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Eis uma situação que se repete com maior frequência: uma ideia feliz, que aparece durante um banho ou um passeio no final de semana, se transforma em algo que não podemos deixar para depois. Esse insight que passa na mente pode se transformar em milhares de linhas de código.

Um primeiro esboço na tela do computador oferece uma dimensão mais próxima da realidade daquilo que era apenas um pensamento a alguns dias. Compartilhamos a ideia com amigos, muitos ficam admirados com sua descoberta, nosso entusiasmo aumenta, e o que antes era um projeto se transformou em um aplicativo que, com um pouco de sorte, pode se transformar um dia em uma nova fonte de renda para aquele desenvolvedor.

Depois da versão definitiva do app ser enviada para sua validação e posterior publicação, chega a hora da verdade. E o sucesso não demora a chegar. O aplicativo, que é gratuito, se transforma em um sucesso de downloads, com milhares de usuários. Em poucos dias, o app é um dos mais baixados da loja, em em poucos meses, aquela que foi uma ideia obtida durante o banho se transforma em um fenômeno de massas, com um crescente número de usuários.

Ou seja, você alcançou o sucesso, certo? Será mesmo?

Na verdade, o processo que descrevi acima é muito comum entre os desenvolvedores, mas os poucos que alcançam realmente o sucesso com um aplicativo popular se deparam com um grande dilema: como monetizar o aplicativo? Ou melhor: como começo a ganhar dinheiro com essa ideia que, sem sombra de dúvidas, é uma ideia vencedora?

A primeira grande tentação é lançar uma versão paga do aplicativo, onde o usuário deve pagar para fazer o download do aplicativo. porém, esse sistema torna as coisas um pouco mais difíceis, uma vez que se você for um desenvolvedor novo, você não tem o mesmo prestígio adquirido por aqueles que passaram anos da sua vida criando aplicativos, e é muito mais difícil que o seu aplicativo seja um sucesso sem ter essas mesmas credenciais. Lançar um app gratuito no mercado facilita muito o panorama, e contribui a sua elevação nos rankings de download, caso a sua ideia seja realmente boa.

Porém, você continua sem ganhar dinheiro com o aplicativo. O que fazer então?

Essa é a grande pergunta que milhares de desenvolvedores independentes e empresas desenvolvedoras de software tentam responder. A opção mais interessante seria a da inserção de publicidade nos aplicativos, e convidar o usuário a passar para um plano pago, para evitar os incômodos anúncios. Afinal de contas temos que reconhecer que custa muito pouco liberar um espaço precioso de sua tela do smartphone.

Mas essa ainda é uma situação estranha para muita gente: o desenvolvedor se vê obrigado a limitar a experiência de uso do seu aplicativo para oferecer algo ao usuário que, na realidade, detesta receber isso, mas que em muitos casos, preferem ficar com as publicidades na tela do que pagar pela conveniência de uma interface mais limpa. Para o anunciante, essa é uma solução cada vez menos efetiva, baseada no perfil atual.

O formato de publicidade em aplicativos está perdendo força. Então… o que fazer?

Ben Silberman, co-fundador do Pinterest, anunciou na última semana que vai monetizar o seu serviço. O próprio destacou no seu comunicado os incômodos que as janelas pop-ups ou banners causam ao usuário, e sugere que o serviço passe a oferecer um material patrocinado que seja realmente interessante ao usuário.

O eufemismo de suas declarações existe, mas ao que parece, a única forma viável de se obter algum lucro com uma geração que não quer pagar por nada é veiculando conteúdos pagos entre aqueles listados. Mas esta não é a única forma: o Evernote propõe um serviço gratuito plenamente operacional, mas oferecendo a opção de passar para uma versão Premium (algo que a maioria dos usuários não precisam fazer), que serve para detectar quais são os usuários que realmente estão satisfeitos com o produto.

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De alguma forma, essa minoria de usuários está disposta a pagar pelos aplicativos, de modo a não ver mais os banners de publicidade sendo exibidos pelo app. Talvez os cliques em conteúdos patrocinados, porém, relevantes, seja a saída. Além disso, a estratégia de sugerir o “pague se você estiver contente conosco” pode ser outra alternativa. Veja o caso do Feedly, por exemplo. Eles herdaram muitos usuários do finado Google Reader. Logo, nada mais justo sugerir que o usuário pague um pouco para obter mais recursos do que a versão gratuita do aplicativo.

É uma forma mais simpática de convencer as pessoas a utilizarem os seus cartões de crédito, e parece satisfazer todas as partes envolvidas. Porém, a dúvida permanece no ar: vale a pena pagar por um aplicativo financiado diretamente no desenvolvimento? OU vamos seguir instalando apenas os aplicativos gratuitos, e vamos nos indignar quando os desenvolvedores cobram R$ 2 por ano para manter o aplicativo em constante desenvolvimento?

Na minha opinião, todo trabalho tem seu preço, e todo mundo que produz algo relevante para as pessoas merece receber por isso. Mas essa é apenas a minha opinião.