fugir de levar uma Havaianas com tela no bolso. E você?