
Para você, que sempre pensou no jogo “pedra, papel e tesoura” como uma brincadeira de criança, e nunca levou a sério a prática desse esporte (porque sempre achou que era uma bobagem)…
Tal e como acontece com o campeonato de Excel (que virou esporte em exibição na ESPN dos Estados Unidos), o “pedra, papel e tesoura” virou um campeonato oficial, com regras, ranking e premiação.
E agora, tudo isso é jogado na nossa cara, para que possamos ter uma nova perspectiva sobre como mais um de nossos hobbies de criança virou coisa de gente grande.
Como funciona esse campeonato?
O que antes era conhecido como o jogo infantil “pedra, papel e tesoura” (em alguns lugares do Brasil é chamado de “jan ken po”, nome japonês da modalidade) evoluiu para um esporte um esporte competitivo global, com campeonatos profissionais e premiações generosas.
A Associação Mundial de Pedra, Papel e Tesoura (WRPSA) foi fundada em 2015, e continua o legado da World Rock Paper Scissors Society, que já realizava campeonatos internacionais entre 2002 e 2009.
Eu pergunto: como que a gente não ficou sabendo da existência de nada disso?
Para competir em eventos oficiais da WRPSA, existem regras específicas e até um tanto quanto rígidas. Não é qualquer pessoa que pode participar dos seus torneios, pois isso passa bem longe de ser uma bagunça.
As regras consideradas básicas para as partidas de “pedra, papel e tesoura” são:
- Os jogadores devem mostrar seus gestos simultaneamente;
- Devem manter as mãos escondidas até o momento do lançamento de sua posição;
- Devem manter contato visual com o oponente o tempo todo;
- As partidas são decididas em melhor de três, cinco ou sete rodadas.
Há também variantes em equipes e árbitros que garantem o cumprimento das regras por parte dos participantes. E as regras existem não apenas para unificar os campeonatos, mas para aumentar a popularidade do esporte.
Sério… eu estou chamando “pedra, papel e tesoura” de esporte…
Nada é aleatório aqui

Você pode pensar que o jogo “pedra, papel e tesoura” é totalmente aleatório, e que vencer aqui é uma questão de sorte. Mas seu pensamento está bem errado.
Existem estratégias que podem aumentar as chances de vitória. Pesquisadores perderam tempo na vida (que poderia ser empregado na pesquisa da cura do câncer) para descobrir que os vencedores tendem a repetir os seus movimentos, enquanto que os perdedores geralmente mudam para outro gesto.
O matemático chinês Zhijian Wang descobriu que a estratégia mais eficaz é escolher movimentos aleatoriamente, evitando padrões previsíveis.
Em resumo: só para de pensar, e você vence o seu adversário com maior facilidade.
E a premiação?
Vamos falar do que realmente importa: o dinheiro.
Os prêmios podem variar, de acordo do tipo de torneio que você está disputando.
O Campeonato Mundial em Toronto oferece até US$ 10.000, o que é uma boa grana para ficar algumas horas jogando “pedra, papel e tesoura”.
Quem não sonhou em ganhar esse dinheiro na vida de forma fácil?
Já a Liga americana distribui de US$ 1.000 a US$ 5.000, o que também não é nada mal, considerando que isso aqui ainda é um hobby (estou chamando de esporte no artigo por pura obrigação retórica).
Quando grandes patrocinadores entram em cena, os valores aumentam, como no caso da Bud Light, que ofereceu um milhão de dólares no campeonato de 2005, que foi considerado por muitos “o Super Bowl” da “pedra, papel e tesoura”.
Na Europa, a liga mais conhecida é organizada pela Wacky Nation no Reino Unido, que chegou a oferecer £20.000 em 2019. Na Espanha, os torneios são mais modestos, como o da Universidade Politécnica de Valência, que premiou com uma experiência de paraquedismo, e o da Caja Rural de Navarra, com um prêmio de €500 para o vencedor.
E é claro que a Ásia possui uma relação histórica com o jogo (não se chama “jan ken po” por acaso…), que teve origem na China durante a dinastia Han (206 a.C. a 220 d.C.) como “shǒushìlìng”.
A brincadeira chegou ao Japão no século XVII, onde foi adaptado às regras atuais.
Após os Jogos Olímpicos de 2008, Pequim sediou um campeonato internacional, e no Japão, o grupo AKB48 organiza um torneio anual televisionado desde 2009, onde a vencedora é coroada a “Rainha de Janken” (nome japonês do jogo).
Não conheço nenhum campeonato de “pedra, papel e tesoura” ativo no Brasil. Mas se tiver, já quero me inscrever.

