Sábado (20/04), eu fiz a minha visita semanal ao centro de minha cidade (Araçatuba/SP), com um objetivo em mente: “namorar” o LG Nexus 4. E posso dizer que estou apaixonado pelo smartphone do Google. Tive que me segurar para não jogar o cartão de crédito na cara do vendedor que me atendeu, mas esse assunto não está em questão agora. O fato é que, antes de fechar a compra, eu queria consultar o meu controle financeiro, em uma tabela salva no Google Drive, pelo smartphone. Mas para minha surpresa, quando eu fui precisar da já citada conexão 3G para buscar meus dados no Google…

Bom, resumindo: controlei o impulso de comprar o aparelho (mesmo testando ele na loja por quase uma hora), até porque não tinha a certeza se poderia ou não bancar a aventura financeira naquele momento. Porque o 3G não funcionou na hora que eu precisava.

A operadora em questão (Vivo), nos últimos meses, vem piorando a qualidade dos seus serviços. Na qualidade da internet, eu já estava observando isso a algum tempo, onde, mais uma vez, eu afirmo: o 3G por aqui simplesmente não existe. Tenho que me virar com o EDGE, principalmente quando estou usando o iPhone (no Android, de vez em quando, ele está funcional). Na qualidade de chamadas, nessa semana, deixei de fechar negócios importantes porque a rede da Vivo não completava chamadas para o meu número de São Paulo.

Mas isso não é uma exclusividade da Vivo. A linha da Claro da minha esposa também deixa de receber chamadas, ou não consegue ter uma boa qualidade em algumas ligações. A TIM aqui é um lixo! Não conseguem cadastrar chips para acesso à internet no pré-pago, e poucas áreas da cidade são cobertas com um sinal 3G eficiente. E a Oi sofre de quedas constantes de sinal (segundo algumas pessoas que utilizam a operadora por aqui).

Tá, eu sei que você vai me dizer que sua operadora é ótima no lugar que você mora. Eu digo: “que sorte a sua”, e aconselho que você saia da bolha, já que o Brasil é enorme. Nas últimas semanas, as principais operadoras realizaram lançamentos relacionados ao 4G nas capitais brasileiras, prometeram uma expansão rápida do 4G no país nos próximos anos, além de uma promessa pouco convincente de melhora nas redes 3G. Algo que, particularmente, duvido que aconteça (como em muitas coisas que são prometidas na banda larga móvel brasileira).

Agora, se temos esses problemas hoje, imagina nos próximos anos, com eventos de grande porte acontecendo? Será que realmente todos aqueles que vão visitar o Brasil durante a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos contarão apenas com dispositivos 4G, resolvendo todos os problemas do Governo Federal? É um mundo dos sonhos para as operadoras de telefonia móvel, certo?

Mas… e os atuais consumidores? Aqueles que hoje usam o 3G, que pagam caro por uma conexão de banda larga pós-paga? O que serão deles? Ficarão relegados aos serviços deficientes, sem fiscalização adequada da Anatel, que só sabe aplicar multas (que para as operadoras, é dinheiro de pinga) no lugar de adotar medidas mais drásticas e permanentes? Pelo andar da carruagem, dá para imaginar que sim, uma vez que desde que a Anatel começou a pegar no pé das operadoras, todas elas acabaram piorando o produto final entregue para o consumidor.

Por fim, quem perde com isso é o usuário, que não tem por onde correr. Somos condenados a ficar com aquela que é a “menos pior”, e contar com a sorte que o nosso telefone funcione quando precisamos. Não venha me dizer que seria muito mais prático resolver tudo pela internet ou via Skype. Eu até concordo, mas no Brasil, isso é impraticável. Algumas comunicações são mais objetivas quando feitas por telefone mesmo, e quando você tenta utilizar o Skype pelo smartphone, a sua conexão 3G não funciona, deixando a conversa ininteligível. E fechar negócios pelos chats do WhatsApp ou do Facebook ainda não é uma prática bem vista comercialmente por todos.

Ou seja, se o 3G no Brasil está desse jeito hoje, imagina o 4G na Copa do Mundo? E quem vai pagar o pato (ou elefante na sua sala) dessa conta sou eu, você, e todo mundo que gostaria de uma internet móvel de boa qualidade no país. Ou pelo menos uma internet móvel que a gente pudesse chamar de “razoável”.