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A E3 2022 foi cancelada: e daí?

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Quando eu comecei a escrever nos meus blogs de tecnologia, um dos eventos que eu mais esperava todos os anos era a E3. Eu sempre gostei de videogames e, apesar de jogar menos do que gostaria hoje, entendo que é um segmento muito relevante para o mercado de tecnologia como um todo.

Isso… e todo o tempo que eu fiquei na vida esperando para ter um videogame decente. Mas isso é pauta para outro post.

Saber que a E3 2022 foi totalmente cancelada, seja ela no formato presencial ou virtual, é algo que me deixa triste, aliviado e conformado.

Calma. Eu sei que estou sendo um pouco confuso nesta narrativa. Mas você vai entender onde quero chegar nos próximos minutos.

 

 

 

Por que a tristeza?

Porque a E3 é um evento com o qual eu tenho uma relação afetiva considerável. Apesar de não jogar tanto por conta do meu ritmo de vida que me obriga a trabalhar muito para pagar as contas do mês, eu gosto de games o suficiente para me importar com os eventos e as premiações do setor.

E não ter a E3 deixa um certo vazio neste aspecto.

Eu sei, o mundo mudou, o mercado também e a forma em como as gigantes do setor se comunicam com os fãs também passou por mudanças (e eu ainda vou falar sobre isso neste post). Mas é inevitável não pensar que um grande evento com os principais lançamentos dos games não vai acontecer.

Eu tive o mesmo sentimento com o declínio da MacWorld Expo, com os esvaziamentos da CES e da MWC, e até mesmo com o fim da Fenasoft aqui no Brasil. Logo, por que não ficar um pouco triste com o cancelamento da E3?

Estou no meu direito, certo?

 

 

 

Por que o alívio?

Porque, por incrível que pareça, vou ter um pouco mais de tempo para fazer as minhas coisas do dia a dia. Por exemplo, trabalhar, estudar música, fazer sexo e, é claro, jogar videogames. Não necessariamente na mesma ordem.

Mesmo que não seja de forma presencial, cobrir um grande evento de tecnologia com vários fabricantes apresentando suas novidades é algo que dá trabalho, consome muito tempo e é bem desgastante. E, pode não parecer, mas não quero reclamar do que faço. Porém, não deixa de ser uma tarefa desgastante.

Sim, eu sei que estou soando como alguém velho e até mal-agradecido pelas oportunidades que a minha vida profissional oferece. Por outro lado, sei também que posso otimizar esse tempo para oferecer conteúdos melhores para os meus leitores e, com alguma sorte, audiência que vai voltar a assistir aos meus vídeos no YouTube.

E, com todo o respeito, mas a E3 hoje mais atrapalha do que ajuda. E essa teoria vale para jornalistas, produtores de conteúdo, empresas que estão no setor e até mesmo para os fãs de videogames.

 

 

 

Por que estou conformado?

Porque, em termos práticos, a E3 deixou de cumprir com o seu papel com quem realmente interessa: com os fãs de videogames.

No lugar de fazer como a Comic-Con, que conversa diretamente com o público que lota os pavilhões em busca de um contato mais próximo com os conteúdos e seus criadores ou protagonistas, a E3 virou com o passar do tempo um evento que conversa exclusivamente com executivos, deixando os fãs de videogames de escanteio.

E nem estou falando do fato de não contar com os gamers de forma presencial nas apresentações de novos títulos ou nos pavilhões jogando. Falo da comunicação dessas apresentações mesmo, que são chatas, burocráticas, com formatos pouco convincentes e, em um passado não muito distante (antes da pandemia), em propostas extremamente irritantes.

As apresentações eram longas, chatas e engessadas, completas de burocracia e discursos prontos para agradar aos homens de terno e gravata, chamados popularmente de investidores. E a galera que compra esses jogos simplesmente não era ouvida.

Pior: sequer falavam com esse povo todo que sempre investiu o seu suado dinheiro para comprar os títulos.

 

 

 

Quem aí vai sentir falta da E3?

No final das contas, aconteceu o que tinha que acontecer.

Sem público, sem atenção da mídia e sem fabricantes dispostos a apresentar novidades (que não existem), a E3 não tem qualquer tipo de utilidade hoje.

Se as empresas protagonistas no setor de videogames desejam apresentar algo novo dentro do segmento, farão isso nos formatos de live exclusiva ou evento previamente gravado para estrear no YouTube com dia e hora marcados. Não precisam dividir o protagonismo com outras empresas apenas para criar uma suposta facilidade para a imprensa em cobrir tudo.

Até porque não existe nada mais fácil do que ficar em casa de chinelos e suquinho cobrindo os vídeos pré-gravados de lançamentos de produtos que são exibidos no YouTube. É o conforto que todo mundo pediu o tempo todo.

Essa regra da E3 pode acabar se repetindo em outros grandes eventos do mundo da tecnologia. Com o passar do tempo, CES, MWC e similares podem passar pelo mesmo, já que muita coisa mudou nos últimos anos e muitos estão entendendo neste momento que o encontro presencial apenas e tão somente para contar novidades não é algo tão eficiente ou prático na era da internet.

Com um vídeo bem-produzido no YouTube, você pode falar com um público muito maior, alcançando uma repercussão enorme e obtendo o retorno dessa publicidade muito mais rápido. Até porque a divulgação não vai depender dos blogs e sites especializados, por exemplo.

Eu mesmo passei apenas a analisar esses eventos, pontuando a minha opinião sobre as principais novidades.

Ou seja, perder a E3, mesmo que seja por um ano, não me parece uma tragédia, mas sim o sinal dos novos tempos. E todos nós vamos ter que nos acostumar com isso e aprender com os efeitos práticos dessas mudanças.


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