naum

Olha, parabéns para você, que disse que eu estava cagando regra de português quando enchia o saco sobre a forma de escrita das pessoas em comentários nos meus blogs. Pelo visto, nem para atendente do McDonald’s você vai servir! Mais de 53 mil candidatos simplesmente zeraram na redação do Enem 2015. Tiraram zero. Não tiveram competência para criar um texto minimamente estruturado. Se é que criaram.

Não me entendam mal, crianças. Eu uso o internetês no meu dia a dia. Uso “vc”, “pq”, esqueço acentos durante uma conversa no WhatsApp, uso emoticons… faço tudo o que vocês fazem. Porém, no meu dia a dia, eu me obrigo a escrever o português correto. Pela necessidade da minha profissão, ou pela consciência de que tenho que me expressar de forma correta para que todos entendam, eu acabo naturalmente escrevendo da forma correta. E ainda cometo erros de português, que em muitos casos eu não me perdoo.

Porém, eu não faço isso de propósito. Não escrevo em um texto formal o “naum”, “concerteza” e “mim ajuda” de forma consciente e racional. Não é possível que a maioria desses 53 mil adolescentes realmente não saibam escrever essas palavras de forma correta! Bom… até é possível: vivemos uma educação sucateada, com professores desmotivados com baixos salários ou mal preparados, professores que não tem mais autoridade alguma na sala de aula, alunos desrespeitosos, um sistema educacional onde qualquer imbecil é aprovado e um governo que não faz (nem de perto) o suficiente para melhorar o quadro geral da educação no país.

A dita “pátria educadora” tomou um belo soco na boca do estômago com os resultados do Enem 2015. Não só esse volume de redações zeradas é considerado um grande fiasco, mas ver quase todas as médias de nota caírem de um ano para cá mostra como o Brasil está cada vez mais deixando de lado algo que é essencial para a formação de um país forte e voltado para o futuro: a educação.

Matemática e suas Tecnologias: caiu de 473,5 em 2014 para 467,9 em 2015.
Linguagens e Códigos: de 507,9 para 505,3.
Ciências da Natureza: de 482,2 para 478,8.
A única nota média que subiu foi a de Ciências Humanas: 546,5 para 558,1.

Mas essa é a culpa de quem manda. A culpa da geração “naum” é achar que todo mundo que escreve certo é cagador de regra.

De novo: não ter a capacidade de formular um texto minimamente estruturado só mostra como essa geração está bem atrasada no quesito comunicação. E, sem isso, como vai arranjar um emprego? Sim, pois você precisa ser minimamente alfabetizado para compreender que a pessoa está pedindo um Big Mac com fritas média e Coca-Cola grande, ou um McLanche Feliz. Ou até mesmo uma Bib’sfiha de carne.

Da próxima vez, vamos trocar o smartphone por um dicionário? Quem sabe se você começar a usar as palavras corretas com o coleguinha no WhatsApp te ajuda. Ok, eu sei que você usa o WhatsApp para os grupos de putaria. Mas sempre tem aquele seu amigo que joga videogame online com você, ou aquela menina linda que você não consegue pegar (porque gasta mais tempo no grupo de putaria do WhatsApp). Com essas pessoas, vale a pena a partir de agora começar a usar as palavras corretas. É o mínimo que se pede.

Não precisa escrever tudo certo. Pode usar o “vc”, o “pq” ou o “bjs”. Agora… “naum”, “concerteza” e “mim ajuda” é digno de tomar esse smartphone da sua mão e mandar você de volta para a escola.

Com informações do G1 e do UOL