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A Apple está zoando o BSOD da Microsoft!

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A Apple lançou em 7 de outubro de 2025 um comercial de mais de oito minutos que reacende sua histórica rivalidade com a Microsoft, devolvendo ao mundo aquele bom e velho bullying arte que tanto faz falta no marketing das duas empresas.

A peça publicitária ironiza o incidente global de julho de 2024, quando uma atualização defeituosa do software Falcon, da empresa de cibersegurança CrowdStrike, provocou a “Tela Azul da Morte” (BSOD) em milhões de computadores Windows.

Setores críticos como bancos, companhias aéreas, jornais televisivos e supermercados foram duramente atingidos. Na ocasião, sistemas macOS e Linux não sofreram qualquer impacto, criando um argumento que a Apple agora potencializa para reforçar a segurança de seus dispositivos.

O vídeo, publicado no canal oficial da Apple no YouTube, segue a narrativa da fictícia empresa “The Underdogs”, que prepara sua participação em uma feira de negócios. No enredo, um colapso repentino nos PCs de todos os expositores resulta em caos e paralisação. A equipe protagonista, por usar Macs, consegue se manter operacional e concluir negócios, enquanto o restante da convenção precisa adotar Mac Minis para retomar atividades.

 

Chacota técnica e referência direta à CrowdStrike

No meio do comercial, surge um especialista em TI que explica conceitos de funcionalidade em “nível de kernel”, regiões críticas do sistema operacional que controlam acesso à memória e ao hardware.

Trata-se de uma alusão direta ao funcionamento do Falcon da CrowdStrike, cujo bug alterou indevidamente esses processos e disparou o BSOD em escala global.

O personagem enfatiza que Macs protegem as partes mais profundas do sistema contra modificações por software de terceiros ou malware, sugerindo que falhas como a da CrowdStrike são “problemas de PC” inexistentes no ecossistema Apple.

A estratégia publicitária retoma o tom humorístico das campanhas clássicas “Get a Mac”, veiculadas há quase duas décadas, que criticavam a segurança do Windows — como o famoso spot de 30 segundos em que o personagem “PC” pegava um vírus.

A diferença é que, desta vez, a provocação tem base em um evento real recente, cuja repercussão foi global e amplamente noticiada.

 

O apagão de julho de 2024 e seus impactos

O incidente original ocorreu em 19 de julho de 2024, quando a CrowdStrike liberou uma atualização defeituosa para o Falcon. O bug provocou falhas críticas apenas no sistema Windows, travando instantaneamente as máquinas afetadas e exibindo a BSOD.

Companhias aéreas tiveram cancelamentos em massa de voos, bancos e caixas eletrônicos ficaram indisponíveis, emissoras de TV interromperam transmissões e indústrias inteiras paralisaram temporariamente.

No Brasil, grandes instituições financeiras relataram instabilidades, e equipes de TI trabalharam intensivamente para restaurar sistemas, muitas vezes com reparos manuais.

George Kurtz, CEO da CrowdStrike, confirmou que a falha não se tratava de um ataque cibernético ou vulnerabilidade de segurança, mas sim de um erro de programação.

A Microsoft, após reconhecer publicamente o problema, recomendou que usuários seguissem as instruções técnicas fornecidas pela CrowdStrike para correção.

 

Estratégia da Apple e recepção do público

Ao transformar um incidente corporativo de proporções globais em peça de marketing, a Apple não apenas reforçou a narrativa de que seus dispositivos são mais seguros, como também explorou um episódio que afetou diretamente a credibilidade do Windows no cenário empresarial.

O anúncio encerra com a frase “Não há segurança como a do Mac”, deixando evidente a chamada à migração de plataforma.

Reações iniciais indicam um misto de aprovação e crítica: enquanto usuários da Apple celebraram a ousadia, defensores da Microsoft apontaram que falhas graves também já ocorreram em sistemas macOS no passado, ainda que não em escala comparável.

 

O que eu penso sobre tudo isso

Particularmente, não podia achar o comercial mais engraçado. E reforço que esse tipo de publicidade está fazendo falta entre as empresas de tecnologia.

Não estou falando sobre inflamar a rivalidade entre Apple e Microsoft, mas precisamos encarar isso com uma “alfinetada bem-humorada” que uma empresa dá na outra. E isso precisa acontecer com uma maior frequência no mundo da tecnologia.

Hoje, temos comerciais de produtos e serviços totalmente focados em vender o produto, mostrando suas principias qualidades e características.

Mas não contamos com propagandas que provocam a empresa adversária em pontos débeis de seus produtos e serviços, estimulando o crescimento mútuo e controlando a narrativa a partir do bom humor.

É sempre muito bom voltar a esses tempos. Tudo era mais leve e divertido.

E eu estou soando saudosista. Melhor parar por aqui.

 

Via The VergeMacRumors


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@oEduardoMoreira