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A arte pode perdurar pela vida, mesmo nos momentos difíceis

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De tempos em tempos, o cinema brasileiro é resgatado por um filme que mostra a nossa capacidade de contar histórias impactantes. Histórias sobre nós, que falam de nós e para nós.

O Pagador de Promessas. Bye Bye Brasil. Central do Brasil. Cidade de Deus (aka “o melhor filme brasileiro de todos os tempos”). Tropa de Elite. Ainda Estou Aqui.

Não são apenas alguns dos nossos melhores filmes. São histórias que mostram como o Brasil é, nas mais diferentes facetas e cicatrizes.

Ainda Estou Aqui expõe a chaga na existência de Eunice Paiva à carne viva. Uma ferida forjada em brasa pelas mãos da ditadura militar. Materializa a dor de milhares de pessoas que ousaram levantar a voz contra um sistema violento, corrupto e ilegítimo.

É um filme que incomoda porque simplesmente apresenta os fatos. Que contesta as narrativas oficiais. Que denuncia algo que não podia ser dito, pela força e obrigação de quem estava no comando.

Quando tentam apagar a história, vale a narrativa do vencedor. E um povo que não tem passado fica perdido no presente. Se vê condenado a ser “o país do futuro (que nunca vem)”.

A vitória de Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui como Melhor Atriz em Filme de Drama, recebendo o prêmio das mãos de uma atriz do porte de Viola Davies, não é apenas uma conquista. É uma história sendo escrita. É mais um marco para o nosso cinema.

Fernanda honra o legado de luta de Eunice Paiva por justiça e reconhecimento. Sua atuação é imersiva. Desperta empatia de quem assiste.

Faz com que você sinta parte da dor de Eunice. Não exatamente a dor da perda de Rubens Paiva, mas a dor da indignação e revolta pela tentativa de distorção dos fatos.

A dor do silêncio. A dor pela tentativa de viver uma vida normal quando existe a consciência de que nada do que se vive em uma ditadura é algo considerado normal.

Que Eunice Paiva esteja orgulhosa pelo extraordinário trabalho que fizeram de sua triste história de vida.

Porque seu filho, Marcelo Rubens Paiva, ao lado de Walter Salles, Fernanda Torres, Selton Melo e todos os envolvidos entregaram uma obra que, acima de tudo, contam uma história que é para nós, brasileiros.

Para que todos saibam o que aconteceu.

Para que nunca mais volte a acontecer.

 

Via: https://www.instagram.com/p/DEe7KueRba1/


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@oEduardoMoreira