É um pouco contraditório para mim, e confesso que não consigo entender isso direito. Como alguns governos, de forma quase estúpida, acreditam que uma das formas “eficientes” de calar o povo é censurando o seu direito à liberdade de opinião… na internet. Justo na internet, que não só representa um dos meios mais livres de qualquer pessoa escrever o que quiser, sobre o que quiser. E principalmente: onde a mensagem, de uma forma ou de outra, vai alcançar o maior número de pessoas, o mais depressa possível.

A Justiça da Turquia decidiu a favor do Twitter sobre a polêmica decisão do governo daquele país em censurar uma conta do microblog que estaria “denegrindo”a imagem dos parlamentares, denunciando casos de corrupção no país. Aqui, não só o direito da liberdade de expressão era vetado, mas também o direito à denúncia daquilo que estava errado.

Aí eu penso: e se a moda pegar aqui no Brasil?

Sim, pois tudo no Brasil é possível. Se condenados podem “escolher” quais serão os seus juízes e podem mudar penas decididas em última instância, não é de se duvidar que algum político queira impedir que alguém (ou muitos) o critiquem nas redes sociais. Aliás, alguns inclusive entendem que no tal Marco Civil da Internet aprovado pela Câmara dos Deputados nessa semana (finalmente), existem brechas na lei que podem permitir isso no futuro.

De qualquer forma, é um pouco estranho ver políticos tentando impedir o povo de se manifestar. De denunciar. De opinar. Alguns governos querem se estabelecer pela força da lei, ou utilizando a máquina administrativa para se perpetuar no poder. Definitivamente, não é a forma mais inteligente de resolver o problema. Calar o povo não torna o governo turco (ou qualquer governo) menos corrupto. Só evidencia as más intensões desses governantes.

Precisamos ficar de olho nisso. Acompanhar mais de perto o que acontece na Turquia é algo que deve sim interessar ao internauta brasileiro. Até porque a decisão da Justiça de lá abre uma variante para outros países. O Twitter conseguiu uma vitória que pode proteger o direito à liberdade de expressão de usuários do mundo todo, e de diferentes plataformas. Logo, é importante esperar pelos próximos acontecimentos.

O próximo que deve entrar na briga pela liberdade de uso na Turquia é a Google, uma vez que o YouTube também está censurado por lá. E algo me diz que o governo turco será mais uma vez derrotado. O problema é que, dessa vez, a pancada tende a ser mais forte.

Afinal de contas, estamos falando da Google.