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5 motivos para a Marvel mostrar o novo uniforme do Homem-Aranha em “Um Novo Dia” antes de qualquer outra coisa sobre o filme

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A “Casa das Ideias” está trabalhando de forma intensa. E precisa, pois perdeu público e interesse nos últimos anos. E sem esses dois fatores, até mesmo o emprego de Kevin Feige está ameaçado na Disney.

Que a Marvel Studios está em uma crise criativa, todo mundo sabe. O que muita gente não esperava é que o estúdio iria apelar de forma quase flagrante, apresentando o novo uniforme do Homem-Aranha para o filme “Um Novo Dia”.

Tal detalhe normalmente seria apresentado em algum momento no futuro ou mais adiante, quando as filmagens estivessem finalizadas. Mas não foi isso o que aconteceu, e muitos estão tentando entender por que a Marvel Studios fez isso.

Sim, é pelo hype. E não é só culpa da Marvel, já que é a Sony quem banca o projeto. Existem outros fatores que explicam essa decisão.

 

A crise financeira da Marvel Studios nos cinemas

A Marvel Studios enfrenta uma das piores crises de sua história recente, com apenas um sucesso comercial entre seus últimos cinco lançamentos. “Deadpool & Wolverine” foi a única produção que conseguiu atrair o público massivamente, enquanto filmes como “As Marvels” e “Thunderbolts” decepcionaram nas bilheterias.

A situação se agrava quando concluímos que produções como “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” também não conseguiram gerar o entusiasmo esperado. E a sequência de fracassos comerciais coloca em xeque a fórmula que tornou o estúdio uma potência cinematográfica global, forçando uma reavaliação estratégica urgente.

Logo, revelar o novo uniforme de Peter Parker para um filme que só será lançado no ano que vem é uma forma de desviar o assunto indigesto, levantar o hype e lembrar para todo mundo que a Marvel está preparando a volta de um dos seus heróis mais populares.

 

Homem-Aranha é um porto seguro

Tom Holland e seu Homem-Aranha representam atualmente o maior trunfo comercial da Marvel no universo cinematográfico. Nenhum filme solo do personagem no MCU arrecadou menos de 880 milhões de dólares mundialmente, demonstrando sua capacidade única de atrair audiências globais.

“Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” permanece como o terceiro maior sucesso da história da Marvel, superado apenas por “Guerra Infinita” e “Ultimato”. A performance consistente faz do personagem um porto seguro em meio às incertezas comerciais que cercam outros heróis do universo cinematográfico.

Aqui, a chamada “fórmula Marvel” pode se pagar, diferente dos demais personagens do MCU, pois a carisma de Holland combinada com o elenco central que funciona (Zendaya e Jacob Batalon) faz com que qualquer roteiro minimamente decente seja bem recebido pelos fãs…

…que vão correr para as salas do cinema para ver o novo filme do teioso.

 

O marketing baseado na nostalgia

A revelação do novo traje do Homem-Aranha vai além de uma simples atualização visual de um elemento fundamental do personagem. É uma estratégia minimamente calculada pela Marvel Studios.

Além de desviar o foco apontado para os fracassos recentes nos cinemas, a Marvel manipula a narrativa também em algo que se tornou muito lucrativo em diferentes segmentos de nossas vidas: a nostalgia.

A Marvel compreendeu que o nome Homem-Aranha sozinho não garante mais o sucesso automático, e passou a investir em elementos que despertem expectativas positivas no público. E um desses elementos é apresentar um uniforme que é muito parecido com aquele utilizado por Tobey Maguire na primeira trilogia do personagem nos cinemas.

A abordagem mais nostálgica é uma maneira de tranquilizar os fãs, entregando a promessa de um retorno às origens e aos elementos que tornaram o MCU um fenômeno cultural e, ao mesmo tempo, conectando o personagem a um passado que ainda é muito lembrado por todos os seus fãs.

É uma tentativa de recuperar a confiança perdida através de símbolos familiares e queridos pela audiência, mas sem entregar garantias de que o novo filme será consistente nos aspectos narrativos.

Estamos falando de conceito, e não de execução neste caso.

 

Porque os novos heróis do MCU fracassaram (ou estacionaram)

Personagens como Shang-Chi, Ms. Marvel e She-Hulk não conseguiram estabelecer conexões sólidas com o público, contrastando drasticamente com o sucesso dos heróis originais. Os novos protagonistas enfrentam dificuldades para encontrar sua identidade e relevância dentro do universo expandido.

A falta de desenvolvimento adequado desses personagens contribui para o cenário atual, onde apenas os heróis estabelecidos conseguem garantir retorno financeiro. Isso evidencia uma falha na estratégia de diversificação do elenco de personagens principais da Marvel.

A era Bob Chapek na Disney pode ser traduzida como “a quantidade que superou a qualidade”. Produzir filmes e séries do MCU em massa, com todas as histórias conectadas, só resultou em um distanciamento do grande público, que tinha que fazer a “lição de casa” para absorver tudo.

No meio de tudo isso, veio uma pandemia e uma greve dos profissionais de Hollywood para comprometer o plano como um todo. As séries, em muitos casos, eram dispensáveis. E os filmes perderam qualidade na produção como um todo.

Neste contexto, o Homem-Aranha aparece como aquele que diz para todo mundo “estamos de volta, para fazer o básico e entregar o que vocês querem”. E boa parte da audiência vai se engajar nesse discurso para fazer o filme ser um sucesso nas bilheterias.

 

Porque todos querem os Vingadores de volta aos cinemas

Há dois anos, ninguém questionaria o sucesso garantido dos próximos filmes dos Vingadores programados para 2026 e 2027. Contudo, os resultados decepcionantes recentes geram dúvidas sobre a capacidade dessas produções de ultrapassar a marca de um bilhão de dólares em arrecadação.

Há quem diga dentro da própria Marvel Studios que a era das bilheterias globais bilionárias chegou ao fim, e que o estúdio que se contente se o filme for um sucesso comercial para gerar lucros indiretos (distribuição dos direitos de exibição ao redor do mundo, venda de artigos colecionáveis, etc).

A solução aparente da Marvel envolve o retorno de atores icônicos como Chris Evans e Robert Downey Jr., mesmo que em papéis alternativos ou futuros distópicos. E essa estratégia de “resgate do passado” demonstra a dependência da Marvel em seu legado estabelecido para manter a relevância comercial.

Ninguém imagina um novo filme dos Vingadores sem o Homem-Aranha, e “Um Novo Dia” estreia em julho de 2026, antes de “Doomsday”, que foi adiado para dezembro do ano que vem. Muitos apostam que esse filme pode ter impacto direto na volta dos Vingadores, que não dão as caras nos cinemas desde 2019.

É muito tempo de espera pela reunião do time de heróis. E nada melhor do que preparar para este momento com um filme do herói mais popular da Marvel.

Tudo faz sentido.

Se tudo vai dar certo? Não sei.

Vamos ter que esperar um ano para começar a descobrir.

 


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@oEduardoMoreira