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A Apple vai mesmo espionar todas as fotos do seu iPhone?

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A Apple entrou no olho do furacão quando decidiu que vai monitorar as fotos armazenadas pelos usuários do iPhone (e sincronizadas no iCloud) em busca de eventuais materiais que envolvem abuso de menores e pornografia infantil.

Muitos entendem que esta é uma enorme invasão de privacidade promovida pela gigante de Cupertino. Já outros estão aplaudindo a decisão da Apple, pois o efeito moral da decisão supera o colateral neste caso.

Vamos tentar esclarecer os pontos nebulosos nesta questão.

 

 

 

As reclamações contra a Apple

A situação ficou tão feia, que chegaram a publicar uma carta aberta e assinada por mais de 5 mil usuários (e contando) para a Apple pedindo que a empresa modifique os seus planos, já que a medida seria na prática uma grande ameaça para a privacidade dos usuários.

Há quem diga que a decisão seria uma espécie de backdoor para o controle de determinados usuários, em um recado que é bem claro e quase apocalíptico: “se podem procurar por pornografia hoje, podem procurar por qualquer coisa amanhã”.

 

 

 

Onde está o limite da privacidade?

De fato, a medida permite que um software tenha acesso ao nosso conteúdo, passando por todos os sistemas de privacidade do iPhone. E muitos temem que, aos poucos, os acessos ao controle do conteúdo do usuário sejam fornecidos de forma indireta ou contra a nossa vontade.

Não apenas o acesso à fotos e vídeos, mas também para mensagens enviadas, documentos e outros conteúdos considerados sensíveis. Muitos acusam a Apple em fazer um controle exaustivo da sociedade, violando assim as liberdades individuais.

 

 

 

Como a Apple se defende?

A Apple então decidiu explicar como vai ser feito o controle das imagens e a busca pelo conteúdo relacionado com pornografia infantil:

 

Queremos proteger as crianças de predadores que usam ferramentas de comunicação para recrutá-los e explorá-los, bem como limitar a disseminação de material de abuso sexual infantil.

 

Com isso, a empresa deixa claro que em nenhum momento fará a análise das fotos para outra finalidade que não seja a inicialmente proposta. Inicialmente, apenas as mensagens compartilhadas pelo iMessage serão analisadas em contas criadas para crianças em um grupo familiar e, ainda assim, esse recurso só poderá ser ativado por um adulto.

A segunda medida, relacionada ao iCloud, permite que aqueles que não sincronizam as fotos com a nuvem não passem pelo monitoramento. Um banco de dados inteligente vai transformar as fotos em sequências de códigos binários, e só serão verificadas se todos os alertas forem acionados pela tecnologia, e só então as mesmas serão enviadas para as autoridades.

A Apple não está sozinha nesse empreitada contra a pornografia infantil através do monitoramento de dados dos usuários. Google e Microsoft já fazem isso a algum tempo.

O grande problema aqui é que a gigante de Cupertino sempre vendeu a sua imagem como uma grande defensora da privacidade do usuário, quase adotando esse discurso como uma espécie de moeda de troca. E agora, a mesma Apple deixa esse discurso de lado, em nome de uma causa que está acima do direito individual do usuário.

Um tema polêmico, sem sombra de dúvida.


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