Quando escrevi a pauta do TechTudo sobre as declarações de Steve Wozniak sobre o sistema operacional do Google (clique aqui para ler), eu imaginei que ia dar polêmica. Afinal de contas, estamos falando da Apple, a “virgem imaculada” da tecnologia, onde todo e qualquer ser que se interessar por outro sistema operacional móvel que não seja o iOS merece ser expurgado da existência terrena, e é um burro sem cérebro, que não entende nada de tecnologia (isso, na opinião dos fanboys e MacFags doentes, quero deixar bem claro). Pois bem… e quando um de seus deuses resolve dizer abertamente que o concorrente está à frente em pontos específicos, criticando aquilo que está errado no tão adorado iOS?

Eu poderia dizer aos MacFags “cadê teu Deus agora”, mas não ia adiantar. Provavelmente, eles iriam dizer que o Deus deles morreu em 5 de outubro de 2011.

Mas, tais declarações de Woz provam que muito paga-pau da Apple só é assim por causa de Steve Jobs. Tudo bem, era direito dele odiar um sistema que hoje domina o mundo, e se mostra tão maduro quanto o iOS. Mesmo porque tal dominação mundial significa menos dinheiro nos cofres de Cupertino ou, na pior das hipóteses, não contar com o status de ser o #1 no mundo mobile. Agora, usuários que pagam caro para ter um produto ficarem com essa lambeção de saco, achando que tudo na Apple é perfeito (e não é: bem-vindos ao mundo real), que ninguém pode criticar a empresa, e que qualquer crítica é digna de processo? Calma lá, vamos devagar com o fanatismo.

Para começar, Wozniak não desmereceu o iOS ou o iPhone (criticaram até mesmo o fato da matéria ter colocado a briga Android vs iPhone; galera, existe algum outro smartphone no planeta que usa o iOS? Não, certo?). O telefone pessoal dele é um iPhone, e todo mundo sabe disso. Porém, bem sabemos que ele tem um Galaxy Nexus no bolso, smartphone esse que está sendo considerado por muitos lá fora como “o melhor Android já lançado” (aqui no Brasil, ele vai se chamar Galaxy X, por causa de direitos na nomenclatura, e deve chegar ao mercado até o final do primeiro trimestre), e isso lhe dá direitos sim de elogiar o “inimigo”.

O ponto mais interessante de suas declarações é que ele salientou que o Android foi feito “para quem quer explorar mais possibilidades”, enquanto que o iPhone foi feito “para quem quer utilizar os recursos de forma mais simples”. E concordo com ele. O sucesso do iPhone se deu porque deixou tudo muito simples. E isso não é algo ruim. Foi ótimo porque ingressou muitas pessoas que não tinham nenhum contato com tecnologia, ampliando assim o leque comercial da Apple. E, no final das contas, tecnologia tem que servir para isso mesmo: abraçar o maior número de pessoas. Tudo bem, tivemos o efeito colateral disso: agora, qualquer imbecil que sabe selecionar um ícone em uma telinha acha que é expert em tecnologia móvel, mas deixamos isso de lado.

Fato é que, agora que estou com um contato bem mais próximo com o sistema do Google, vejo que ele é mesmo mais complexo de se trabalhar, principalmente nas suas configurações. Para a maioria dos usuários, o excesso de menus e itens de ajustes podem tornar o sistema mais confuso. Em compensação, para quem dedicar um pouco mais de tempo para aprender como o sistema funciona, pode tirar muitas vantagens. Fato é que o Android é mais completo no seu ajuste fino, oferecendo alternativas que no iOS “nativo” não são possíveis (meu iPhone tem Jailbreak, e aí, a coisa muda de figura).

Não vou negar que minha experiência com o Android tem sido muito prazerosa. Mesmo em operações de risco, como o rooteamento ou troca de firmware, a tarefa é relativamente simples (para quem tem experiência no assunto, ou para quem tem culhões de fazer, mesmo correndo risco de perder o seu smartphone). Hoje, uso bem mais o telefone Android do que o iPhone, mas isso não significa que abandonei o iOS de vez. Eu mantenho o meu objetivo de ter pelo menos um smartphone de cada sistema operacional (incluindo o novo Nokia Belle e o BlackBerry), porque acredito que, para ser bom, tem que saber mexer em todos. Ficar preso a um sistema, ainda mais para quem escreve sobre tecnologia, é burrice (na minha opinião).

Então… fanboys, MacFags, fãs mais fervorosos da Apple…. Steve Wozniak é agora um “anti-cristo” para vocês? Eu acho que não. Mas, com tais declarações, ele deixa uma lição. Diferente de Jobs, não há motivos para vocês odiarem o outro sistema. Afinal de contas, se vocês pagaram por um iPhone, explorem ao máximo os pontos positivos do SEU iPhone, e deixa a galera do Android ser feliz. Senão, vai parecer aquela invejinha ridícula, da vizinha de quarteirão de 60 anos de idade, que ficou sabendo que a outra vizinha, que tem 70, está namorando um moço de 30 (bem dotado, por sinal), enquanto ela tem que aguentar aquele velho de 65 roncando no sofá durante o Domingão do Faustão.

Tá, exagerei. O iPhone não é um velho roncador. Mas, tantos protestos contra o Android é só mais uma prova do “medinho” que o sistema do Google causa.

Bom, vocês me entenderam (se não entenderam, paciência. Afinal, vocês não sabem mexer em outro telefone que não seja o iPhone mesmo….)

Abraços!