Eu sei. É um número alto. 4385 é um número bem alto. Mas é o número que vai me fazer feliz.

Um monte de gente que eu gosto e respeito (algumas dessas pessoas eu aprendi a amar com o passar do tempo) passou um bom tempo falando me dizendo: “não desiste… continua lutando… viva o presente… vai atrás dos seus sonhos…”. Eu decidi ouvir todas essas pessoas, e hoje moro em Florianópolis (SC), estou nos melhores corais da cidade, consigo pagar (algumas) das minhas contas e tenho um sol ótimo entrando na minha janela.

Agora… estão dizendo que 4385 é um número muito alto?

Se você pensar em todos os dias que eu já vivi em 40 anos, o número passa de 14.600 (e eu nem contei os anos bissextos nesse resultado). Se considerar que eu sempre participei de mais de um coral na vida, e que cada um dos grupos ensaia pelo menos duas horas por ensaio, duas vezes por semana, eu já fiquei mais de 9.216 horas da minha vida cantando (em 24 anos de prática de canto coral, sem falar nas apresentações, ensaios extras e churrascadas que os grupos organizaram ao longo desse tempo).

Como editor de tecnologia, eu trabalho pelo menos seis horas por dia na frente do computador, de segunda a sexta. Eu faço isso há 11 anos. Logo, são pelo menos 15.840 horas produzindo conteúdos para a internet (não coloco na conta os finais de semana e feriados que eu trabalhei, nem os horários extras ao qual me dediquei a essa produção de conteúdo).

Ou seja, os números são sempre relativos. Para mim, 4835 é um número baixo diante de tanto tempo na vida que eu investi nas coisas que eu mais queria.

Hoje, eu lido com o tempo como uma questão de investimento. Evito dizer que eu perdi tempo na vida com coisas e pessoas que me fizeram infeliz, e cada vez mais eu estou abandonando o conceito do “o melhor tempo da minha vida foi lá atrás”. Sim, foi ótimo, e sinto saudades do que já passou. Na verdade, eu penso que poderia ter aproveitado melhor o que eu vivi no passado e que foi tão precioso que, até hoje, eu trago para o meu presente como um elemento positivo para a minha construção de narrativa presente.

E saber trabalhar com a nostalgia é saber envelhecer.

Eu adoro o tempo presente em que eu vivo. Apesar de todos os aborrecimentos e dificuldades, eu estou vivendo um momento que é pleno em minha vida. Eu escolhi estar aqui, e esse foi um dos maiores presentes que eu me dei. E foi aqui que eu pude potenciar esse investir o meu tempo no que eu gosto de fazer e nas pessoas que eu gosto de ter por perto.

É claro que eu acabo correndo um pouco mais que os outros, e em uma cidade onde as pessoas sabiamente caminham com tranquilidade, admirando a paisagem. Eu ainda estou aprendendo com eles.

Mas… por enquanto… ainda preciso dos 4385 piscando na minha cabeça. Pois no lugar de andar, eu optei por pedalar. Andar a 25 km/h me leva mais longe e mais rápido, mas me oferece sanidade mental diante da loucura que é a minha vida, cheia de imprevistos, dificuldades e compromissos.

A vida que eu adoro viver se torna mais prazerosa quando eu estou pedalando, sentindo o vento no rosto e com a Beira Mar Norte como cenário dessa pedalada.

Por isso… 4385 é um número baixo e perfeitamente alcançável.