29fb3c61fe059f26df37f9329881c846

O primeiro transplante de cabeça vai acontecer em dezembro de 2017. Pode parecer coisa de filme de ficção científica ou de um episódio de Futurama, mas o procedimento é real e vai acontecer com a intervenção do médico italiano Sergio Canavero.

Apesar da notícia ter se tornado pública no começo de 2015, ela volta à cena por ter uma data definida. A pessoa que está emprestando o seu corpo para essa operação é Valeri Spiridónov, russo de 30 anos que padece de uma enfermidade genética chamada atrofia muscular espinhal (AME), que ataca os neurônios motores, deixando a pessoa imóvel.

Spiridónov se prepara para essa cirurgia, principalmente no psicológico, já que ainda que ele conheça os sérios riscos envolvidos, ele entende que vale muito mais a pena tentar do que continuar com a sua condição de vida. Além disso, ele acredita que, aconteça o que acontecer, tudo será um sucesso, seja por conseguir um corpo saudável, seja por ter ajudado a ciência a pesquisar esse tipo de cirurgia pela primeira vez.

Se tudo der certo, esse transplante histórico será a primeira tentativa bem sucedida com os humanos, já que apenas macacos passaram por tal intervenção, e sem muito sucesso. No primeiro transplante, o primata só sobreviveu por três horas, mas conseguiu fazer isso dos cinco sentidos. No segundo teste, a cobaia viveu vários dias, mas sem conseguir conectar a espinha dorsal, sem obter mobilidade.

O procedimento contará com a intervenção de 150 profissionais, e vai durar mais de um dia. Para tal cirurgia, é óbvio que é preciso de um doador de um corpo saudável, que deve vir de um falecimento que só afetou a cabeça da pessoa.

Nem preciso dizer que temos uma grande parte da comunidade científica que é contra a cirurgia, e opina que esta intervenção é algo muito temerário, já que nesse momento não existem os meios que garantam um trabalho tão complexo com a medula espinhal e sistema nervoso que obtenha sucesso. Até o setor religioso na Rússia se pronunciou, dizendo que é um sacrilégio e que alguém ‘resultante’ dessa operação não pode ser considerado uma pessoa.

Que comece a discussão.

Via Antena3Quo, El Confidencial, El Mundo