Uma das notícias de maior destaque no dia de hoje (22) foi a informação do instituto GFK, que afirma que o Xbox 360 é o console com maior participação de mercado no Brasil da sua geração, com 85% de participação de mercado. Se levarmos em conta todos os consoles ainda produzidos no Brasil (indo do Master System até o PlayStation 2, passando pelos consoles “alternativos” de outros fabricantes), a participação do console da Microsoft no ano passado já era de 65%, um ano depois do inicio da fabricação local do console. E posso dizer que esses números não me surpreendem.

Recentemente, escrevi aqui no meu blog sobre o sucesso do Xbox 360 no mundo dos consoles, sendo este o console mais comercializado no mundo. Mas talvez o que chame a atenção no estudo da GFK seja justamente essa vantagem considerada acachapante entre o console da Microsoft e os demais (PlayStation 3 e Nintendo Wii). Que o Xbox 360 era líder de mercado, eu já imaginava. Mas não com uma vantagem tão ampla. Mas isso pode ser explicado por alguns fatores.

O primeiro, e o principal deles, é o preço do produto. O valor do Xbox 360 na sua versão mais básica é de R$ 799 (preço sugerido pela Microsoft). Isso é possível porque o console é fabricado no país, recebendo todos os incentivos fiscais do Governo Federal, o que possibilita a redução do preço do produto, que antes custava R$ 1.199. O seu principal concorrente, o PlayStation 3, está disponível na sua versão mais barata por R$ 1.299 (preço sugerido pela Sony). É claro que você pode encontrar o PS3 por um preço mais barato nos mercados “alternativos” (a.k.a. Mercadolivre), mas esse não é o índice adotado para essa análise de mercado. O PS3 deve sofrer uma redução de preços drástica no Brasil, uma vez que sua produção nacional já foi aprovada, e deve começar ainda em 2013. Mas até lá, o Xbox 360 será dominante em vendas.

O segundo fator está na implementação na oferta de conteúdo da rede Xbox Live. A Live da Microsoft tem mais de 10 anos de vida, e nesse período, cresceu de forma exponencial. No Brasil, mesmo contando com um conteúdo consideravelmente menor que a Live norte-americana, a oferta de conteúdos aumenta de forma considerável. Hoje, a Live oferece recursos de navegação na web, SkyDrive, músicas, vídeos, integração com o Windows 8 e o Windows Phone, aplicativos de streamings de vídeo e, é claro, jogos. Além disso, a tendência de usuários em jogar online é cada vez maior, e em uma rede estável e com boa qualidade final. Você pode até reclamar em pagar R$ 89/ano para assinar a Xbox Live Gold para jogar online. Mas é esse investimento extra que garante uma maior estabilidade e qualidade da Live nesse aspecto. Além disso, para quem pagou R$ 800 (no mínimo) em um console de videogames (que vai além dos jogos, diga-se de passagem), pagar (em média) R$ 7.42/mês não quer dizer nada, certo?

Outro motivo puxado pela Live é a oferta de preços mais competitivos para os jogos. É claro que o ideal é que os jogos custassem menos, e que os lançamentos viessem por preços “compráveis”, e não custando entre R$ 180 a R$ 200. Mas existem outras alternativas. A própria Live oferece alternativas de jogos via download, com preços bem razoáveis. Exemplos: jogos da série Need for Speed custando entre R$ 39,00 e R$ 79,00, Sonic 4 Episode 1 e 2 por menos de 2 mil MS Points, entre outras alternativas. Isso, sem falar que você pode aproveitar promoções em lojas de e-commerces e as ofertas de compra/venda/troca nos mercados alternativos. Você não precisa ficar com um jogo o resto da vida. Zerou? Sabe que não vai jogar mais? Passa para frente, coloca um pouco mais de dinheiro em cima e compra outro jogo. Simples assim.

Por fim, o fator pirataria. Mesmo que a GFK não coloque esse fator, temos que colocar nessa lista, mas com algumas observações. O Xbox 360 é mais fácil de ser pirateado que o PlayStation 3, e o único efeito colateral (na teoria) é que você é banido da Live. Diferente do PS3, que em algumas atualizações simplesmente inutilizava o console em caso de tentativa de destravamento. Bem sei que o mercado pirata ainda movimenta muito dinheiro, e faz com que a Microsoft e outras fabricantes de games ainda tenham prejuízos (ou lucros menores). Porém, 2012 registrou um índice de vendas recorde no mercado de vendas de jogos para consoles no Brasil, e esses índices sobem a cada ano. O perfil do consumidor brasileiro de games está mudando. Já não encontro tantas unidades do Xbox 360 desbloqueado no mercado “alternativo”, e os estudos da GFK também levam em consideração o volume de vendas de consoles através de pontos de venda oficiais.

Na verdade, torço para que o cenário de games em 2013 seja ainda mais competitivo e dinâmico. Torço para que o PS3 caia de preço, para que os preços sejam mais justos, e para que o Brasil possa se tornar de forma efetiva um dos principais mercados mundiais de games. A pesquisa mostra apenas o que é fato a alguns anos: a opção da Microsoft é mais “econômica”, e para muitos, mais vantajosa na sua relação custo/benefício, por diferentes fatores. E que 2013 seja ainda melhor nesse sentido. Para “sonystas” e “caixistas”.