3d_tv3home

Um dos primeiros posts que publiquei na minha vida de blogueiro foi em 2008, falando da Philips, que pretendia trazer para os lares brasileiros as primeiras TVs em 3D no ano de 2013 (clique aqui para ler). Não era um exercício de futurologia. Era apenas uma informação informada pela própria empresa. Pois bem, estamos em 2013, e a TV 3D morreu. Como isso aconteceu?

É bom lembrar que o mundo das TVs 3D chegou ao Brasil antes da previsão da Philips. Já em 2010, nós tivemos os primeiros testes da tecnologia, e em 2011, as primeiras unidades começaram a chegar ao mercado (e não foram da Philips, detalhe). Dito isso, a revolução de consumo de conteúdos televisivos não aconteceu na esfera tridimensional, mas sim, por outros meios: internet, imagens em resolução 4K, streaming de vídeos, IPTV… todos esses recursos estão em maior evidência hoje do que as TVs 3D.

Mas… por que isso aconteceu?

O primeiro motivo foi a falta de timing dos fabricantes. O fato do cinema se voltar ao 3D não significava necessariamente que os lares dos usuários adotariam tal recurso, pelos mais diferentes motivos. Desde o tamanho da sala de sua casa até a deficiência visual de sua avó, era muito cedo para uma invasão de TVs 3D no mercado.

Ah, antes que você diga: eu não estou falando apenas do mercado brasileiro. O problema é em âmbito mundial.

O segundo motivo foi a dificuldade dos usuários em assimilarem o formato, o que nada mais é do que uma variante do primeiro, mas vou elaborar melhor, para que você não me chame de redundante. Quando vamos ao cinema assistir um filme em 3D (e até em 2D), nos focamos exclusivamente no filme que está passando (ou quase: tem sempre uma chata que fica falando no WhatsApp com a amiga, ou aquele viciado em redes sociais narrando o filme).

Quando estamos assistindo televisão, nosso foco não está 100% naquilo que estamos assistindo. É comum ver pessoas com a TV ligada mexendo no tablet ou smartphone, lendo o jornal do dia, a revista da semana, trabalhando (meu caso nesse momento) ou até transando (meu caso depois que eu terminar esse post).

Agora, pense nessas diversas atividades com um óculos 3D na sua cara. Não é algo muito confortável, certo?

O terceiro motivo é o mais óbvio do mundo: o preço.

TVs 3D ainda não são baratas. Os fabricantes agregam o valor tridimensional como fator inflacionário, e isso se reflete no valor final dos televisores com tal característica. No final das contas, o consumidor prefere ter uma qualidade de imagem melhor, ou uma tela maior, do que ver o Faustão dentro da sala de sua casa, tal como eu disse em 2008.

O quarto motivo é a baixa demanda de conteúdos nesse formato. O acervo de filmes em 3D para os formatos domésticos é fraco, e na televisão, o único canal que explorou de forma mais intensa o formato (Rede TV!) abandonou o projeto de colocar o Nelson Rubens na sala de sua casa. Mas também, pudera: é a Rede TV!, que não tem grana para pagar seus funcionários…

E não foi só no Brasil que os canais desistiram do 3D. Nos Estados Unidos, a ESPN já anunciou o fim do seu canal em 3D, e na última semana, a BBC vai encerrar o seu projeto tridimensional em novembro, com um especial de 50 anos de Doctor Who.

O pior é que nem o mundo dos games salvou o 3D doméstico. Nenhuma fabricante de consoles domésticos explora de forma incisiva os games tridimensionais, pois sabem que isso mais atrapalha do que ajuda os gamers. Na verdade, irrita uma grande parte deles.

Resumindo: o 3D doméstico está morto. Bom, se não morreu, estão desligando os aparelhos.

É melhor apostar na evolução do 4K, que pelo menos não exige que você use um óculos para ver um jogo de futebol. É claro que em 2018 eu posso voltar a esse blog e dizer “errei, e daí”. Mas a acessibilidade que a tecnologia 4K oferece é muito maior que a 3D, o que já é uma vantagem considerável para a maioria das pessoas. Inclusive para a sua avó, que sofre de catarata (ou estigmatismo, vai saber).

Eu mesmo vou guardar o meu rico dinheirinho para comprar uma TV 4K. E você?