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A guerra pelo domínio do podcast pode acabar com a sua liberdade

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Um assunto que posso falar com uma certa propriedade, apesar de ter me afastado desse mundo.

Fui podcaster por muitos anos da minha vida, quando as coisas eram mais “calmas” (bom, mais ou menos) e ninguém ganhava dinheiro com isso. Confesso que até cogitei voltar a gravar podcasts, mas não me animo. Meu tempo já está bem ocupado, e consigo pagar minhas contas com os blogs.

Mas fico feliz com o crescimento do podcast por aqui. Finalmente chegou o ano do podcast no Brasil, e o brasileiro agora sabe que essa é uma forma válida para consumo de conteúdo.

Mas uma coisa deveria preocupar aos produtores de podcast e ao público em geral: a influência de empresas gigantes.

 

 

 

Fim da liberdade, começo da censura

 

 

Podcasts independentes podem falar sobre o que quiser, da forma que quiser e quando quiser. Produtores de conteúdo independentes podem simplesmente ligar o microfone e expressar a sua opinião para o mundo, doa a quem doer.

Por outro lado, a grande maioria desses produtores de conteúdo independentes terminam a vida sem muita grana e com alguma visibilidade. Eu posso falar por mim: produzi, gravei e editei mais de 500 podcasts, e muito pouco dinheiro ganhei com eles.

Muitos podcasters brasileiros trabalharam duro por uma coisa que eu consegui nos blogs: patrocínio. Essa foi a forma mais eficiente para um blog independente conseguir capitalizar um podcast. Porém, quando o dinheiro chega, também chegam as responsabilidades.

É quase inevitável. Você acaba ficando atrelado aos interesses comerciais do seu patrocinador, muda o seu padrão de comunicação e começa a estabelecer filtros para não espantar o dinheiro investido no seu programa.

E isso pode fazer com que o seu ouvinte acabe se afastando de você. Esse é um risco que você acaba correndo, de forma quase inevitável.

Agora… imagina a pressão que você recebe quando estabelece uma parceria com uma empresa gigante, que abriga o seu podcast, gerencia o seu conteúdo e, de uma forma que você até pode não acreditar, pode controlar completamente tudo o que envolve o seu formato.

E a suposta liberdade que você lutou tanto para conquistar como produtor de conteúdo pode ir para o espaço.

 

 

 

Quanto mais alto, mais o ar fica rarefeito

 

 

Quando gigantes do setor de tecnologia como Apple, Google e Amazon se unem a uma rede social do porte do Twitter e da maior plataforma de streaming de áudio do mundo, doravante conhecida como Spotify, temos a prova cabal que o podcast virou mainstream no mundo.

Por outro lado, todas essas empresas, sem exceção, estão buscando por conteúdos do tipo “family friendly”. E se os produtores de conteúdo não se ajustarem, simplesmente vão ficar de fora dessas empresas.

Ou seja, para muitos, manter a independência sobre o conteúdo produzido pode ser mais importante que conseguir montanhas de dinheiro que uma grande empresa pode oferecer.

É claro que existe outra alternativa: a reinvenção, para se adequar ao sistema estabelecido pelas empresas. E fico na torcida para que aqueles podcasters que conseguem se adequar a esse momento onde existem os investimentos prosperem nessa mídia.

Mas precisamos ficar de olho para que a liberdade e a espontaneidade desses podcasts não desapareça com o passar do tempo.


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