Amanhã (24/07), o Brasil vai receber oficialmente dois importantes lançamentos da Nokia no mercado de smartphones, os modelos Lumia 900 e 808 PureView. Mas quero comentar nesse post sobre a estratégia da empresa no Brasil em oferecer aparelhos com detalhes técnicos defasados, mas com preços de smartphones considerados “top”.

Começamos pelo Nokia 808 PureView, ou como gosto de chamar “a sua câmera de 41 megapixels com a participação especial de um celular gerenciado pelo Nokia Belle”. Gostaria de parar no “Nokia Belle”, que é o que desanima de vez nessa proposta, ms vamos continuar.

O smartphone é bonito, tem estilo, linhas atraentes e elegantes… mas… R$ 2.000? Como assim, Nokia? Tá, ok, os usuários que são fãs da Nokia estão babando pelo aparelho, e os diversos posts com demonstrações de fotos e vídeos mostram o que o produto pode fazer. Mas tenho que lembrar que estamos falando de um SMARTPHONE e não de uma CÂMERA DIGITAL. A grande maioria das pessoas não precisam de uma câmera de 41 megapixels (mal sabem usar uma câmera de 16 MP, que dirá uma de 41…), logo, esse não pode ser o argumento principal para justificar um valor tão elevado para um produto que chega ao Brasil com meses de defasagem para o mercado internacional (como é tradição da Nokia).

Ainda mais quando falamos de um smartphone com (credo) Nokia Belle!

Nada contra o sistema da Nokia. Ele foi bom até um certo ponto, e muita gente me diz que a versão Belle é boa. Mas, convenhamos: ele está, pelo menos, três degraus abaixo dos principais sistemas operacionais móveis do mercado (iOS e Android) e, pelo menos, dois degraus abaixo do Windows Phone, que apesar de ter menos de dois anos de vida, é mais promissor que o sistema da Nokia. Aliás, “que se pasa” com a fabricante finlandesa em apostar no seu próprio sistema, que está falido, e cobrar um valor mais caro do que aparelhos com o sistema da Microsoft, que em tese, é mais caro? Não faz o menor sentido!

Honestamente, R$ 2.000 por um smartphone defasado, que só tem uma câmera com alta resolução (que não significa uma qualidade final de imagem de alta qualidade, vale sempre lembrar), e carregando um sistema operacional obsoleto é um absurdo. Não é de se estranhar que Apple e Samsung estão dominando o mercado mobile. Afinal, a Nokia ajuda com estratégias equivocadas como essa.

Já o caso do Nokia Lumia 900 é tão peculiar quanto o do 808 PureView. Falamos de um smartphone igualmente elegante e potente, com processador de 1.4 GHz single-core (se bem que isso é moleza para qualquer Windows Phone), tela de 4.3 polegadas, câmera de 8 megapixels, Windows Phone 7.5… opa! Windows Phone 7.5! E aí começam os problemas.

Todo mundo sabe que nenhum smartphone com Windows Phone 7.5 que está no mercado atual vai receber o Windows Phone 8. Afinal de contas, a nova versão do sistema operacional da Nokia é tão diferente da anterior, que é praticamente um novo sistema. Ou seja, se você comprar esse Lumia 900, você dançou, pois só vai ter mais uma atualização (a Windows Phone 7.8) e… fim da linha. O modelo é praticamente um produto morto, pois não vai receber o que há de mais recente em termos de sistema operacional.

E, se você perceber, os demais fabricantes que contam com produtos com Windows Phone (HTC e Samsung, por exemplo), lançaram os seus modelos com o sistema no segundo semestre do ano passado, e não lançaram mais nada com o sistema em 2012. Primeiro, porque esperaram os produtos “maturarem” no mercado. E segundo, porque já sabiam que a Microsoft estava desenvolvendo o Windows Phone 8 para 2012.

Agora, a Nokia, como principal parceira da Microsoft nesse negócio, não ficou sabendo disso? Pior: além de lançar os Lumias 800 e 710 depois de todo mundo, ainda lança o Lumia 900… pra quê? Para que três meses depois a Microsoft confirmasse que ele jamais seria atualizado para o WinPho8? Resumindo: chegou morto.

Para piorar, no final da semana passada, a Nokia nos Estados Unidos cortou pela metade o preço do Lumia 900, que pode ser encontrado por míseros US$ 50 (dependendo do plano escolhido), só para “desovar” o produto das lojas. Enquanto que aqui no Brasil, o produto só vai chegar nas lojas agora, e com o “espetacular” preço de R$ 1.800, sendo assim o Windows Phone mais caro do mercado brasileiro.

E aqui, nem a câmera de 8 megapixels justifica a escolha.

É, Nokia… até parece que vocês não acordaram para o fato que não dominam soberanas o mercado de smartphones, e que os preços de seus lançamentos são simplesmente fora da realidade de todo o resto do mercado. E no caso do Brasil, isso é ainda mais gritante: onde já se viu, modelos desatualizados custarem tanto quanto os tops de linha, como o Galaxy S III e o iPhone 4S. Ah, tem gente que vai falar “eles não possuem o mesmo preço”. Mas… o que são R$ 100 a menos para quem está pagando R$ 2.000?

Não estou querendo dizer que você não deve comprar os dois novos modelos da Nokia. Afinal, cada um faz com o seu dinheiro o que acha ser certo. Só que tem um detalhe: não dá para impedir a roda do tempo. Os usuários, casuais ou hardcores, estão cada vez mais percebendo a relação custo/benefício de ter um produto de qualidade, com um sistema atualizado, e com um preço justo. Se ainda existem empresas que estão longe da realidade do mercado (e aí temos essas sequência de trapalhadas), elas vão sucumbir diante da concorrência.