A pandemia do HIV/AIDS impulsionou a busca desenfreada por vacinas que podem prevenir o ataque do vírus. Até agora, 35 milhões de pessoas morreram com a doença, e a necessidade de encontrar ferramentas para frear e curar a doença conta agora com uma nova aliada: a vaca.

Um estudo publicado pela revista Nature demonstra que as vacas podem produzir anticorpos para inibir múltiplas variações do HIV, depois de imunizar de forma repetida em vacas com uma molécula similar a uma proteína presente no revestimento do vírus.

Esse tipo de anticorpos podem bloquear vários subtipos de HIV, algo que é considerado fundamental para prevenir a infecção. O estudo comprovou que as vacas podem produzir os anticorpos neutralizantes de forma rápida, algo que não se conseguiu em humanos ou em outros modelos animais testados até agora.

A maioria das vacinas induzem uma resposta ao sistema imunológico baseado em anticorpos neutralizantes, que se unem aos vírus bloqueando sua capacidade de infectar as células.

No caso do HIV, não é possível encontrar uma vacina segura e eficaz para promover o desenvolvimento de anticorpos que reconheça o vírus e freie o seu ataque.

O estudo com as vacas pode ajudar no desenvolvimento de novas vacinas, mas ainda não sabemos se o mesmo foco bem sucedido com as vacas vai funcionar com os seres humanos.

Até agora, ninguém conseguiu identificar uma molécula que provoque uma resposta imune, que seria capaz de gerar anticorpos neutralizantes contra o HIV mediante a vacinação.

Entre 10% e 20% das pessoas infectadas com HIV podem desenvolver anticorpos neutralizantes de forma natural, algo que acontece dois anos depois do ataque do vírus. Os anticorpos inibem o vírus nos ensaios realizados no laboratório em células humanas e em modelos animais, mas nenhuma estratégia efetiva promove sua produção através de uma vacina. Até agora.

 

 

Porém, as quatro vacas estudadas produziram anticorpos com um grande potencial de neutralização contra o HIV entre 35 e 50 dias após as injeções. Os resultados mostram que, depois de imunizar as vacas, um dos animais produziu anticorpos que, por 42 dias foram capazes de bloquear 20% dos 117 subtipos de HIV analisados. E essa porcentagem subiu para 96% após 381 dias.

Esse trabalho recém publicado mostra a maior capacidade das vacas em inibir múltiplos subtipos do HIV. Os resultados indicam que alguns dos problemas na hora de desenvolver uma estratégia para frear a infecção podem acontecer pelo limitado leque de anticorpos de origem humana.

Por outro lado, a rápida resposta observada em vacas sugere que elas podem ser um bom modelo para gerar anticorpos, e assim ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de vacinação. É um passo muito importante para alcançar a tão esperada vacina contra o HIV, mas ainda estamos longe de uma ferramenta segura e eficiente para a prática clínica.

 

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