
Se você pensa que é só no Brasil que tentam passar a perna no sistema de seguro social, com pessoas bancando os espertos para obter o dinheiro de pensão de gente que já faleceu, você está redondamente enganado.
O caso que vou compartilhar com você aconteceu na Itália, onde uma senhora já falecida foi “magicamente ressuscitada” por obra de um “milagre” de tentativa de suplantação de identidade.
Veja você: um país de primeiro mundo, onde todo mundo (em teoria) tem condições financeiras para viver bem e comer muito macarrão (e pizza… e lasanha…)… e tem gente por lá que ainda dá uma dessas!
O que aconteceu?
O atendimento no registro civil chamou atenção quando a suposta idosa de 85 anos apresentou voz grave e aparência incompatível com a idade. O tom variava para faixas masculinas e a pele do pescoço e das mãos parecia espessa demais para alguém quase nonagenário.
A funcionária desconfiou imediatamente e acionou seus superiores antes de contatar a polícia. Os detalhes físicos destoavam tanto que levantaram a suspeita de que a mulher fosse um homem disfarçado.
A fraude ficou ainda mais evidente pelo fato de o homem ter 56 anos, enquanto a mulher cuja identidade ele tentava assumir estaria próxima dos 90. A discrepância entre idade real e aparência disfarçada se tornou impossível de ignorar.
A história foi detalhada pelo Corriere della Sera, que relatou a desconfiança inicial da funcionária do registro civil. Ela recebeu a suposta idosa com documentos aparentemente corretos, mas estranhou a postura e os traços físicos.

O visual incluía saia, maquiagem, joias e unhas pintadas, numa tentativa de simular fragilidade e idade avançada. No entanto, o pescoço musculoso, as mãos firmes e as variações na voz reforçaram que algo estava errado.
A investigação revelou um possível golpe que já havia consumido dezenas de milhares de euros. As autoridades perceberam que algo ainda mais grave poderia estar acontecendo por trás da renovação de um simples documento.
A checagem das câmeras mostrou que a mulher havia chegado dirigindo, embora não possuísse habilitação registrada. Esse foi o primeiro indício objetivo de inconsistência documental e comportamental.
As autoridades descobriram também que a idosa não comparecia a consultas médicas há muito tempo, o que levantou mais suspeitas. Nem ela nem o filho mantinham qualquer contato com serviços de saúde, sugerindo isolamento completo.
Uma investigação de documentos revelou assinaturas suspeitas e vendas intermediadas quase sempre pelo filho. Essa rotina administrativa indicava que o suposto responsável vinha controlando todos os atos em nome da mãe.
Para confirmar as suspeitas, a polícia montou uma armadilha convocando a idosa para retornar ao registro civil. O filho atendeu ao telefonema e afirmou que avisaria a mãe, mantendo a história por mais algum tempo.
A “idosa” apareceu novamente caracterizada, mas encontrou um policial que a conduziu imediatamente para esclarecimentos. Durante o interrogatório, o disfarce caiu e o homem admitiu ser o próprio filho, um enfermeiro desempregado de quase 60 anos.
A busca na casa revelou o elemento mais chocante: o corpo mumificado da verdadeira idosa guardado em um armário. A mulher, Graziella Dall’Oglio, teria morrido em 2022, quando tinha 82 anos.
Em vez de comunicar o óbito, o filho decidiu esconder a morte para continuar recebendo a pensão da mãe. Segundo o Corriere, essa renda somada às propriedades familiares rendia cerca de 53 mil euros anuais ao golpista.
O prefeito informou que não havia outros parentes vivos e que o filho era o único responsável pela idosa. A investigação agora precisa confirmar oficialmente a identidade do corpo e se a morte ocorreu por causas naturais.
Não é a primeira vez que tentam esse golpe…
O caso remete a outros episódios de tentativas de fraude envolvendo cadáveres, incluindo eventos recentes no Brasil. Nessas situações, a criatividade criminosa geralmente se intensifica quando há benefícios financeiros garantidos por identidades de idosos falecidos.
Assim como no Brasil, o caso italiano envolveu um cadáver e uma tentativa de manter ganhos indevidos, mas com uma encenação diferente. Em vez de levar o corpo consigo, o golpista decidiu se transformar na própria mãe falecida.
Casos assim, embora chocantes, não são inéditos na Itália, onde fraudes envolvendo pensionistas mortos já foram registradas em anos anteriores. Em Verona e na Puglia, situações semelhantes envolveram familiares que esconderam óbitos por até uma década.
O falso octogenário agora responde por ocultação de cadáver, usurpação de identidade, fraude previdenciária e falsificação de documentos. Além disso, sua imagem vestido como a própria mãe circula internacionalmente, ampliando o impacto do caso.

