…e finalmente chegou o dia 6 de junho de 2019.

Foram mais ou menos dois meses de espera. Muitos ensaios, muitas chuvas, algumas tempestades. Vários problemas. Baixas diversas. Ficamos sem a nossa maestrina, a “mãe de todos”. Foi bem mais difícil do que o imaginado. Mas sempre foi assim. E vai ser sempre assim.

Porém, grandes grupos se unem nas dificuldades. Abraçam o desafio com coragem e amor. E conta com um pouco de sorte também. Ou competência, já que a soma dos dois é sinônimo de sucesso. Ter um grande regente conosco, sempre disposto a ajudar e incentivar os seus cantores a crescer é algo fundamental. E o Per é um regente incrível. Vai além das notas. Vai além da interpretação. É mestre. Quer que os seus cantores descubram coisas que estavam dentro deles o tempo todo, mas que precisavam de um foco de luz para que essas coisas se revelassem.

Ao levantar o questionamento “Quando começa um espetáculo?”, Per apresentou para todos os seus cantores uma perspectiva diferente sobre a construção de um processo musical. A perspectiva que um dia foi a nossa, mas que acabamos não racionalizando no presente porque passamos mais tempo como cantores e menos tempo como ouvintes.

Sim. Ele tem razão. O espetáculo começa quando alguém compra o ingresso. Todas as expectativas começam a ser construídas a partir daquele momento, e seguem em um crescente até a data da apresentação. Logo, aquela pessoa também esperou ansiosamente pelo dia 6 de junho de 2019. Tanto quanto nós, cantores.

Per fez a pergunta certa no momento certo. Não apenas para despertar em nós, cantores do Polyphonia Khoros, o senso de responsabilidade e compromisso como o acerto nas notas e nas dinâmicas, mas para algo que vai além: atender às expectativas de muitas pessoas.

Esse olhar para o próximo torna todo o processo em algo maior. Muito além do que simplesmente sair de casa, do trabalho ou da escola para cantar. É somar vozes em torno de um objetivo maior. Eu sempre acreditei que sonorizar o amor é uma missão. E se tem uma coisa que eu tenho plena convicção no dia de hoje, e que tudo o que será apresentado no Teatro do CIC hoje vai ser feito com muita dedicação e amor para quem vai assistir ao Polyphonia Khoros.

Eu estou feliz porque 6 de junho de 2019 chegou.

Minha felicidade vai além do poder cantar esse repertório. Está no fato de ter a certeza que esse é o concerto mais bonito que eu cantei em 40 anos de vida (e 25 anos na prática de canto coral). Sim, eu estou ficando velho e cansado, minha voz está perdendo a qualidade e eu estou errando notas fáceis. Mas a minha felicidade está no simples fato de ainda poder fazer música de qualidade, e ao lado de um grupo de jovens e corajosos cantores, que se doaram de forma quase incondicional para fazer música.

Minha felicidade é constatar que vamos realizar esse concerto juntos nos aspectos técnicos. Ninguém ficou para trás. Mesmo quem chegou depois. Está conosco. Em igualdade de condição. E digo mais: estamos juntos também nos aspectos pessoais. É um grupo que se uniu diante de tantas dificuldades, como a saída de ótimos cantores veteranos, horários que não ajudam, realizar essa atividade sem grana no bolso e, principalmente, diante do afastamento da Dona Mércia.

Eu sinto falta da Dona Mércia. Que bom que vamos poder cantar para ela hoje. Pessoalmente, eu tenho muito a agradecer por ela me oferecer a oportunidade e o privilégio de vivenciar essa experiência que me fez crescer de uma forma que eu não mais imaginava que seria possível na minha vida. Ela não apenas tem uma força enorme. É um ser iluminado. Imagine quantas vidas ela influenciou positivamente. E esse é um poder que poucas pessoas contam dentro de si.

6 de junho de 2019, e eu só tenho a Disney na minha cabeça. E a “culpa” é do Polyphonia Khoros. Então, vamos lá cantar para as pessoas as canções que ficaram no imaginário popular por décadas, e justificar por que essas canções são atemporais e importantes para cada um de nós. Vamos nos divertir no palco (com responsabilidade e lembrando sempre da cara do Jefferson nas instruções cênicas), vamos divertir quem vai nos assistir. Vamos emocionar quem está a procura de boa música e um pouco de amor em uma noite fria de quinta-feira.

Para os regentes, coordenadores cantores do Polyphonia Khoros, eu agradeço desde já, de coração. Por causa de vocês, eu hoje sou um cantor melhor e mais confiante. Por causa de vocês, a minha mudança para Florianópolis tem um sentido maior. Por causa de vocês, eu sou um ser humano melhor e mais feliz.

Para você que vão ao teatro do CIC na noite de hoje, eu agradeço desde já, de coração. Agradeço por testemunhar parte da minha felicidade nesse momento da minha vida. Agradeço por testemunhar uma das noites mais bonitas da minha jornada musical.

A noite de 6 de junho de 2019 vai ficar na minha memória. Até o dia em que eu cantar a última nota.