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Um ano se passou. E se você já se esqueceu disso aqui, a culpa é sua também. Um ano depois dos 7 a 1 sofridos pelo time da CBF para a atual campeão do mundo Alemanha, temos um país que sofre as sequelas de sua incapacidade de reconhecer erros. Um povo que esboçou acordar para o que estava errado no país, mas voltou a dormir. Até porque cada povo tem o governo – e o futebol – que merece.

Mas não vou falar de política nesse post. O Brasil está mal, e não por causa do time da CBF. É por causa de outros dementes que não sabem administrar e, ao que tudo indica, roubar direito. Na verdade, não deveriam roubar. São nossos funcionários. Deveriam seguir nossas ordens. Mas fico feliz que um ano depois das vaias (que chamaram de ‘desrespeito’), apenas 9% da população acha que ‘está tudo bem’. Mas como para mim quem apoia bandido é cúmplice, não preciso dar muita importância.

Mesmo porque a mentira pregada na campanha eleitoral é algo muito pior que as vaias e panelaços. Mas vamos mudar de assunto.

Um ano depois dos 7 a 1, alguma coisa morreu dentro de mim no que refere ao futebol brasileiro. Sabe quando você não dá a mínima nem para o seu time? Não tenho paciência para ver jogos do Campeonato Brasileiro, muito menos para ver jogos do time da CBF. Sim… eu não chamo isso de ‘seleção’. Até porque esse time agora serve apenas de cabide de emprego para jogadores que nem são tão bons assim, mas que acabam com contratos milionários com times da Europa.

Só porque vestiram a camisa amarela da CBF durante a Copa América 2015.

Até porque se eu colocar o Leandro Firmino com uma mochila nas costas no meio da praça da Sé, ele é confundido com um motoboy. E nada – absolutamente nada – explica ele ter o décimo maior contrato da história do futebol (Liverpool, R$ 140 milhões).

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A CBF não aprendeu nada com os 7 a 1. Pelo contrário. Achou que tudo foi ‘pontual’, quase dizendo que a Alemanha foi campeã ‘por obra do mero acaso’. Não mudamos nada. Não reformulamos nada. Não melhoramos absolutamente nada. O futebol brasileiro vive dos louros de um passado, que honestamente, já passou. Não temos o melhor futebol do mundo há muito tempo, e não somos mais o país do futebol. Somos o país do vôlei de praia. Isso sim.

Ainda brincamos de tentar fazer um futebol profissional, mas com campeonatos desorganizados. Os campeonatos estaduais não servem para nada, nem mesmo para acirrar a rivalidade doméstica. Porque os torcedores não se importam. Regulamentos ridículos, times fracos, jogos medonhos, arbitragem horrorosa… tudo conspira contra.

Sou a favor do fim dos estaduais sim. Não precisamos mais deles. Que os times menores joguem os estaduais para descobrir talentos, deixando os times grandes livres para jogar os campeonatos maiores.

Por outro lado, ninguém se importa também com o Campeonato Brasileiro, que de forma burra não quer se adequar ao calendário europeu. O resultado? Um êxodo de jogadores para outros mercados, e uma queda sensível na qualidade dos times. Algumas equipes começam com um time, e terminam com outro. O torcedor não tem mais identificação com os seus craques, e o campeonato é esquecível.

Não aprendemos nada com o 7 a 1. Nada. Não há criação de liga, pois a CBF quer centralizar um poder de forma imbecil. Aliás, a CBF que não serve para nada, e agora para menos ainda. Com dirigentes envolvidos em escândalos de corrupção. Aliás, um ano depois, e vemos o ‘intocável’ José Maria Marin preso na Suíça, prestes a ser extraditado para os Estados Unidos. Quem diria que eu veria essa cena, não é mesmo?

Aliás… te cuida, Ricardo Teixeira, Marco Polo Del Nero e derivados… a batata de vocês já está assando, ok?

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O pior de tudo é que nós, como brasileiros, não aprendemos com o 7 a 1.

Nos acomodamos. Somos preguiçosos, vivemos hoje na cultura do ‘não pago por mais nada’, não mais valorizamos a força de trabalho e temos medo de mudar as coisas do jeito que estão. O futebol brasileiro é apenas um reflexo da inaptidão do seu povo em se reciclar e recomeçar em algo melhor. Vivemos o mesmo vício de ‘uma hora a coisa muda’, mas sem ser um agente de mudança.

Queremos que tudo caia do céu, sem sujar as mãos. Não queremos mudar, porque a mudança dá trabalho. O time da CBF é a cara do Brasil, definitivamente. Espancado, sangrando, humilhado, mas que ainda se acha o máximo. Um ano depois dos 7 a 1, vemos o futebol brasileiro ser uma piada mundial. O maior massacre já sofrido pela história do nosso futebol não serviu para mudar o esporte no Brasil em nada.

E a culpa é sua (também) por isso acontecer.

Por muito menos, a mesma Alemanha mudou tudo. Reformulou todo o seu futebol. E foi campeã do mundo com méritos. Por que não seguir o exemplo deles? Só porque ‘nós temos o futebol arte’?

Bobagem. Eu queria era ter um futebol vencedor, isso sim.

Ou que não fosse humilhado em uma semifinal de Copa do Mundo.